Crianças ganham 6 euros por dia numa das maiores empresas de papel da Indonésia

1

Crianças de uma das mais lucrativas fábricas de papel da Indonésia trabalham a pulverizar veneno de ervas daninhas, recebendo apenas seis euros por dia.

Toba Pulp Lestari é uma das maiores empresas de celulose e papel da Indonésia. Plantar sementes, espalhar fertilizantes e pulverizar veneno de ervas daninhas são algumas das tarefas dos trabalhadores.

Entre a força laboral e debaixo dos olhares exteriores está “Sita”, uma jovem de 14 anos — que não é a única criança a trabalhar na fábrica.

“Muitas vezes escondemos-nos enquanto trabalhamos”, disse a jovem à VICE, falando sob o pseudónimo de Sita por medo de perder o emprego. “Quando convidados de fora da empresa visitam a plantação, o supervisor diz-nos para nos escondermos atrás das árvores”.

O controverso bilionário dono da Toba Pulp Lestari, Sukanto Tanoto, já foi descrito pela Greenpeace como detentor da “dúbia distinção de ser o maior impulsionador de desflorestação do mundo”. A empresa, que opera em quase 2 mil hectares, registou vendas no valor de 126 milhões de dólares, em 2020.

Embora a empresa de Sukanto Tanoto tenha sido associada a desflorestação ilegal, apropriação de terras indígenas e poluição, menos bem documentado é o papel que o trabalho infantil desempenha na geração de lucros da empresa.

As crianças a trabalharem na plantação vivem em condições inóspitas, não têm seguro de saúde e não têm acesso a educação.

Segundo o relatório anual de 2020 da empresa, a Toba Pulp emprega 1.195 funcionários e, indiretamente, subcontrata 7.000 trabalhadores.

“Se chover, não trabalhamos e não somos pagos”, disse Sita à VICE. “Se estivermos doentes, não podemos trabalhar e pagamos nós mesmos as despesas médicas”.

Sita recebe um salário diário de cerca de seis euros. No mínimo, a jovem de 14 anos trabalha 25 dias por mês e receber por volta de 140 euros. Este é um valor inferior ao salário mínimo do norte de Sumatra, de cerca de 166 euros.

Sita mora num edifício fornecido pela empresa, composto por 30 quartos de 4×5 metros, cada um ocupado por quatro a seis pessoas.

A legislação indonésia proíbe as empresas de empregar menores de 18 anos para trabalhos perigosos. No entanto, a maioria dos menores a trabalhar em Tuba Pulp tem a tarefa de pulverizar veneno de ervas daninhas, o que acarreta sérias implicações para a saúde.

“Mas muitas empresas de plantações na Indonésia ainda empregam crianças”, disse Misran Lubis, investigadora de trabalho infantil da Child Labor Prevention Network (JARAK), em declarações à VICE.

“Há empresas que empregam uma família, depois os filhos ajudam os pais, e também há empresas que recrutam diretamente as crianças e pagam-lhes”, acrescentou Lubis.

  Daniel Costa, ZAP //

1 Comment

  1. É proíbido, mas faz-se! É gente como esta, que constrói as suas monstruosas fortunas à custa da desgraça alheia, que domina o mundo! Perigoso!! Crianças tão pequenas a manusearem produtos altamente tóxicos que poderão comprometer a sua saúde para toda a vida e que terão que pagá-la do seu exíguo salário!! Inclusive a fertilidade dos jovens do sexo masculino poderá estar posta em causa! Que interessa isso a estes oligarcas que põem tudo em causa para conseguirem os seus lucros fabulosos, que serão muito menos taxados do que o de qualquer trabalhador? Isto é infame!!! Mas é este o futuro que nos espera e, talvez, por causa do apoio dos mais frágeis, o que é terrivelmente desconcertante!!

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.