SIC tem 48 horas para retirar todas as imagens da criança no Supernanny (e já recusou)

(dr) Channel 4

Formato com origem no Reino Unido, “Supernanny” é exibido em vários países – agora também em Portugal, na SIC

Ordem partiu da CPCJ de Loures e é referente ao primeiro episódio do programa. SIC contesta e diz que não vai respeitar o pedido. Os familiares da próxima criança também estão preocupados.

Numa carta da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Loures para a SIC, a CPCJ ordena à estação de Carnaxide que retire todas as imagens do programa em que apareça Margarida, a primeira criança a figurar no programa “Supernanny” emitido no domingo, num prazo de 48 horas.

A medida é específica e exige a retirada de todos os vídeos promocionais, reposições ou repetições do programa, quer na televisão, quer na internet, redes sociais ou streaming.

Esgotando-se as 48 horas – que começaram a contar ontem quando a emissora recebeu a carta registada com aviso de receção -, a CPCJ avança, em articulação com o Ministério Público, para um inquérito a fim de verificar a existência do crime de desobediência.

De acordo com o Expresso, no entanto, não será necessário esperar 48 horas: a SIC já terá respondido à carta, recusando-se a cumprir a ordem. A estação de televisão justifica que o programa pretende “auxiliar os pais e educadores a melhorarem a relação com os seus filhos, ajudando-os a estabelecer regras e limites e melhorando a comunicação entre todos, criando uma dinâmica familiar mais saudável”.

A emissora relembra que o programa está no “estrito cumprimento da lei aplicável, tendo sido obtidas as necessárias autorizações” para a realização do mesmo.

A SIC discorda ainda que esteja em causa a aplicação da Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo, “porque tal regime legal se destina a tutelar situações de manifesta gravidade em que os pais, o representante legal ou quem tenha a guarda da criança ou jovem coloque em perigo a sua segurança, saúde, educação ou desenvolvimento“.

A resposta da estação de Carnaxide termina com a alegação de que a CPCJ de Loures “carece de legitimidade legal” para impor que a emissora se abstenha de transmitir e divulgar o programa.

Quanto à possibilidade de ser interposta uma participação ao Ministério Público para averiguação de uma eventual prática de crime, a emissora avança estar disponível para prestar todos os esclarecimentos devidos perante as autoridades.

Família das próximas crianças pede ajuda

De acordo com o Jornal de Notícias, a família das duas crianças que poderão ser as protagonistas do próximo episódio, a ser exibido no domingo, contactou a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ) para pedir ajuda sobre como evitar a transmissão do episódio.

Rosário Farmhouse, presidente da CNPDPCJ, adiantou, porém, que o contacto partiu de “outros familiares” que não os progenitores, sem especificar quais.

“Estão preocupados, depois de terem assistido ao primeiro programa e não sabem o que fazer”, acrescenta a presidente.

Apesar das queixas e da polémica instalada, só o Ministério Público poderá impedir a exibição do programa. Questionada pelo JN sobre se tenciona tomar alguma medida, a Procuradoria-Geral da República respondeu que o “Ministério Público se encontra a acompanhar a situação e analisar todas as possibilidades legais de intervenção.”

“No que respeita ao programa já emitido, existindo um processo de promoção e proteção a favor da criança na Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, o Ministério Público acompanha a atividade daquela comissão, nos termos do disposto no art.º 72.º da Lei de Proteção de Crianças a Jovens em Perigo”, por ler-se na nota.

Recorde-se que os pais da criança do primeiro episódio, exibido no passado domingo, foram chamados e ouvidos na Comissão de Proteção de Crianças e Jovens.

Na quarta-feira, o Bloco de Esquerda enviou duas perguntas ao Governo, pedindo que se pronuncie sobre se o formato viola os direitos das crianças.

ZAP //

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14 COMENTÁRIOS

  1. Não é crime o trabalho infantil? Se os pais receberam dinheiro pela participação da menor no referido programa isso não é exploração de mão de obra infantil?
    Quem se recorda do pequeno Joel?
    Os pais não foram condenados?

