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Miúdos no 2º ano ainda têm dificuldades em contar dinheiro ou escrever sem erros

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Os alunos do 2.º ano de escolaridade têm dificuldades em interpretar um texto, escrever de forma coerente e sem erros ortográficos, não compreendem o conceito de igualdade na matemática e têm dificuldades em contar dinheiro, revela um relatório.

O Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) divulgou esta terça-feira o relatório relativo aos testes intermédios dos alunos do 2.º ano do 1.º ciclo do ensino básico que, pela primeira vez, permitem tirar resultados em relação à evolução das aprendizagens das crianças, por ser possível comparar resultados de quatro anos letivos, de 2010-2011 a 2013-2014, especifica o organismo.

De acordo com o relatório, os alunos do 2.º ano de escolaridade apresentam ainda muitas fragilidades a Português e Matemática, as duas disciplinas a que os alunos do 1.º ciclo fazem testes intermédios, criados com o objetivo de permitir um “diagnóstico precoce das dificuldades dos alunos”.

No caso da língua portuguesa, o IAVE identifica a escrita, a gramática, e a leitura – esta última sobretudo pelas dificuldades evidenciadas ao nível da interpretação de textos – como as três áreas em que se deve apostar “numa intervenção mais específica”.

Ao nível da escrita, os principais problemas dos alunos do 2.º ano centram-se na estruturação do texto e na ortografia, e o IAVE recomenda um “treino recorrente da escrita” para minimizar as dificuldades de composição.

“No teste aplicado em 2014, apenas 39% dos alunos desenvolveram um texto coerente e somente 38% dos alunos utilizaram vocabulário adequado na produção do mesmo texto”, adianta o relatório.

Dificuldades de literacia

No domínio da Leitura, as dificuldades na interpretação de textos de diferentes tipologias “sugerem a necessidade de uma abordagem mais frequente e sistemática de textos diversificados”.

“Também o treino específico e orientado da leitura de enunciados, compreendendo situações comunicativas e expressões utilizadas, constitui uma ferramenta preciosa para a promoção de melhores resultados, da qual muito beneficiarão os restantes domínios em avaliação”, declara o IAVE nas conclusões do relatório.

Já na Matemática, o IAVE destaca a melhoria de resultados em 2014, face a 2013, na resolução de problemas matemáticos e a dificuldade que os alunos do 2.º ano de escolaridade têm em compreender o conceito de igualdade, ainda que na comparação dos dois últimos anos letivos seja possível assinalar uma melhoria de resultados.

Tendo essa dificuldade em conta, no relatório “sugere-se que seja dedicada especial atenção ao significado do sinal de igual (que estabelece uma relação de igualdade dos valores apresentados em cada um dos lados do sinal), trabalhando-se no sentido da passagem de uma visão ‘procedimental’ (a seguir ao sinal de igual coloca-se o resultado) para uma visão relacional”.

O IAVE defende igualmente que “o significado dos símbolos matemáticos, assim como a sua escrita, como meio de comunicação matemática, merecem também atenção adicional, não obstante as evidências de uma melhoria do desempenho dos alunos neste tema específico”.

Já as dificuldades em tarefas como contagem de dinheiro, que se agravaram nos quatro anos letivos em análise, havendo apenas 68% de respostas totalmente corretas na questão relativa a este tópico no teste de 2014, levam o IAVE a referir a “necessidade do desenvolvimento de tarefas específicas que consolidem a aprendizagem destes temas”.

Quanto aos problemas matemáticos, o IAVE aponta que as “dificuldades significativas” sentidas pelos alunos na sua resolução podem ser colmatadas com mais treino, sugerindo a “resolução sistemática de problemas”, de forma a contribuir para a apropriação de diferentes conceitos matemáticos.

Em 2014, os testes intermédios de Português e Matemática, que não são obrigatórios, e apenas são aplicados por vontade expressa das escolas, foram realizados por 68.118 e 68.681 alunos, respetivamente, em 839 escolas.

/Lusa

1 Comment

  1. Acho que o problema não é dos alunos… Não podem ser todos “burros”. Acho que o grande problema é o método de ensino imposto pelo sistema e haver professores que não pensam “fora da caixa”. Inovem, até o ensino precisa de uma mudança já!

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