Há “provas substanciais” de que o nosso Universo é mesmo um holograma

Pela primeira vez, há “provas substanciais” de que o nosso Universo pode mesmo ser um grande e complexo holograma. É o que argumenta uma equipa de cientistas canadianos, italianos e britânicos.

Físicos e astrofísicos de várias instituições de ensino e de investigação de Canadá, Itália e Reino Unido acreditam ter encontrado “provas substanciais que suportam a explicação holográfica do universo”, conforme destacam os autores no comunicado de divulgação da pesquisa.

O conceito de universo holográfico coloca toda a informação da nossa realidade a três dimensões, incluindo o tempo, numa superfície a duas dimensões nas suas fronteiras.

“Imagine que tudo o que vê, sente e ouve a três dimensões (e a sua percepção do tempo) emana, de facto, de um campo plano de duas dimensões“, explica um dos autores do estudo, o professor Kostas Skenderis, matemático da Universidade de Southampton, no Reino Unido.

“A ideia é semelhante à dos hologramas comuns, onde uma imagem tridimensional é codificada numa superfície a duas dimensões, tal como no holograma num cartão de crédito. Contudo, desta vez, todo o universo está codificado”, acrescenta Skenderis.

É mais ou menos como quando vemos um filme em 3D. “Vemos as imagens como tendo peso, largura e crucialmente, profundidade – quando, na verdade, tem tudo origem num ecrã plano de 2D. A diferença, no nosso universo 3D, é que podemos tocar os objectos e a projecção é real da nossa perspectiva”, explica o comunicado sobre o estudo científico.

Na investigação publicada na Physical Review Letters, os cientistas explicam que estavam a estudar as irregularidades do chamado “ruído branco” ou radiação cósmica de fundo em micro-ondas – também conhecida como o afterglow do Big Bang -, que constitui os vestígios de calor da bola de fogo do Big Bang que originou o nascimento do Universo há 13,8 mil milhões de anos.

Tirando partido da enorme quantidade de informação recolhida pelos telescópios mais modernos, cuja tecnologia tem sofrido consideráveis avanços, nos últimos anos, os cientistas conseguiram “fazer comparações complexas entre as características constantes nos dados e a teoria do campo quântico” e concluíram que “as mais simples teorias do campo quântico podem explicar quase todas as observações cosmológicas do universo primordial”, salientam no comunicado.

Paul McFadden

Ilustração mostra a linha do tempo do universo holográfico: o tempo desloca-se da esquerda para a direita. A esquerda mais distante mostra a fase holográfica e a imagem está desfocada porque o tempo e o espaço não estão ainda, bem definidos. No final desta fase, que se percebe pela elipse flutuante preta, o Universo entra na fase geométrica. A radiação cósmica de fundo foi emitida há cerca de 375 mil anos e os seus padrões transportam informação sobre o Universo primordial e semearam o desenvolvimento de estruturas de estrelas e galáxias no final do tempo do Universo, como se pode ver à direita mais distante.

Ilustração da linha do tempo do universo holográfico

O tempo desloca-se da esquerda para a direita. Segundo a Universidade de Southampton, a esquerda mais distante que se observa na ilustração mostra a fase holográfica e está desfocada porque o tempo e o espaço não estão bem definidos.

No final desta fase, que se percebe pela elipse flutuante preta, o Universo entra na fase geométrica. A radiação cósmica de fundo em micro-ondas (Cosmic Microwave Background/CMB) foi emitida cerca de 380 mil anos após o Big Bang e os seus padrões transportam informação sobre o Universo primordial e semearam o desenvolvimento de estruturas de estrelas e galáxias no final do tempo do Universo.

“A holografia é um grande salto em frente quanto à forma como pensamos sobre a estrutura e a criação do universo”, considera Skenderis, notando que “os cientistas trabalham, há décadas, para tentar combinar a teoria da gravidade de Einstein com a teoria quântica”. “Alguns acreditam que o conceito de um universo holográfico tem o potencial de reconciliar as duas”, diz, esperando que esta pesquisa seja “mais um passo em direcção a isso”.

