Terceira demissão no Reino Unido em poucas horas. Oito possíveis sucessores de Boris

Sergio Perez/EPA

Boris Johnson aponta

Na manhã seguinte às saídas de Sajid Javid e Rishi Sunak, Will Quince apresentou a sua demissão. Boris Johnson deve sair do cargo de primeiro-ministro.

A vaga de demissões no Governo do Reino Unido não terminou na noite de terça-feira.

Na manhã seguinte às saídas de Sajid Javid e Rishi Sunak, também Will Quince apresentou a sua demissão.

Will Quince era o ministro para as crianças e famílias – designação local – e tinha defendido o primeiro-ministro Boris Johnson há dois dias.

O agora ex-ministro assegurou na televisão que Boris não sabia que o deputado Chris Pincher tinha sido acusado de assédio sexual, quando foi promovido pelo próprio primeiro-ministro. Não é verdade.

Agora demite-se porque defendeu Boris com base em informações falsas. Will falou com o primeiro-ministro na noite passada e o líder do Partido Conservador pediu-lhe desculpa pelas informações “imprecisas” que lhe foram transmitidas, antes da entrevista.

Mas, após esta situação, só tinha uma decisão a tomar: a demissão. “É com grande tristeza e pesar que sinto que não tenho escolha a não ser apresentar a minha demissão como ministro para as crianças e famílias, pois aceitei e repeti essas garantias de boa fé”.

Na noite passada, num espaço de poucos minutos, os ministros das Finanças e da Saúde também se afastaram do Governo.

Sajid Javid, responsável pela pasta da Saúde, considera que os Conservadores, que já não eram populares no Reino Unido, agora também não são “competentes em agir pelo interesse nacional”. Steve Barclay será o seu sucessor.

Rishi Sunak, que era ministro das Finanças, também foi directo nas críticas: “O público, com razão, espera que o Governo seja conduzido de forma adequada, competente e séria. Reconheço que esta possa ser o meu último cargo ministerial, mas acredito que vale a pena lutar por estes critérios”. Nadhim Zahawi, ex-ministro da Educação, foi escolhido para o seu lugar.

Entre um ambiente “mais pesado” e um tom “muito diferente” dentro do partido, como descreveu a jornalista Jessica Elgot, também pelo país há diferenças na avaliação ao Governo conservador.

Na noite passada os números do YouGov mostraram que 69% dos britânicos querem a demissão imediata de Boris Johnson. É o valor mais alto de sempre.

E, mesmo quem votou no Partido Conservador em 2019, também quer a sua saída: 54% dos eleitores. É a primeira vez que há mais votantes a quererem a sua saída do que aqueles que querem a sua permanência.

Sucessão?

Boris Johnson assegura que nada nem ninguém vai originar a sua saída do cargo de primeiro-ministro do Reino Unido.

Mas já se pensa (agora ainda mais) na sua sucessão, quer na liderança do partido, quer na liderança do país, e o jornal The Guardian já elaborou uma lista de oito possíveis sucessores.

A favorita é Penny Mordaunt, antiga secretária de Estado da Defesa que foi afastada precisamente por Boris, por ter apoiado o seu adversário Jeremy Hunt nas eleições internas.

Seguem-se o já mencionado Rishi Sunak e Liz Truss, a actual ministra dos Negócios Estrangeiros.

O ministro da Defesa Ben Wallace, o próprio Jeremy Hunt e o também ministro demissionário Sajid Javid também estão numa lista, que fecha com Nadhim Zahawi e Tom Tugendhat, presidente do Comité Conservador dos Negócios Estrangeiros.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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