Descoberta uma tartaruga que sobreviveu ao asteróide que matou os dinossauros

Timothy Myers

Fóssil de tartaruga marinha que sobreviveu ao asteróide que extinguiu os dinossauros encontrada em Cabinda, Angola.

Uma equipa de paleontólogos descobriu uma tartaruga marinha pré-histórica que sobreviveu ao asteróide que se abateu sobre a Terra, há cerca de 65,5 milhões de anos, e que acabou com a maior parte da vida na Terra, extinguindo os dinossauros.

Esta tartaruga, que pertence a uma nova espécie, foi descoberta perto das falésias de uma praia próxima da cidade de Landana, na província de Cabinda, em Angola.

O fóssil do crânio quase completo da tartaruga foi encontrado em Junho de 2012, mas só agora o achado é divulgado ao público, através do site Live Science, depois de uma apresentação num encontro da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados.

Tartaruga de CabindaEnquanto a investigação aguarda para ser publicada numa revista científica, o Live Science relata que esta tartaruga, com a cabeça em forma de triângulo, viveu há cerca de 64 milhões de anos, durante o período do Paleoceno.

Trata-se de uma nova espécie, mas é parente próxima das tartarugas marinhas que viviam antes da queda do asteróide que matou cerca de 75% das espécies da Terra, incluindo os dinossauros.

“Se estas tartarugas marinhas de facto formam um grupo firmemente ligado, evolucionariamente falando, então este espécimen fornece a prova de que elementos desse grupo sobreviveram à extinção em massa no fim do Cretáceo”, nota ao Live Science o investigador Timothy Myers, professor do Departamento de Ciências da Terra da Universidade Metodista do Sul (UMS), no Texas, Estados Unidos, que esteve envolvido na pesquisa.

O fóssil da tartaruga foi encontrado pelo paleontólogo Louis Jacobs, também da UMS, que reparou em parte de um osso a sair das rochas.

Foi assim, que chegaram a um crânio quase completo do animal e a um hióide, “um osso do pescoço em forma de U que suporta a língua”, explica o Live Science.

Tartaruga adaptou-se para mastigar comidas duras

A tartaruga, que ainda não foi baptizada, teria o tamanho de uma pequena mesa redonda, com cerca de um metro de comprimento, e os olhos virados para a frente e ligeiramente para o lado, segundo refere Myers.

Também tinha a superfície do céu da boca expandida, um sinal de que ter-se-á adaptado para poder comer comidas mais duras que precisava de mastigar antes de ingerir.

Timothy Myers

Vista frontal do crânio da tartaruga pré-histórica.

Vista frontal do crânio da tartaruga pré-histórica.

“As tartarugas adultas comeriam organismos com casca dura como os crustáceos (caranguejos, lagostas), bivalves e gastrópodes [moluscos como o caracol], além de presas mais macias como lulas ou peixes”, realça Myers.

O professor relata ao Live Science que no mesmo local, em Landana, foram encontrados fósseis de cobras, crocodilos, peixes ósseos e tubarões, bem como a espécie de tartaruga de pescoço lateral conhecida como Taphrosphys congolensis. Sinais que indicam que a zona era, há 64 milhões de anos, um local muito mais árido do que actualmente.

“No início do Paleoceno, o local era um ambiente marinho raso e arenoso, não muito longe da costa”, esclarece Myers, notando que nessa altura, “África estava a uma maior altitude” e que, por isso, “o clima seria relativamente árido e o ambiente adjacente envolvente na costa da localidade não teria a vegetação densa de selva que tem hoje”.

SV, ZAP

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  1. (…) “Se estas tartarugas marinhas de facto formam um grupo firmemente ligado, evolucionariamente falando, então este espécimen fornece a prova de que elementos desse grupo sobreviveram à extinção em massa no fim do Cretáceo”, nota ao Live Science o investigador Timothy Myers, professor do Departamento de Ciências da Terra da Universidade Metodista do Sul (UMS), no Texas, Estados Unidos, que esteve envolvido na pesquisa. (…)

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