Rússia apela à rendição. Civis tentam sair da fábrica Azot em Severodonetsk

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Sergei Ilnitsky / EPA

Cerca de 500 civis estão a tentar sair da fábrica Azot, em Severodonetsk, após a abertura de um corredor humano. A Rússia apela à rendição das forças ucranianas no local.

A Rússia tem sido capaz de “tomar gradualmente a cidade de Severodonetsk e os seus arredores”, de acordo com as autoridades ucranianas e com o Ministério da Defesa do Reino Unido.

O ministério britânico acrescentou ainda, esta terça-feira, que o Kremlin vai enviar um “terceiro batalhão” para acelerar o processo e o concluir nos próximos dias.

A Rússia anunciou também a abertura de um corredor humanitário para a retirada de civis da fábrica Azot, em Severodonetsk. Os civis serão realojados para uma cidade ucraniana sob domínio russo.

“Um corredor humanitário será aberto em direção ao norte em 15 de junho” das 8h locais (6h em Lisboa), às 20h (18h em Lisboa), declarou o Ministério da Defesa russo num comunicado à imprensa.

Os russos apelaram à rendição das forças ucranianas no local, onde estarão também abrigados cerca de 500 civis. Esta é uma situação semelhante àquela que se verificou em Mariupol, no complexo fabril Azovstal, que foi o último bastião da resistência ucraniana na cidade.

“É altamente improvável que a Rússia antecipasse uma oposição tão robusta”, lê-se no relatório de inteligência britânico, referindo-se à fábrica Azot.

Serhiy Haidai, governador da região de Luhansk, diz que dos 500 civis na fábrica, 40 deles são crianças. “As pessoas não aguentam mais nos abrigos, o seu estado psicológico está no limite”, disse ao jornal britânico The Guardian.

Os combates em Severodonetsk e Lyssychansk, duas cidades com cerca de 100.000 habitantes antes do conflito, estão a decorrer há vários dias, sendo que a conquista destas localidades pelos militares russos permitiria a Moscovo atacar Sloviansk, na região de Donetsk, cerca de 70 quilómetros.

Rússia vê com “extrema preocupação” planos dos EUA

O embaixador russo em Washington, Anatoli Antonov, manifestou esta noite preocupação sobre os planos dos EUA de enviar para a Ucrânia um sistema de lançamento múltiplo de foguetes, montado num veículo blindado ligeiro.

Antonov salientou que estes planos apenas confirmam que os norte-americanos não têm qualquer intenção de contribuir para “uma solução pacífica”.

O diplomata observou também que as declarações do secretário adjunto da Defesa dos EUA, Colin Kahl, sobre a possibilidade de aumentar os fornecimentos de Sistemas de Foguetes de Artilharia de Alta Mobilidade para a Ucrânia, são extremamente preocupantes e revelam o rumo de Washington no sentido de uma maior escalada.

“O facto de um alto funcionário do Pentágono ver a possibilidade de expandir os fornecimentos de sistemas de longo alcance é motivo de extrema preocupação. Esta observação pode ser vista como a intenção de Washington de avançar no sentido de uma maior escalada. Apenas confirma que os americanos não têm qualquer intenção de procurar uma solução pacífica”, disse Antonov.

Batalha no Donbass dará indicação para o resto do conflito

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, defendeu esta terça-feira que é “crucial” a defesa do Donbass, região alvo de ataque por Moscovo, referindo que o resultado dos combates dará uma indicação para o resto do conflito.

“É crucial ficar no Donbass (…). A defesa da região é essencial para dar uma indicação de quem vai dominar [no terreno] nas próximas semanas”, realçou o Presidente ucraniano no seu discurso noturno diário à nação.

Zelenskyy reforçou a necessidade de “aguentar”, enquanto os russos avançam gradualmente no Donbass, ao ponto de praticamente controlarem a região de Lugansk.

“Quanto mais o inimigo sofrer perdas lá, menos força terá para continuar sua agressão”, sublinhou Zelensky.

No entanto, o chefe de Estado ucraniano apontou que o seu Exército “sofreu perdas pesadas na região de Kharkiv (leste), onde “as forças russas estão a tentar fortalecer a sua posição”.

As autoridades de Lugansk disseram esta terça-feira que as tropas russas controlam cerca de 80% da cidade de Severodonetsk e destruíram todas as três pontes que ligam a cidade ao exterior.

Em Kherson, no sul da Ucrânia, Zelensky assegurou que as forças ucranianas continuam a “exercer pressão sobre os ocupantes”.

