Pode ter sido descoberto um “elo perdido” na história do alfabeto

(dr) J. Dye, Austrian Academy of Sciences / Antiquity Publications Ltd.

O fragmento do jarro encontrado em Laquis (Tel Lachish), Israel

Uma inscrição alfabética num fragmento de um jarro encontrado em Laquis (Tel Lachish), em Israel, com cerca de 3450 anos, poderá ser um “elo perdido” na história do alfabeto.

“Datada do século XV A.C., esta inscrição é atualmente a mais antiga inscrição alfabética do Levante do Sul [área geográfica que inclui Israel]”, pode ler-se no estudo publicado, a 15 de abril, na revista científica Antiquity.

A evidência mais antiga de escrita que utiliza um sistema de letras para representar sons (ou seja, um alfabeto) foi encontrada no Egito e data da XII dinastia egípcia (por volta do ano 1981 A.C. a 1802 A.C.), recorda o site Live Science.

Por volta de 1300 A.C., foram encontrados mais exemplos no Levante e, mais tarde, os Gregos adotaram um sistema de alfabeto, tendo-se seguido os Romanos (com o seu sistema de escrita em latim) e por aí adiante.

A inscrição recentemente descoberta, que rondará o ano de 1450 A.C., está a ser chamada de “elo perdido” porque preenche uma lacuna entre os primeiros exemplos de escrita alfabética do Egito e os exemplos posteriores encontrados no Levante.

Este achado também fornece novas pistas sobre como o alfabeto pode ter passado para esta região, com a equipa de investigadores a sugerir que os Hicsos – povo que governou o norte do Egipto até cerca de 1550 A.C. – podem ter ajudado a trazer o alfabeto egípcio para o Levante.

Segundo explica o mesmo site, esta teoria baseia-se no facto de, durante um certo período, os Hicsos terem controlado em simultâneo tanto o território do Levante como essa parte do Egipto. Além disso, no jarro em questão foram usados símbolos hieroglíficos para representar letras.

O fragmento do jarro foi descoberto, em 2018, perto de uma antiga fortificação em Laquis. Os arqueólogos também encontraram restos de cevada ao lado dele, sendo que a datação por radiocarbono indicou que o alimento foi cultivado por volta do ano 1450 A.C.

Segundo Benjamin Sass, professor de Arqueologia da Universidade de Tel Aviv que não esteve envolvido no estudo, a data apresentada por esta equipa pode ser controversa, uma vez que a datação da cevada pode ser, ou não, uma data exata para a inscrição. Por exemplo, este alimento poderia ter sido colhido depois da jarra.

“Os dados publicados até agora tornam esta situação uma possibilidade, mas de forma alguma uma certeza”, afirmou Sass ao Live Science.

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