Desenvolvimento económico leva idiomas à extinção

prathambooks / Flickr

Um estudo da Universidade de Cambridge concluiu que um dos efeitos colaterais do desenvolvimento económico é o risco de extinção de alguns idiomas.

Analisando diversas partes do mundo, incluindo regiões desenvolvidas como a Europa, América do Norte e a Austrália, o estudo concluiu que o progresso económico caminha de mãos dadas com a dominação das línguas faladas por minorias pela língua dominante, mais poderosa.

Cerca de 25% das línguas do mundo estão atualmente ameaçadas, estima o coordenador do estudo, Tatsuya Amano, que afirma que idiomas com poucos nativos, como o alto tanana (ou tabesna), que é falado por menos de 25 pessoas no Alasca, nos Estados Unidos, estão na linha de frente da ameaça de extinção.

Na Europa, a língua sami de Ume, da Escandinávia, e o occitano auvernês, da França, também estão a desaparecer.

“Muitos idiomas em todo o mundo estão a perder-se rapidamente. É uma situação muito séria. Por isso, queríamos investigar de que forma a extinção se distribui globalmente”, disse Amano, que normalmente estuda as taxas de extinção entre animais.

Os investigadores divulgaram as suas conclusões na publicação Proceedings of the Royal Society B.

Desaparecimento de vozes

De acordo com o estudo, quanto mais sucesso económico um país obtém, mais rapidamente a diversidade dos seus idiomas nativos diminui.

“Na medida em que as economias se desenvolvem, uma língua frequentemente passa a dominar as esferas políticas e educacionais de uma nação”, diz Amano.

“As pessoas são forçadas a adotar a língua dominante ou correm o risco de serem abandonados – económica e politicamente.”

O estudo aponta que nos trópicos e na região dos Himalaias o risco de perdas linguísticas é particularmente alto, porque nestes locais combinam-se dois fatores: o alto número de idiomas falados por pequenos grupos e o rápido crescimento económico vivenciado por estas partes do globo.

Comentando o estudo, o diretor executivo da ONG Aliança pelas Línguas Ameaçadas, Daniel Kaufman, diz que a diversidade dos idiomas no mundo é cada vez mais definida por fatores sociais, políticos e económicos.

Para Kaufman, essa diversidade linguística, “que foi originalmente moldada pelo meio ambiente”, dá hoje lugar a um “padrão moldado por políticas e realidades económicas”.

ZAP / BBC

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1 COMENTÁRIO

  1. Grande novidade o Português também está em vias de extinção.

    Os Chef´s portugueses também dizem Bacon em vez de toucinho. Salada Iceberb em vez de Alface americana e por ai fora.

    Depois temos apresentadores que dizem Lounge em vez de Salão. Assim como temos pseudo atores que dizem casting em vez de audição e workshop em vez de seminário. E muitos mais exemplo haveria.

    Enfim

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