Democratas nomeiam oficialmente Biden. E os ataques a Trump continuam

Os Democratas confirmaram, esta terça-feira, a nomeação de Joe Biden como candidato nas eleições Presidenciais, marcadas para 3 de novembro, durante a convenção nacional do partido.

Sem surpresa, a maioria dos delegados escolheu o antigo vice-presidente de Barack Obama para enfrentar o Presidente republicano, durante o segundo dia da convenção do partido, realizada de forma inteiramente virtual por causa da pandemia de covid-19.

Joe Biden conseguiu o apoio de 3558 delegados, em comparação com 1151 para o senador mais à esquerda Bernie Sanders. “Obrigado do fundo do meu coração”, disse o candidato, numa mensagem de vídeo ao vivo.

A 77 dias das eleições, o ex-vice não tem, no entanto, a história do seu lado. Nas últimas quatro décadas, só um Presidente em funções foi derrotado: George H. W. Bush, em 1992, por Bill Clinton.

Aliás, Clinton foi um dos convidados deste segundo dia de convenção, que não poupou críticas ao atual Presidente. “Donald Trump diz que estamos a liderar o mundo. Bem, somos a única grande economia industrial a ter triplicado a taxa de desemprego”, ironizou.

“Numa altura como esta, a Sala Oval devia ser um centro de comando. Em vez disso, é um centro de tempestade. Só há caos“, acusou, acrescentando que “só há uma coisa que não muda: a determinação” de Trump “para negar a responsabilidade e evitar a culpa”.

Numa breve, mas contundente, intervenção, lembrou aos eleitores o que vai acontecer se Trump continuar na Casa Branca por mais quatro anos: “Culpar, amedrontar, denegrir“.

“Se querem um Presidente que define o seu trabalho como passar horas a ver televisão e a seguir pessoas nas redes sociais, [Trump] é o vosso homem (…), mas nas crises de verdade, desmorona-se como um castelo de cartas.”

Por isso, o partido Democrata “está unido” numa “opção diferente: um Presidente que trabalha”, disse. “Com os pés assentes no chão (…) um homem com uma missão: concentrar-se, não distrair-se; unir, não dividir. A nossa opção é Joe Biden”, declarou.

O antigo secretário de Estado, John Kerry, candidato à presidência em 2004, também foi um dos presentes, tendo sido o protagonista de um dos discursos mais duros contra Trump na Convenção Democrata.

“Quando este Presidente vai ao estrangeiro, não está numa missão de boa vontade, está numa série de trapalhadas. Rompe com os nossos aliados e escreve cartas de amor a ditadores. Os Estados Unidos merecem um Presidente que seja admirado, não de que se riam”, disse.

Kerry acusou ainda Trump de não fazer frente à Rússia. “Este é o ponto principal: os nossos interesses, os nossos ideais e os nossos corajosos homens e mulheres de uniforme não podem permitir-se mais quatro anos de Donald Trump”.

O ex-secretário de Estado referiu também que o republicano se recolheu no abrigo subterrâneo da residência oficial, no final de maio, quando manifestantes atiraram pedras e tentaram forçar barreiras policiais, durante as manifestações contra o racismo e a violência policial originadas pela morte do afro-americano George Floyd.

“As nossas tropas não podem escapar ao perigo escondendo-se no ‘bunker’ da Casa Branca. Precisam de um Presidente para os defender, e o Presidente Biden fá-lo-á”, acrescentou.

Kerry salientou que antes de Trump se tornar Presidente, em 2017, falava-se muito de “excecionalismo americano”. “A única coisa excecional sobre a política internacional inconsistente de Trump é que isolou a nossa nação mais do que nunca”, acusou.

No mesmo dia, a convenção também contou com os discursos do ex-Presidente Jimmy Carter, de 95 anos, do ex-secretário de Estado Colin Powell, da congressista Alexandria Ocasio-Cortez e da mulher de Biden, Jill.

A convenção democrata, em modo virtual, decorre na cidade de Milwaukee, no estado do Wisconsin, até quinta-feira, quando Joe Biden deverá fazer o discurso de aceitação da candidatura democrata.

A seu lado estará a senadora da Califórnia, Kamala Harris, terceira mulher a ser designada como candidata a vice-Presidente dos Estados Unidos, depois da democrata Geraldine Ferraro, em 1984, e da republicana Sarah Palin, em 2008, que não foram eleitas.

ZAP // Lusa

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