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Descoberta bactéria que pode ajudar a criar uma vacina para o stress. Estava escondida na terra

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wan mohd / Flickr

Cientistas isolaram um padrão molecular único que pode, um dia, permitir a criação de uma vacina para o stress. Este padrão estava escondida dentro de uma bactéria que vive na terra.

O Mycobacterium vaccae é uma bactéria não patogénica que vive no solo e tem-se mostrado bastante promissora na investigação da área da saúde. Agora, um novo estudo pode ter finalmente descoberto o porquê.

As descobertas sugerem que um tipo específico de gordura dentro de M. vaccae pode ser o motivo pelo qual a exposição a essa bactéria aparentemente benéfica em solo moído pode ser boa também para os humanos.

Este trabalho está ligado à ideia de “velhos amigos”, uma hipótese que afirma que os seres humanos co-evoluíram com vários microorganismos úteis e a perda desses laços no ambiente moderno levou a um aumento de doenças alérgicas e auto-imunes.

“A ideia é que, à medida que os seres humanos se mudaram das quintas e das explorações agrícolas ou de caçadores-coletores para as cidades, perdemos contacto com organismos que serviam para regular o nosso sistema imunológico e suprimir inflamações inapropriadas”, disse o neuroendocrinologista Christopher Lowry em comunicado.

Lowry tem estudado M. vaccae há anos, descobrindo num estudo de 2016 que injetar ratos com uma preparação morta pelo calor da bactéria impedia o surgimento de reações induzidas por stress nos animais.

Mas até agora, ninguém tinha certeza do que havia na M. vaccae que pudesse ser responsável por tais efeitos. “Uma das questões é, essencialmente, quais são os componentes críticos das bactérias que parecem beneficiar o hospedeiro?” explicou Lowry ao The Denver Post.

Neste novo estudo, publicado na revista Psychopharmacology, os investigadores isolaram e sintetizaram quimicamente um ácido gordo chamado ácido 10(Z)-hexadecenóico, que parece ser a forma como a bactéria pode reduzir a inflamação noutros animais.

A nível molecular, o lípido parece atuar ligando-se a recetores chamados recetores ativados por proliferadores de peroxissoma (PPAR). Ao fazê-lo, inibe as vias de inflamação – pelo menos, em células imunitárias de ratos. “Quando são absorvidos pelas células imunológicas, libertam esses lípidios que se ligam a esse recetor e bloqueiam a cascata inflamatória.”

Ainda é necessário muito trabalho para ver se o mesmo efeito poderia ser replicado em humanos. Se for possível, os investigadores dizem que a descoberta poderia ajudar a desenvolver uma “vacina contra o stress” para ajudar pessoas em profissões de alto stress que as colocam em risco de desenvolver transtorno de stress pós-traumático.

“Costumávamos pensar que as microbactérias não eram uma parte importante do microbioma humano”, disse o neuroendocrinologista. “O poder da natureza continua a surpreender-nos e estamos ansiosos para aprender mais.” Lowry é otimista, estimando que podem passar apenas 10 a 15 anos antes desse tratamento estar disponível.

  ZAP //

1 Comment

  1. se calhar em vez da vacina, o melhor seria regressar às origens, mais paisagem, mais terra e menos betão e relógio.

    e menos ou nenhuns fakebooks e afins.

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