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“Um tesouro profano”. Encontrada custódia do rei Manuel I que estava perdida há mais de um século

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DR / Museu Condé

Custódia do rei Manuel I

Custódia do rei Manuel I encontrada em Museu francês após mais de um século desaparecida.

Uma das custódias de D.Manuel I, que se julgava perdida, foi encontrada numa sala do Castelo de Chantilly, em França, onde vai ser exposta após ter sido restaurada. É um “verdadeiro tesouro profano” e uma obra “essencial da arte do Renascimento em Portugal”.

O Castelo de Chantilly é uma das jóias do património francês, tendo sido mandado construir pelo duque Henri d’Orléans, filho do último Rei de França. O espaço acolhe colecções de arte e vai, a partir de agora, exibir ao público a custódia de D. Manuel I, cujo paradeiro não se conhecia.

A peça de prata dourada, com 70 centímetros de altura, esteve esquecida mais de um século numa das salas do Castelo. A humidade levou a que ficasse oxidada, o que exigiu uma profunda intervenção de restauro, concretizada nos últimos meses.

De origem portuguesa e datada de 1500-1520, a custódia, ou ostensório, será proveniente da Sé de Braga, onde é mencionada nos inventários, acrescenta um comunicado do Castelo de Chantilly.

A custódia terá chegado ao Castelo através de doação efectuada em 1531 pelo arcebispo Diogo de Sousa, ainda segundo o mesmo comunicado que é citado pela Lusa.

Apresentada como uma obra de “microarquitetura e originalmente usada em actos religiosos, a custódia combina múltiplos pináculos, arcos de trevo, ornamentos de plantas, pequenas estátuas, armas e símbolos dos reis de Portugal, nomeadamente as armas de Bragança.

“Um verdadeiro tesouro profano”

“Este objeto é um testemunho essencial da arte do Renascimento em Portugal. O  restauro devolve-lhe o seu lugar na história e na história da arte portuguesa”, sustentam os serviços da instituição francesa.

Trata-se de “um verdadeiro tesouro profano do Museu Condé”, onde está exposta, no Castelo de Chantilly, como aponta ainda a entidade.

“Exceptuando alguns raros investigadores que sabiam da sua existência, ninguém olhou para esta peça, abandonada em favor das fabulosas pinturas de Chantilly” e “esteve esquecida durante mais de um século”, aponta o site francês Noblesse et Royautés, citando dados do Castelo de Chantilly.

Os responsáveis do Castelo de Chantilly ressalvam que o restauro desta peça, que demorou seis meses, foi conseguido “graças ao apoio” da Galeria Mendes, em Paris, de Philippe Mendes, curador luso-francês e coleccionador de arte.

Philippe Mendes fez parte do departamento científico do Museu do Louvre, onde lecionou igualmente História da Pintura Italiana.

O processo de restauro da custódia de D. Manuel I foi liderado por Fabienne dell’Ava, especialista em conservação e restauro de obras em metal.

Peça foi doada ao Estado francês

A mais antiga referência quanto à atual posse da custódia remonta a uma exposição dedicada a obras de arte da Idade Média e da Renascença, que esteve patente em Londres, no então Museu de South Kensington, actual Victoria & Albert, em 1862.

O catálogo desta exposição identificava como seu proprietário o duque Henri d’Orléans, filho do rei Louis-Philippe, então no exílio no Reino Unido.

Ainda segundo o catálogo da mostra, citado pelo Castelo de Chantilly, a peça tinha sido adquirida, em 1859, a um antiquário em Londres, Samuel Pratt, por cerca de 300 libras.

Em 1871, a custódia acompanhou o duque d’Orléans no seu regresso a França e ao Castelo de Chantilly, entretanto reconstruído para acolher a sua coleção de arte.

Em 1886, com a doação do castelo e do seu acervo, a custódia transitou para o património do Institut de France, entidade que gere cerca de um milhar de instituições, entre academias, fundações, castelos e museus no país.

A partir de agora, esta custódia vai estar exposta no Musée Condé, no Castelo de Chantilly, na região de Oise, no Norte de França, associando-se aos eventos a decorrer no âmbito da temporada cruzada França e Portugal.

  ZAP // Lusa

1 Comment

  1. (A custódia terá chegado ao Castelo através de doação efectuada em 1531 pelo arcebispo Diogo de Sousa, ainda segundo o mesmo comunicado que é citado pela Lusa.) Neste país dão tudo e restará também o património levado pelos franceses aquando das invasões francesas mandadas pelo senhor Putin, perdão, Napoleão!

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