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Cientistas encontraram pela primeira vez a cor azul em penas fossilizadas

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(dr) Marta Zaher / University of Bristol

Ilustração da ave Eocoracias brachyptera

Pela primeira vez, cientistas encontraram a cor azul em penas fossilizadas, tendo como base do estudo a espécie pré-histórica Eocoracias brachyptera.

Depois de milhões de anos de fossilização, as penas desaparecem mas os pigmentos de melanina, chamados melanossomas, podem ser preservados. Até agora, o problema tem sido conseguir identificar separadamente os tons negros, acastanhados, cinzas e azulados. Mas agora, de acordo com o Science Alert, especialistas foram capazes de perceber essa diferença relativamente à espécie Eocoracias brachyptera.

“Descobrimos que os melanossomas em penas azuis têm um alcance distinto em tamanho da maioria das categorias de cores e, portanto, podemos restringir quais fósseis podem ter sido originalmente azuis”, explica o paleontologista Frane Babarović, da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, e um dos responsáveis pelo estudo publicado na revista científica Journal of the Royal Society Interface.

A chave para esta descoberta foi a possibilidade de comparar os fósseis do E. brachyptera com os seus equivalentes atuais, os rolieiros. Essa análise ajudou os investigadores a perceber se estavam a analisar fósseis de pássaros azuis ou cinzas – ambos preservam os melanossomas durante mais tempo (1.400 nanómetros) do que os restantes (apenas 300).

Para aumentar a complexidade, certas cores – incluindo o azul e o verde – não aparecem apenas através da melanina por si só, mas tornam-se visíveis graças a estruturas celulares adicionais e à refração da luz. São conhecidas como cores estruturais e muitas vezes podem ser também iridescentes (um exemplo disso são as penas da cauda de um pavão).

Ao avaliar a predominância de azul e cinza nas árvores genealógicas das aves vivas, e ao estudar os melanossomas nos fósseis do E. brachyptera, os cientistas concluíram que havia 99% de possibilidades desta ave pré-histórica ter uma cor estrutural não-iridescente, e apenas 19% de probabilidades das suas penas serem cinza.

“A sobreposição com a cor cinza pode sugerir algum mecanismo comum de como os melanossomas estão envolvidos na coloração cinza e de como essas cores azuis estruturais são formadas”, diz Babarović. “Com base nos nossos resultados, também sugerimos a possível transição evolutiva entre a cor azul e cinza“.

A equipa sugere que investigações futuras também se possam concentrar nas diferenças e semelhanças entre a coloração cinza e azul no desenvolvimento das penas, com o cinza a ser provavelmente mais comum. Como diz o Science Alert, o E. brachyptera pode ser considerado uma exceção colorida com 48 milhões de anos.

  ZAP //

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