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Índia. Dezenas de corpos de vítimas de covid-19 encontrados nas margens do rio Ganges

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Prakash SINGH / AFP

Dezenas de corpos de vítimas de covid-19 encontrados nas margens do rio Ganges

Rio Ganges, índia

Dezenas de corpos, que se acredita serem de vítimas de covid-19, foram encontrados nas margens do rio Ganges, no norte da Índia, numa altura em que a pandemia está a espalhar-se pelo vasto interior rural do país e a sobrecarregar o sistema de saúde.

As autoridades indianas informaram que cerca de 40 corpos foram encontrados no município de Buxar, junto à fronteira entre Bihar e o Uttar Pradesh, dois dos mais pobres estados indianos.

No entanto, vários relatos na comunicação social dão conta que o número de corpos pode ser superior a uma centena, acrescentando que, de acordo com testemunhos de funcionários locais, muitos deles estavam parcialmente queimados e inchados – um sinal de que estavam no rio há vários dias.

Segundo relataram vários habitantes locais à AFP, os corpos terão sido deitados ao Ganges porque os crematórios não conseguem dar vazão ao número elevado de vítimas mortais, a que se junta a falta de recursos financeiros das famílias para comprar madeira para as piras funerárias.

Na segunda-feira, a Índia registou 366.161 infeções de covid-19, menos 37 mil casos do que na véspera, após ter ultrapassado a marca das 400 mil infeções durante quatro dias consecutivos, segundo informou o Ministério da Saúde indiano.

Nas 24 horas anteriores, o país asiático contabilizou ainda 3.754 mortes provocadas pelo novo coronavírus, após dois dias consecutivos a ultrapassar os 4.000, aumentando para 246.116 o total de óbitos desde o início da pandemia.

O estado ocidental de Maharashtra, o mais afetado pela pandemia, continua a não registar uma queda significativa nas infeções, com mais de 48.000 casos e 572 mortes num único dia.

Já na capital, Nova Deli, que entrou na quarta semana consecutiva de confinamento, os casos continuaram a baixar, com um total de 13.336 casos e 273 mortes nas últimas 24 horas.

Entretanto, a campanha de vacinação na Índia sofreu uma das quedas mais acentuadas, com pouco mais de 689 mil doses administradas em 24 horas, fazendo subir o total para 17 milhões de vacinas desde o arranque, em 16 de Janeiro.

Com um total acumulado de 22,6 milhões de casos de covid-19, a Índia é o segundo país no mundo com mais infeções, depois dos Estados Unidos, e é atualmente o epicentro da pandemia, devido a uma segunda vaga que dura há mais de um mês, contando até agora mais de 3,7 milhões de casos ativos.

“Variante de preocupação”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a variante do coronavírus SARS-CoV-2 identificada inicialmente na Índia como uma “variante de preocupação ou de interesse global”, por estudos indicarem ser mais contagiosa do que o vírus original.

A epidemiologista Maria Van Kerkhove, líder técnica da resposta à covid-19 na OMS, disse na segunda-feira, em videoconferência de imprensa, que há estudos preliminares que apontam para um “aumento da transmissibilidade” e “redução da neutralização” desta variante, já detetada em Portugal.

“Por isso, classificámos como uma variante de preocupação ou de interesse a nível global”, afirmou a especialista, a partir da sede da OMS, em Genebra, na Suíça.

Maria Van Kerkhove adiantou que são necessários mais estudos epidemiológicos e de sequenciação genética da variante com origem na Índia, muito embora até ao momento “nada sugere que vacinas, tratamentos e diagnósticos não funcionem com esta variante”.

“As informações que temos indicam que as medidas de saúde pública funcionam”, acrescentou.

ZAP // Lusa, AFP

2 Comments

  1. Não entendo como conseguem ter dados fiáveis num país como a Índia. Qualquer sintoma ou suspiro deve ser classificado com este vírus, como até acontece em países desenvolvidos, com acidentes fatais de automóvel a juntarem-se às estatísticas do vírus.
    Quanto a corpos junto ao rio, não me espanto. A sensualidade e exotismo da Índia que nos querem vender contrastam com os sinais para as ‘pessoas’ não defecarem espalhados pelas ruas das cidades. E se fosse só esse o problema na Índia. Se tirassem ‘Índia’ do título, eu já sabia que corpos no rio era na Índia.

    • Como é sabido, o ritual funerário Indiano consiste a cremar em Publico os cadáveres ao longo das margens do Ganges. Este macabro espectáculo, en Varanasi por ex: atrai milhares de turistas, embarcados em barcos de passeio ao longo do rio, é um meio de rendimento para muitas Famílias Indianas. É (digamos) un outro tipo de Turismo (além do sexual e religioso), que mais uma vez contribui a que perdurem estes Rituais e Perversas actividades.

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