Descoberta a origem das misteriosas ondas de rádio que chegam do espaço

J Cooke Swinburne

A galáxia de origem está no centro desta imagem em negativo e colorida artificialmente, registrada pelo telescópio Subaru.

A galáxia de origem está no centro desta imagem em negativo e colorida artificialmente, registrada pelo telescópio Subaru.

Pela primeira vez na história, os astrónomos identificaram o local de origem de uma rajada rápida de rádio (FRB, na sigla em inglês) que anteriormente foi considerado como sinais da vida extraterrestre.

A FRB descoberta é uma explosão fugaz de ondas de rádio – dura alguns milissegundos no céu – que saem de uma outra galáxia que fica a uma distância de seis mil milhões de anos-luz.

A causa desse grande flash – o 17º detectado na História – ainda é um mistério, mas descobrir a galáxia de origem é um momento-chave no estudo desses fenómenos.

A equipa também conseguiu medir a quantidade de matéria que entrou no caminho das ondas, fazendo assim uma espécie de “pesagem do Universo”.

A FRB é algo semelhante ao Sol porque lança energia para o espaço em forma de ondas de rádio. A diferença entre a FRB e o Sol é a quantidade de energia libertada: a FRB lança a mesma quantidade de ondas de rádio em alguns milissegundos que o Sol lança durante alguns dias.

Anteriormente, quando os astrónomos sabiam menos sobre a FRB, alguns afirmavam que estas ondas de rádio eram sinais enviados de galáxias mais distantes por civilizações extraterrestres.

Agora, conclui-se que são um fenómeno sideral, e não sinais de alienígenas.

A FRB foi identificada graças ao Telescópio Parks Radio, localizado na Austrália. A descoberta, publicada na Nature, foi feita por uma equipa internacional de cientistas da Universidade de Swinburne, na Austrália, e do Instituto Italiano de Astrofísica, INAF.

“Foi lançado um aviso internacional e vários telescópios por todo o globo foram envolvidos na pesquisa dos resultados do sinal”, disse Evan Keane, coordenador do estudo, à Astronomy Now.

A descoberta é apenas uma gota no oceano do que ainda não sabemos sobre o Universo, mas o conhecimento das FRB abre uma nova página na investigação do espaço, afirmou Andrea Possenti, um dos cientistas envolvidos no projeto.

Atualmente, os astrónomos afirmam que o Universo é composto por 70% de energia escura, por 25% de matéria escura e por 5% de matéria ordinária, que é a que podemos ver.

Os astrónomos descobriram apenas metade ae matéria ordinária – o resto é desconhecido.

É por isso que não podemos estar 100% certos de que em algum canto muito distante do Universo não haja extraterrestres.

SN / BBC

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2 COMENTÁRIOS

  1. O seu a seu dono! O estudo foi liderado por uma equipa de cientistas do centro de astrofísica e supercomputação da universidade de Swinburne na Austrália. O estudo incluiu alguns cientistas do INAF como coautores.

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