Cientistas vão ressuscitar o vírus gigante com 30.000 anos descoberto na Sibéria

PNAS, doi: 10.1073/pnas.1510795112

Imagens de microscopia eletrónica do Mollivirus sibericum

Imagens de microscopia eletrónica do Mollivirus sibericum

Cientistas franceses pretendem reanimar o vírus gigante com 30.000 anos desenterrado recentemente do solo gelado da Sibéria. Isto pode soar um pouco apocalíptico, mas não se preocupe: a humanidade está a salvo – pelo menos por enquanto.

Jean-Michel Claverie e colegas anunciaram recentemente a descoberta do vírus gigante Mollivirus sibericum, num estudo publicado na PNAS, a revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

Este é o quarto tipo de vírus pré-histórico gigante descoberto desde 2003, e o segundo encontrado por esta equipa.

O ano passado, a equipa tinha conseguido reavivar um outro tipo de vírus gigante, o Pithovirus, que estava preservado na mesma amostra de permafrost.

Mas antes de acordar o vírus, os investigadores terão que verificar se ele não pode causar doenças a animais ou humanos.

Mudanças climáticas e seus perigos

As mudanças climáticas estão a aquecer as regiões árticas e subárticas em mais que o dobro que a média global, o que significa que o permafrost, a camada de gelo permanente dessas aéreas, afinal não é assim tão permanente.

Foi no permafrost do nordeste da Rússia que os cientistas se depararam com este vírus gigante adormecido.

Mas os cientistas advertem que este permafrost pode esconder outros segredos, que não serão assim tão inofensivos para nós.

J.-M. Claverie / PNAS / CNRS

Vista ao microscópio do Mollivirus sibericum

Vista ao microscópio do Mollivirus sibericum

“Algumas partículas virais que ainda estão infecciosas podem ser suficientes, na presença de um hospedeiro vulnerável, para ressuscitar vírus potencialmente patogénicos”, explica Jean-Michel Claverie em entrevista à AFP.

As regiões nas quais o micróbio foi visto são cobiçadas pelos seus recursos minerais, especialmente o petróleo, e estarão cada vez mais acessíveis para exploração industrial à medida que massas geladas vão fundindo.

“Se não tivermos cuidado, se industrializamos estas áreas sem criar salvaguardas, corremos o risco de um dia acordar vírus potencialmente perigosos – tais como a varíola, que pensávamos estar erradicados”, acrescentou Claverie.

Segurança

Em condições de laboratório seguras, Claverie vai agora tentar ressuscitar o vírus gigante recém-descoberto, colocando-o numa ameba unicelular, que servirá de hospedeira.

Em 2013, a equipa francesa descobriu outro vírus gigante no mesmo local, o Pithovirus sibericum. Os cientistas conseguiram reanimá-lo com sucesso numa placa de Petri.

Em 2004, cientistas americanos ressuscitaram também o famigerado vírus da “gripe espanhola”, que matou dezenas de milhões de pessoas.

Os cientistas tinham como objectivo entender como é que o patógenio foi tão extraordinariamente virulento, reconstruindo os códigos dos seus oito genes.

O trabalho foi feito num laboratório de segurança máxima, nos laboratórios do CDC, o Centro para o Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.

Vírus gigantes e complexos

Para se qualificar como “gigante”, um vírus tem de ser maior do que meio mícron, ou meio milésimo de milímetro. O Mollivirus sibericum tem 0.6 mícron.

Ao contrário da maioria dos vírus que hoje se conhecem, e para espanto geral dos cientistas, estes espécimes antigos que datam da última Idade do Gelo não são apenas maiores, mas também muito mais complexos geneticamente.

O M. sibericum tem mais do que 500 genes, enquanto uma outra família de vírus gigante descoberta em 2003, os pandoravírus, têm 2.500 genes.

O vírus da gripe Influenza A, por seu lado, tem apenas oito genes.

E como todos sabemos, ter apenas oito genes não atrapalhou absolutamente nada o Influenza A, na hora de matar dezenas de milhões de pessoas.

HypeScience

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