Comércio ilegal de xailes. Custam 20 mil dólares e são feitos com pelo de um animal em extinção

U.S. Fish and Wildlife Service / Wikimedia

Um xaile shahtoosh apreendido nos Estados Unidos.

Um xaile shahtoosh apreendido nos Estados Unidos.

O comércio ilegal de shahtoosh, lã feita com pelo de chiru, é altamente lucrativo. Um xaile deste material pode custar até 20 mil dólares.

Shahtoosh, em persa, significa “rei das lãs” e é feito de pelo de antílope tibetano — ou chiru —, uma espécie ameaçada de extinção. Esta lã é usada para fazer xailes e cachecóis, embora esteja banida em muitos países, sendo que a venda e posse destes bens é totalmente ilegal.

No entanto, a tecelagem de xailes Shahtoosh ainda continua em segredo na Caxemira devido à alta procura de compradores ocidentais. Um simples xaile no mercado negro ocidental pode custar entre 5 mil e 20 mil dólares.

“É tão fina quanto o cabelo da sua cabeça”, disse o artesão e comerciante de xailes Mushtaq Beigh, em declarações à VICE. “Apenas as mãos mais delicadas e suaves podem tecê-los”.

(dr) George Schaller

Dois chirus na região de Chang Tang, no Tibete.

Dois chirus na região de Chang Tang, no Tibete.

Atualmente existem menos de 150.000 chirus na natureza, sendo que 90% dos espécimes desapareceram nos últimos 25 anos, precisa a National Geographic.

Embora o comércio da sua lã esteja banido, todos os anos, as autoridades continuam a confiscar centenas de bens, especialmente os famosos xailes.

Estudos revelaram que é necessário o pelo de cerca de quatro chirus para fazer apenas um xaile ou cachecol shahtoosh. A única forma de retirar o seu pelo é matando-os, já que estes não são animais domesticáveis.

Historicamente, os shahtoosh eram vistos como símbolos de riqueza e poder, sendo usados por imperadores mogóis e oferecido como prenda a reis e rainhas em todo o mundo.

Hoje em dia, comprar ou vender um é algo mais complicado. Em alguns países a pena é prisão, enquanto noutros, como nos Estados Unidos, valem uma multa de 100 mil dólares.

Buscas no Nepal em 2013 levaram à apreensão de uma tonelada de shahtoosh — que significou a morte de cerca de 10.000 chirus.

“Há uma rede bem estabelecida por trás deste comércio ilegal, onde o produto vai da Índia para países como Tailândia, Suíça e Dubai”, disse Tito Joseph, da WPSI, uma ONG que fornece inteligência sobre o comércio ilegal de shahtoosh.

  Daniel Costa, ZAP //

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