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Os cinco estados que ainda contam votos e que podem decidir o resultado nos EUA

Brainstorm Health, Gage Skidmore / Flickr

Joe Biden, Donald Trump

O resultado final das Presidenciais norte-americanas está dependente de cinco estados, que já alertaram que precisam de mais horas, ou até de dias, para contar os votos por correspondência que chegaram em números históricos devido à crise pandémica.

Wisconsin, Michigan, Pensilvânia, Georgia e Nevada são os cinco estados norte-americanos, entre um total de 50, que concentram agora todas as atenções, um dia depois das eleições Presidenciais nos Estados Unidos.

Devido ao seu peso no Colégio Eleitoral, estes cinco estados podem decidir quem será o vencedor das 59.º eleições norte-americanas: o atual Presidente e candidato republicano, Donald Trump, ou o candidato do Partido Democrata, Joe Biden.

O vencedor tem de assegurar, no mínimo, 270 dos 538 “grandes eleitores” (uma maioria simples) que compõem o Colégio Eleitoral. Neste momento, Biden conta com 227 “grandes eleitores” e Trump, que procura a reeleição, soma 213.

Segundo o jornal online Observador, tal como prometido, a campanha do atual Presidente está a movimentar-se para pedir uma recontagem dos votos nos estados onde os dois candidatos estão separados por margens pequenas: Wisconsin, Michigan e Pensilvânia.

No Twitter, o ainda chefe de Estado escreveu que “estão a encontrar votos para Biden em todo o lado”. “Tão mau para o nosso país”, rematou.

Wisconsin: 10 “grandes eleitores” no Colégio Eleitoral

Em Wisconsin, com cerca de 95% dos votos escrutinados, Joe Biden está na liderança com uma margem de cerca de 20 mil votos, numa altura em que milhares de votos por correspondência continuam a ser processados por máquinas que automatizam o processo.

No entanto, as células de voto têm de ser transportadas para os centros de contagem. Às dificuldades logísticas do processo de contagem em vastos territórios como este estado, somam-se as críticas e as alegações de fraude levantadas por Donald Trump em relação ao voto por correspondência.

A Comissão Eleitoral do Wisconsin diz que faltam contabilizar um máximo de 600 votos para o estado obter os resultados definitivos, avança o jornal online.

“Apesar da votação pública ridícula usada como tática de supressão de eleitores, Wisconsin tem sido uma disputa frágil como sempre soubemos que seria. Tem havido relatos de irregularidades em vários condados, que levantam sérias dúvidas sobre a validade dos resultados. O Presidente está muito perto de solicitar uma recontagem e faremos isso imediatamente”, disse Bill Stepien, o gestor de campanha de Trump.

Michigan: 16 “grandes eleitores” no Colégio Eleitoral

Com mais de 90% dos votos escrutinados, Biden está a liderar com mais 48 mil votos do que Trump. Os democratas estão com 49,6% dos votos e os republicanos com 48,7%, segundo o mesmo jornal digital.

A secretária de Estado do Michigan, Jocelyn Benson, responsável pela contagem eleitoral, garantiu que espera ter uma imagem “muito clara” dos resultados “nas próximas 24 horas”, como tal, pediu “paciência”.

O atraso em Michigan deve-se em parte porque as localidades com mais de 25 mil habitantes tiveram de esperar até esta segunda-feira para começar a processar os votos realizados por antecipação.

Além disso, a contagem irá durar mais do que o previsto, porque foi registado um recorde de participação com mais de cinco milhões de votos, dos quais 3,3 milhões foram enviados por correio e mais de dois milhões foram presenciais.

Pensilvânia: 20 “grandes eleitores” no Colégio Eleitoral

Neste estado classificado como “vital”, e com 79% dos votos escrutinados, Trump está na frente com uma vantagem significativa. Mas mais de um milhão de votos por correspondência ainda precisam de ser somados à contagem final, por isso, a Pensilvânia não arrisca em apontá-lo como vencedor.

Zonas tradicionalmente ligadas ao Partido Democrata, como Filadélfia e Pittsburgh, ainda têm várias centenas de milhares de votos por processar, o que está a dar esperanças à campanha de Biden.

No entanto, o processo pode demorar. O condado de Allegheny, que inclui Pittsburgh e os subúrbios a sul da cidade, anunciou hoje de manhã que suspendeu a contagem dos votos e que esta será retomada por volta das 13h30 locais.

Georgia: 16 “grandes eleitores” no Colégio Eleitoral

Tradicionalmente um estado republicano, onde um candidato presidencial democrata não vence desde 1992, a Georgia surge nestas eleições como um cenário fortemente disputado, situação relacionada com um possível aumento da participação de eleitores afro-americanos a favor de Biden.

Com 94% dos votos escrutinados, Trump lidera a contagem com 50,5% dos votos, seguido de muito perto por Joe Biden, que contabiliza 48,3%. No entanto, ainda estão por contar as zonas consideradas como mais democratas do estado, especialmente os condados da cidade de Atlanta e as zonas residenciais circundantes.

Brad Raffensperger, secretário de Estado de Georgia, afirmou, numa conferência de imprensa, que o estado vai contar todos os votos ainda esta quarta-feira.

Nevada: 6 “grandes eleitores” no Colégio Eleitoral

É outro dos estados considerados como uma peça-chave para o resultado final, embora nenhum candidato presidencial republicano vença nesta região desde 2004. Com 86% dos votos escrutinados, Biden lidera a contagem com 49,3% dos votos, à frente de Trump que contabiliza 48,7%.

Esta manhã, as autoridades eleitorais estaduais informaram que nenhum outro resultado eleitoral será divulgado durante as próximas horas. Só na quinta-feira é que deverá ser conhecida a contagem dos votos antecipados e por correio.

Neste estado, os boletins da votação antecipada poderão favorecer Biden, uma vez que os eleitores democratas terão aderido mais a esta modalidade de votação.

Mesmo com milhões de votos por contabilizar em vários estados, Trump já declarou vitória e avisou que vai recorrer ao Supremo Tribunal para garantir que não são contabilizados votos “acrescentados mais tarde” por um “grupo triste de pessoas”.

Os advogados de Biden já reagiram e admitem estar preparados para o combate que se avizinha no Supremo.

  ZAP // Lusa

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