“O objetivo principal é a libertação de Kherson”, uma cidade ocupada pelos russos desde o início do conflito, no final de fevereiro, atirou.

313 crianças mortas desde o início da invasão

As autoridades ucranianas estimaram esta quarta-feira que pelo menos 313 crianças foram mortas desde o início da guerra com a Rússia em 24 de fevereiro.

O Ministério Público ucraniano afirmou numa mensagem na sua conta na plataforma de mensagens Telegram que foram confirmadas 313 crianças mortas pelas forças russas até à data e outras 579 feridas.

“Estes números não são definitivos, uma vez que o trabalho está em curso em lugares de hostilidades ativas e nos territórios temporariamente ocupados e libertados”, afirmou. A província de Donetsk é a que tem o maior número de vítimas.

De acordo com o Ministério Público ucraniano, 1.985 instituições educativas sofreram danos materiais em resultado de ataques das forças russas, das quais 194 ficaram “completamente destruídas”.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) já denunciara que os bombardeamentos na Ucrânia estão a matar e mutilar crianças e a impedi-las de regressar a “qualquer tipo de vida normal”.

Segundo os últimos números do Gabinete do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, um total de 277 crianças morreram e 456 ficaram feridas desde o início da guerra, principalmente devido à utilização de explosivos em áreas urbanas.

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Em resposta, a UNICEF apelou na terça-feira para o fim dos ataques a infraestruturas civis e do uso de armas explosivas em áreas povoadas.

O diretor regional da UNICEF para a Europa e Ásia Central, Afshan Khan, disse que a guerra na Ucrânia “é uma crise de direitos da criança”, e que a UNICEF está a trabalhar para apoiar as crianças e as suas famílias “onde quer que se encontrem no país.

  ZAP // Lusa

3 Comments

  1. Estes Russos são uns cómicos. Porque não se rendem eles?
    No dicionário deles, “Paz” significa “Nós damos pancada nos outros e eles não ripostam.”

  2. Para onde estamos indo agora? O profeta Daniel escreve: “E [o rei do norte = Rússia desde a segunda metade do século XIX. (Daniel 11:27)] tornará para a sua terra com muitos bens [1945], e o seu coração será contra a santa aliança [a União Soviética introduziu o ateísmo estatal e os crentes foram perseguidos]; e vai agir [isso significa alta atividade no cenário internacional], e voltará para a sua terra [1991-1993. A dissolução da União Soviética e o Pacto de Varsóvia. As tropas russas retornaram a sua terra]. No tempo designado voltará [as tropas russas voltarão para onde estavam anteriormente estacionadas. Isto também significa ação militar, grande crise, desintegração da União Europeia e da NATO. Muitos países do antigo bloco de Leste voltará à esfera de influência russa]. E entrará no sul [por causa do conflito étnico (Mateus 24:7)], mas não serão como antes [Geórgia – 2008] ou como mais tarde [ação militar subseqüente na Europa Oriental também não se transformará em uma conflagração global. Isso acontecerá mais tarde], porque os habitantes das costas de Quitim [o distante Ocidente, ou para ser mais preciso, os americanos] virão contra ele, e (ele) se quebrará [mentalmente], e voltará atrás”. (Daniel 11:28-30a) Desta vez será uma guerra mundial, não só pelo nome. A “poderosa espada” também será usada. (Apocalipse 6:4) Jesus o caracterizou assim: “coisas atemorizantes [φοβητρα] tanto [τε] quanto [και] extraordinárias [σημεια] do [απ] céu [ουρανου], poderosos [μεγαλα] serão [εσται].”
    É precisamente por causa disso haverá tremores significativos ao longo de todo o comprimento e largura das regiões [estrategicamente importantes], e fomes e pestes.
    Muitos dos manuscritos contém as palavras “e geadas” [και χειμωνες].
    A Peshitta Aramaica: “וסתוא רורבא נהוון” – “e haverá grandes geadas”. Nós chamamos isso hoje de “inverno nuclear”. (Lucas 21:11)
    Em Marcos 13:8 também há palavras de Jesus: “e desordens” [και ταραχαι].
    A Peshitta Aramaica: “ושגושיא” – “e confusão” (sobre o estado da ordem pública).
    Este sinal extremamente detalhado se encaixa em apenas uma guerra.
    Mas todas essas coisas serão apenas como as primeiras dores de um parto. (Mateus 24:8)
    Este será um sinal de que o “dia do Senhor” (o período de julgamento) realmente começou. (Apocalipse 1:10; 2 Tessalonicenses 2:2)

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