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Covid-19 está a ameaçar as línguas indígenas mais raras do mundo

A pandemia de covid-19 está a ameaçar algumas das línguas indígenas mais raras do mundo. A doença está a matar os últimos falantes de alguns idiomas.

Para além dos óbvios efeitos da pandemia de covid-19 na saúde e na economia, gradualmente vamos conhecendo outras áreas onde esta doença também pode ter consequências devastadoras. As línguas indígenas são um desses exemplos.

Da Amazónia à Sibéria, a covid-19 está a matar os anciãos tribais que são os últimos a falar algumas das línguas mais raras do mundo, escreve a VICE.

Em novembro do ano passado, morreu Emilio Estrella, possivelmente o único falante idoso de Cacataibo, uma língua indígena ameaçada de extinção na Amazónia peruana. O homem de 90 anos foi vítima da covid-19.

“É muito difícil encontrar alguém como ele, com a amplitude de conhecimento que ele tinha, que pudesse ensinar-me de tudo, desde canções tradicionais a como fazer uma flecha”, disse Roberto Zariquiey, linguista da Pontifícia Universidade Católica do Peru, que passou quase uma década a trabalhar com Estrella para criar um dicionário e um guia de gramática de Cacataibo. “Era como um pai para mim”.

No extremo norte da Rússia, Chukchi, Nenetses e outros grupos indígenas remotos são conhecidos por serem mais suscetíveis à covid-19 por causa da sua marginalização preexistente e problemas de saúde relacionados. Mas a Amazónia parece ser o lugar onde a pandemia atingiu com maior impacto as línguas indígenas.

Enquanto isso, a nova estirpe mais contagiosa do novo coronavírus que se originou na cidade de Manaus, no Brasil, está a espalhar-se em grande parte da América do Sul.

“É realmente assustador. Estas são comunidades que já eram marginalizadas antes da pandemia”, diz Mandana Seyfeddinipur, que chefia o Projeto de Documentação de Línguas em Perigo na Universidade SOAS de Londres. “Estamos a falar de séculos destes povos a desenvolver o seu conhecimento e cosmologia. Estamos a perder a diversidade de maneiras de ver e compreender o mundo”.

  Daniel Costa, ZAP //

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