Cientistas recriam a primeira flor do planeta em 3D

Um estudo recente sugere que todas as flores que conhecemos hoje derivam de um único antepassado, que viveu há cerca de 140 milhões de anos.

A investigação foi divulgada na Nature Communications e envolveu cientistas da Universidade do Sul de Paris, que combinaram modelos da evolução das flores com o maior arquivo de dados sobre características de flores que existem atualmente.

A flor ancestral – recriada num modelo 3D – é composta por órgãos em forma de pétala dispostos, em conjunto de três, por camadas sobrepostas, com órgãos reprodutores masculinos e femininos no centro.

“Não há uma flor viva que se pareça exatamente com a ancestral – e porque é que haveria? Esta é uma flor que existiu há pelo menos 140 milhões de anos e teve um tempo considerável para evoluir para a incrível diversidade de flores que existem hoje”, disse Hervé Sauquet, um dos autores do artigo.

Segundo os especialistas, a origem e a evolução inicial são um mistério, principalmente devido à falta de fósseis de flores do período em que se acredita que esta flor ancestral terá existido.

Jason Hilton, da Universidade de Birmingham, que não estava envolvido no estudo, diz que “a estrutura e organização da flor ancestral ainda são um enigma“.

“Por exemplo, não sabemos com certeza se a flor mais velha de todas era bissexuada ou monossexuada ou se era polinizada por insetos ou pelo vento”, destacou.

Para reconstruir a aparência da primeira flor, os cientistas registaram características como as pétalas e sépalas das flores de 792 espécies vivas. Depois, mapearam a distribuição dessas características na árvore evolutiva das plantas com flores, o que permitiu reconstruir a aparência das flores em momentos-chave da sua história – até chegar à imagem do último antepassado comum de todas.

A primeira flor foi reconstruída com estruturas parecidas com pétalas em verticilos florais, com várias pétalas na mesma camada, como, por exemplo, num lírio comum, em vez de pétalas que se sobrepõem em arranjos espirais ao redor do talo, como na flor de lótus.

“Para algumas das características que estudamos, o resultado foi surpreendente. Especialmente o facto de os órgãos como as sépalas, pétalas e estames, terem estado provavelmente dispostos em verticilos em vez de espirais, como se acreditava antes”, disse Hervé Sauquet.

A evolução sexual das flores tem sido muito debatida. As flores podem ser monossexuadas ou bissexuadas – no caso, este estudo pressupõe uma flor ancestral bissexuada com órgãos masculinos e femininos.

“Este estudo é importante porque nos diz o quão complexa era a flor ancestral. Agora, queremos encontrar algum registo ou fóssil dessa flor, se o nosso modelo estiver correto – mas apenas o tempo e novas investigações poderão confirmá-lo”, disse Jason Hilton.

ZAP // BBC

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