  2. Não vi o programa só que para isso então também deviam investigar todos os reality shows e programas para “crianças” como os Morangos com Açucar e muitas telenovelas que passam por aí. A televisão portuguesa é uma porcaria, ponto. O problema dos programas de televisão influenciarem a cultura portuguesa e os portugueses já está enraizado. Não é a primeira vez que ouço dizer que aquilo que se passa nesses programas é normal na realidade portuguesa. Talvez seja normal porque estes programas tornaram essa realidade normal.

    De qualquer forma não concordo em proibirem programas, criem programas com melhores valores para competir com a porcaria que passa hoje em dia. O problema é que esses programas são escassos, se é que existem de todo, e assim quem acha programas como a Supernanny péssimos e recusasse a ve-los passa a ser uma minoria.

  3. E as modelos de tenra idade? Essa sim expostas ao assedio sexual e drogas… E crime ou e chique?

    Parece-me que mostar mau controlo parental e crime, mas entregar as criancas para a exploracao sexual do mundo da moda e coisa aceite e normal?!

    • Bem isso. Assisti várias vezes Supernany e o programa é bem ético e ajuda muitos casais e crianças mostrando o lado de cada um e como podem melhorar, evoluir em suas relações. Tem criança sendo sequestrada todos os dias no mundo e ninguém vai atrás por medo de enfrentar essa máfia.

  4. Aqui estamos a divulgar como os pais NÃO são capazes de educar os filhos.
    O problema é esse, é não querer passar pela vergonha generalizada que hoje é a incapacidade de pais educarem filhos.

  5. A TVI com a Casa dos segredos ou o big brother expõe o lixo televisivo, de pessoas sem qualquer cultura geral que incitam à violência, a falta de educação para prazer do português que gosta de se manter “informado” com cuscuvilhices e tertúlia de ignorância alheia.
    Penso que a Super Nanny é uma forma de ajudar pessoas que até tem filhos indisplinados e mal educados até muito à custa de programas que pouco ou nada tem de novo e educativo e dos quais é necessário ajuda para os orientar, e lá porque é exposto na televisão.
    Esta repercussão negativa em relação ao programa não justifica este frenesim todo.
    Acabem com a decadência intelectual que são os reality shows que mostram cenas montadas, com pessoas a ganharem dinheiro só para serem mal educadas e depois serem tratados como famosos por isso.

  6. Se todo o mundo mudasse de canal, desde que o programa vai para o ar.
    Com certeza que essa “CAMBADA”, não voltaria a transmitir,.
    D
    Façam isso!

  7. Assisti várias vezes Supernany e o programa é bem ético e ajuda muitos casais e crianças mostrando o lado de cada um e como podem melhorar, evoluir em suas relações. Tem criança sendo sequestrada todos os dias no mundo e ninguém vai atrás por medo de enfrentar essa máfia.
    Programas de dança exploram muito mais e estressam crianças e jovens, sendo obrigados pelos pais e serem perfeitos(as) no palco. Estes pais ameaçam uns aos outros e até brigam deixando os filhos em extrema angústia, tensos, tristes, e alguns em desespero. Essa ” proibição ” do Programa SIC é ridícula e é claramente uma perseguição por ibope. Se proíbe um, tem que proibir todos os realmente nocivos ao bem estar familiar.

  8. Polémica inventada para atrair atenções ao programa. Idiotas os que não sabem que estão a ser manipulados. Parabens à SIC pela estratégia

  9. cancelem a licença a essa gente, já!!!!!
    que a etica nao tenha traduçao nem significado nessa estaçao de tv, ja se percebeu ha muito. mas quem supervisiona conteudos em nome dos valores e principios gerais deve te-la e exerce-la para bem da comunidade….

  10. Vivemos num país em que é chocante a falta de educação das crianças. Na escola cada uma berra a seu belo prazer sem os professores conseguirem educa-las; em publico, muitas portam-se mal e muitos pais pensam que é normal e saudavel as crianças comportarem-se como uns animais aos gritos em locais públicos. Um programa como este apenas expõe o problema… mas como somos um país de fachada, é natural quem haja quem se arrependa de sua incompetência parental ser exposta. É claro, tinha que ser o Bloco Esquerda a criticar o programa… pois, se os putos estivessem a fumar erva, o Bloco já aprovaria… mas isto de educar já é demais para esses desgraçadinhos do contra!

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