José Coelho / Lusa

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, cumprimenta uma vendedora à chegada ao Mercado do Bolhão para presidir ao Conselho de Ministros
O PS apresentou uma queixa na Comissão Nacional de Eleições (CNE) contra a concelhia do PSD/Porto por ter convidado os seus militantes a cumprimentar o primeiro-ministro no Mercado do Bolhão, local extraordinário do Conselho de Ministros, desta terça-feira.
O Governo esteve no Bolhão, esta terça-feira, para uma reunião do Conselho de Ministro.
Ao estilo de campanha, houve, entre o povo, acenos, sorrisos, beijos, e o PSD/Porto até convidou os militantes do partido a estar ao lado do primeiro-ministro. A oposição ficou furiosa.
O PCP, pela voz do líder Paulo Raimundo, descreveu este momento atípico como uma “grande operação de propaganda”.
O BE fala, igualmente, numa “escandalosa ação de propaganda política, nacional e autárquica”. Em comunicado, o BE/Porto refere que o Bolhão é “do povo e não do marketing político do PSD e da sua AD”.
Por seu turno, o PS/Porto acusou o Governo de “confundir Estado e partido” e de andar “a passear o Conselho de Ministros em campanha eleitoral”, no Mercado do Bolhão.
Mas o Partido Socialista foi mais longe e apresentou uma queixa na CNE contra PSD, por “publicidade institucional” proibida em período eleitoral.
Segundo a queixa, a que a agência Lusa teve acesso, para o PS, está em causa “a violação dos deveres de neutralidade ou imparcialidade, pelo que deve ser instaurado o respetivo processo de contraordenação”.
Na queixa, os socialistas referem que “a concelhia do PSD/Porto enviou uma mensagem aos militantes daquela estrutura para que marcassem presença no Mercado de Bolhão e pudessem cumprimentar o primeiro-ministro e presidente do partido”, transcrevendo a mensagem na íntegra.
“Caro(a) militante, informa-se que amanhã, dia 02 de abril, o Primeiro-Ministro Luís Montenegro estará na cidade do Porto, numa reunião do Conselho de Ministros que assinalará 1 ano de governação. O Primeiro-Ministro chegará ao Mercado do Bolhão pelas 10h20 e sairá pelas 12h30. Todos estão convidados a ir cumprimentar o nosso Presidente”, pode ler-se.
Isto acontece, curiosamente, no mesmo dia em que o atual ministro dos Assuntos Parlamentares Pedro Duarte confirmou a candidatura à Câmara do Porto.
“Isto não é a Hungria”
Esta tarde, em conferência de imprensa na sede do PS, em Lisboa, o socialista Marcos Perestrello acusou o Governo de “instrumentalização do Estado ao serviço” dos interesses dos partidos, considerando que o executivo está a fazer “campanha para o PSD”.
Luís Montenegro rejeitou ter violado “deveres de neutralidade e de isenção” ao fazer um Conselho de Ministros no Mercado do Bolhão, no Porto, onde entrou ladeado pelo anunciado candidato à Câmara do Porto, Pedro Duarte.
O Governo esclareceu que informou todos os grupos parlamentares sobre a realização do Conselho de Ministros no Porto e convidou deputados de todos os partidos, como acontece habitualmente nestas deslocações.
Em declarações à Antena 1, Nuno Araújo, presidente da federação do PS/Porto diz que o Governo surpreendeu os portugueses pela negativa por “mais uma ação de campanha, que Luís Montenegro tem levado pelo país inteiro”.
Num comunicado emitido esta tarde, o presidente da distrital, referiu que “aquilo que aconteceu hoje no Bolhão foi um ato propagandístico chocante pago por todos os portugueses“, considerando que “não é normal em democracia”.
“Lembramos ao doutor Luís Montenegro que ainda não chegámos à Hungria do senhor Orbán”, atirou.
Os socialistas acusam também o ministro Pedro Duarte de se aproveitar do cargo, do momento e dos recursos para se lançar para a Câmara do Porto.
Numa reação, na tarde desta terça-feira, o secretário-geral do PSD, Hugo Soares, disse que o facto de Pedro Duarte ter anunciado a sua candidatura à autarquia portuense no mesmo dia em que o Conselho de Ministros se realizou na cidade Invicta “foi uma coincidência feliz”.
“AD – Coligação PSD/CDS”
Numa “polémica” à parte mais igualmente sobre eleições, Hugo Soares anunciou que PSD e CDS vão propor ir a votos nas eleições legislativas antecipadas de 18 de maio com a denominação “AD – Coligação PSD/CDS”.
“Estamos absolutamente convencidos que esta denominação que escolhemos corresponde àquilo que foi o acórdão do Tribunal Constitucional de que tivemos conhecimento esta semana e que cumpre todos os critérios jurídicos para que possa ser aceite pelo Tribunal Constitucional e para que a coligação possa ir a votos pelo nome que é conhecida pelos portugueses”, afirmou.
Segundo Hugo Soares, esta denominação, além de cumprir todos os requisitos “de respeito pela memória de todas as anteriores coligações”, deixa “claramente expresso que esta é uma coligação apenas entre o Partido Social Democrata e o CDS-PP”, já sem o PPM que integrou a Aliança Democráticas nas legislativas e europeias de 2024.
“O apelo que eu faço aos portugueses, e não me levarão a mal, é que no dia 18 de maio possam votar na coligação PSD/CDS, e que distingam bem, no boletim de voto, do outro partido que, muitas vezes, se confunde na lista de voto, no grafismo, com a nossa candidatura, que é o ADN”, disse.
ZAP // Lusa
QUAL É O PROBLEMA? Onde está a propaganda?
Tanta criancice aqui, até mete nojo!
Estão cada vez mais parvos estes gajos do PS.
Já não há paciência para aturar esta gente.
Já se esqueceram dos governos Mário Soares