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Cinco anos após o referendo, poucos estão arrependidos do seu voto (e o Brexit venceria de novo)

Julien Warnand / EPA

Inúmeros estudos de opinião levados a cabo por consultoras e empresas de sondagens britânicas revelam que são poucos os eleitores a demonstrarem arrependimento pelo sentido de voto de 2016.

A maioria dos inquiridos avalia positivamente a resposta interna à pandemia da covid-19 e considera que o Reino Unido beneficiou do estatuto de nação independente no processo de vacinação que decorre atualmente.

Cinco anos após o referendo que mudou drasticamente a união entre a União Europeia e o Reino Unido, são poucos os britânicos arrependidos pelo seu sentido de voto naquele dia.

De acordo com um estudo de opinião realizado pelo iNews que contempla entrevistas a 1500 inquiridos, apenas 11% dos eleitores, com idade para votar em 2016, votaria de forma diferente caso o ato eleitoral se realizasse hoje, enquanto que 82% manteria o voto.

Em Junho de 2016, o resultado que chocou o mundo ditou 51,89% a favor da saída do Reino Unido da União Europeia e 48,11% a favor da permanência.

As respostas que demonstram arrependimento são mais comuns junto dos eleitores que optaram pela saída (13%) do que dos que votaram a favor da permanência (9%). No que concerne aos efeitos da decisão e ao percurso que o Reino Unido traçou desde então, 45% dos inquiridos considera que o resultado foi o mais acertado, enquanto 44% acha o contrário e 11% não tem opinião.

A diferença de 4 pontos entre os que mudariam o voto Leave face aos votos Remain face à curta margem de 3,78% da vitória dos primeiros, parece apontar para um resultado diferente se o referendo fosse hoje: a vitória do Remain. Mas estes 4 pontos percentuais traduzem-se em 2,4% dos votos — que seriam insuficientes para mudar o resultado.

O resultado seria diferente, no entanto, se a mudança de voto se traduzisse agora totalmente numa transferência para o voto oposto, caso em que os 2,4% de diferença suplantariam os 1,89% acima dos 50% que deram a vitória ao Brexit.

A forma como o Reino Unido geriu a crise sanitária provocada pela pandemia da covid-19 foi também avaliada pelos britânicos.

Sobre o processo de vacinação em curso, 55% dos inquiridos considerou que o país beneficiou do facto de não pertencer à UE, o que lhe terá permitido avançar mais rapidamente na compra e administração das vacinas. Apenas 11% discorda desta afirmação.

Uma guerra comercial com o bloco económico europeu e todas as consequências que daí poderiam resultar não assustam os britânicos, com 38% dos indivíduos a achar que a independência no que respeita às decisões económicas têm ajudado o Reino Unido, com 24% a defender o contrário.

Referendo na Escócia em perspetiva

Uma outra consulta de opinião levada a cabo pela Redfield & Strategies abordou também os efeitos que a decisão tomada pelos britânicos em 20016 pode ter no futuro da própria nação, com especial destaque para a possibilidade de a Escócia abandonar o Reino Unido.

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O território sempre se mostrou a favor da permanência na UE e desde o Brexit que o Partido Nacional Escocês tem estudado a possibilidade do desmembramento britânico como única forma de aderir de novo ao projeto europeu.

Sobre esta questão, apenas 36% dos inquiridos considera que o Brexit poderá influenciar os escoceses a votar a favor da saída do Reino Unido, enquanto 35% entende que este fator não será relevante na hora da decisão.

Ainda fake news após 5 anos e inúmeros desmentidos

Uma das mais poderosas armas eleitorais usadas durante a campanha de 2016 por parte das forças políticas a favor do Brexit — dos quais Boris Johnson era um dos principais rostos, juntamente com Nigel Farage — foram as notícias falsas, divulgadas em grande escala nas principais cidades britânicas.

Os avultados (e falsos) pagamentos feitos por Londres a Bruxelas destinados a financiar a burocracia europeia surtiram o efeito desejado junto dos eleitores britânicos, que ainda hoje consideram o fim dos mesmos como uma das principais mais-valias do Brexit.

Opinião menos positiva têm os britânicos sobre os acordos assinados pós-Brexit, os quais determinam o futuro do país com a União Europeia nas mais diversas áreas. Um terceiro estudo, desta feita realizado pelo NatCen, National Centre for Social Research, revelou que apenas um em cinco indivíduos caracteriza as concessões feitas como “boas”.

  ARM, ZAP //

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