Da “obsessão por cargos” à “subserviência ao PS”. Críticos internos do BE descarregam na direção

Paulo Cunha / Lusa

A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins

A convenção do Bloco de Esquerda está marcada para os dias 22 e 23 de maio e os grupos críticos da direção do partido já têm preparada uma extensa lista de críticas.

De acordo com o Observador, alguns dos apelos passam por: recuperar a “radicalidade” e a “prática anti-sistema”, garantir a “alternativa ao poder instalado”, largar a “obsessão por cargos, lugares e empregos”, e obrigar a direção a deixar de ser “surda” às vontades das bases.

A relação com o PS é um dos pontos de foco dos críticos internos do partido, que falam numa subserviência do Bloco de Esquerda. Apesar do voto contra no último Orçamento de Estado (OE), há críticas à forma como a decisão foi transmitida e explicada às bases do partido.

Outro dos pontos de foco é a democracia interna do partido, que os críticos garantem escassear. Os críticos condenam a direção por ignorar as bases, concentrar o poder e dividir lugares e empregos entre si.

Após o resultado fraco de Marisa Matias nas últimas eleições presidenciais e a já referida decisão difícil no último OE, o partido está cada vez mais fragmentado internamente.

O conjunto de críticos mais significativo – o grupo da “Convergência” – apresenta uma moção, pelo que poderá perceber melhor quanto vale no que toca a votos, escreve o Observador.

O grupo conta com os ex-deputados Pedro Soares e Carlos Matias, entre outros, e defende que o Bloco de Esquerda deveria ter sido muito mais exigente com o PS na segunda metade da legislatura passada.

“O PS tinha de ser confrontado com um novo caderno de encargos, em vez do minimalista acordo inicial”, argumentam os subscritores, acusando a direção de ceder à “chantagem da demissão do Governo” e perdendo uma oportunidade para ganhar “radicalidade e demarcação”.

“A disputa pela hegemonia e controlo do aparelho perverte e empobrece a vida democrática da organização, condiciona as escolhas nas listas para os cargos eletivos, internos ou externos, e abafa a pluralidade, as vozes críticas e a diferença de opiniões. A democracia interna (…) deve ser urgentemente restabelecida”, acrescentam os subscritores.

A direção deve, por isso, deixar de se “isolar numa postura jacobina” e de criar “um monstro de redes clientelares internas que se autoalimenta”, com “amigos e familiares a pulular nos cargos remunerados”.

Apela-se ainda um ultimato ao PS, em que, “ou aceita um acordo com uma clarificação das linhas vermelhas e com uma aposta decisiva no desenvolvimento, ou haverá crise política”.

Na última convenção do partido, os subscritores da moção R disseram que eram conhecidos no partido como “os radicais românticos”. Agora, nesta convenção, surgem como moção Q e defendem que o único caminho para o Bloco é o da “radicalidade”: Apoiar “Governos do sistema” está fora de questão.

“O BE não é o garante da estabilidade do poder instalado. Tem de ser a alternativa a ele”, argumentam os subscritores, citados pelo Observador. Sair da NATO, referendar o tratado orçamental e acabar com as PPP, as propinas e as taxas moderadoras na saúde são algumas das bandeiras desta moção.

Há ainda a moção C, que na última convenção foi liderada por Américo Campos, e que, embora esteja de acordo com a linha política seguida pela direção, critica as agendas internas das várias tendências do partido.

Os seus subscritores argumentam que a direção está preocupada com a “institucionalização do Bloco e consequente obsessão por cargos, lugares e empregos”.

“Ou seja, a energia que deveria ser usada para desmontar o sistema e acumular forças é desperdiçada em objetivos egoístas e pequeno-burgueses”, defendem.

A moção da direção do Bloco avisa o PS contra a “via centrista” e assegura estar disponível para conversar e formar maiorias de esquerda.

  Daniel Costa, ZAP //

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12 COMENTÁRIOS

  1. Já estão a descobrir-se. Isto que sirva de lição para os que propagam sobre a de postura democrática do BE.
    Eles são trotskistas por conseguinte totalitaristas e anti-democráticos.
    Correcção: pelos vistos passam a ser democratas quando há tacho!!!

  2. De todas as propostas, aquela que se pode dizer ser cereja no topo do bolo é sem dúvida “Sair da NATO”. Com o BE no poder saímos da NATO certamente iríamos pertencer ao Daesh ou ao Herzbollah!!

    • Bem, eles são conhecidos por terem recebido antigos membros do grupo mafioso e terrorista FP25.
      Como já têm experiência em assassinar inocentes, em assaltar bancos e empresas, em extorquir dinheiro, a matar crianças, o Daesh talvez fosse uma boa opção!

  3. Um partido que odeia boa parte dos portugueses, aqueles que não fazem parte do aparelho, só porque não fazem parte desse aparelho e querem concretizar os seus sonhos pessoais, dificilmente terá aceitação por boa parte desses mesmos portugueses, a não ser que sejam masoquistas e tolinhos.

  4. O PS está a jogar bem, ao aproximar o BE de si, faz com que os eleitores aos poucos não vejam diferença e votem PS para votar em vencedores. Aliás a obcessão de tirar Passos Coelho do Governo em 2015, fez com que o PCP perdesse a identidade e milhares de votos. O BE também perdeu cerca de 50.000 votos, passou de 550 mil em 2015 para 500 mil em 2019, é uma perda significativa de 10 % dos seus eleitores. Costa oportunista como sempre ( não que isso em politica seja mau ) fez o seu papel e vai levando a sua adiante, como diz o povo. Vamos agora assistir aos antigos radicais de esquerda, mudarem para a direita mais radical, pois são anti-sistema e não vêm à esquerda quem os represente.

    • As geringonças de esquerda vão perdendo a sua viabilidade futura, o que vai isolando o PS e a possibilidade de vir a perder a governação.

  5. Esta esquerdinha fofa queria ter poder e não ter desgaste? Fazem uma festa em ter muitos votos, mas depois choram porque se colaram ao poder… É preciso DIZER A TODA A GENTE, É PRECISO GRITAR que o BE é tão responsável pela miséria em que nos encontramos há 20 anos (economicamente não crescemos), tal como o é o PCP e o Governo PS. Eles TODOS são os obreiros do nosso atraso, do nosso subdesenvolvimento e de nos atirarem para a cauda da Europa. São os responsáveis MALDITOS e como tal têm de pagar por isso.

  6. Já estão enjoados com o tempo que serviram de muleta ao PS? Pois, isto seria mais ou menos previsível tal como aconteceu também com o PCP, talvez ainda o mais estranho seja o próprio PS se coligar a partidos de extrema-esquerda quando agora são tão hábeis em condenar o Chega, só demonstra que para eles (PS) tudo vale para atingir o Poder. Entretanto, estes dois parecem ir perdendo influência no sistema “democrático” português, apesar de ainda muito admirados por certos políticos de outras áreas, (não sei com que intenção)!

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