Susana Valente SV, ZAP //

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14 COMENTÁRIOS

  1. Sugeria que verificassem as datas. Pelo menos a idade do universo tenho a certeza é de 13.7 mil milhões de anos, não biliões. Também não creio que a radiação cósmica de fundo possa ter apenas 375 mil anos, deve ser bem mais – mesmo 375 milhões seria pouco.

  2. Lá se vai o “Penso logo existe” do Descartes…! 😉
    Por outro lado, o título da notícia não me parece certo. Se são provas não haveria necessidade do adjetivo nem das aspas.
    Quanto a mim, serão evidências, mas provas, muito provavelmente, não.

  3. Eu só vou poder analisar isto tudo com rigor quando chegar a casa e puser os óculos 3D que vieram com a televisão. Depois digo qualquer coisa sobre o assunto

  4. Esta teoria está a complicar algo que se explica muito mais fácilmente com a teoria de que a realidade é apenas informação e a nossa consciência nada mais faz do que renderizar essa informação interpretando-a/lendo-a como “experiência real a 5 sentidos”.

  5. 13.7 billions (USA) = 13,7 mil milhões (EU)
    Métrica americana é diferente da europeia, no que diz respeito ao que significa 1 bilião.
    1 mil milhão (europa) = 1 bilião (europa)
    o bilião deles corresponde a um outro valor numérico, diferente do nosso.
    por isso quando dizem biliões em inglês, em português (devido à métrica diferente) corresponde a mil milhões, e não ao bilião a que nos referimos na europa, que é um número com mais casas.

    • ana:
      Aqui o Simplório não quer ser chato mas… não lhe soa, no mínimo, estranho dizer 1 mil milhão?

      Até aqui o Simplório que nunca foi grande ás da matemática sabe que se é mais do que 1 então é plural e mil… é de certeza mais do que um!

      Sei que esse tipo de escrita, pelo menos em textos brasileiros, parece ser bastante comum mas nem por isso parece acertado nem mesmo quando é utilizado apenas com o propósito de realçar um argumento, como julgo ser o caso.

      Se faz questão de utilizar o algarismo “1” então… por que não dizer “1 milhar de milhões”?


      Quanto ao resto, para ajudar a distinguir os milhares de milhões dos milhões de milhões, aqui o Simplório propunha que se passasse a utilizar respectivamente o “Bilhão” e o “Bilião” (deixando, obviamente, de ser palavras sinónimas).

      Idêntica alteração para “Trilhão” e “Trilião” e por aí fora…

      • Tem razão. 1 milhar de milhão ou milhar de milhão. O 1 só para ficar explícito. De qualquer maneira, para explícito, utilize-se a nomenclatura correcta do início ao fim. Obrigada.

  6. De facto, a teoria do Universo Holográfico
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Princípio_holográfico
    tem vindo a afirmar-se mas ainda não suplantou a teoria tradicional
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Modelo_Lambda-CDM

    http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=teoria-universo-holografico-teoria-inflacao-cosmica&id=010130170131

    São de momento teorias concorrentes havendo tantos indícios na radiação cósmica de fundo a suportar quer uma quer a outra teoria. Os próprios autores deste estudo assim o afirmam:
    http://arxiv.org/pdf/1607.04878

  7. Vivemos num Universo Eléctrico.
    Ver vida e trabalho extensivo do Dr. Halton Arp. Teoria do Big Bang refutada há muito tempo, comunidade científica teima em não querer deixar para trás velhos e errados paradigmas. A teoria do Big Bang é baseada numa má interpretação do Redshift.
    Disclaimer: Ao pesquisar Dr. Halton Arp, aviso-vos que as vossas percepções e tudo o que aprenderam na Universidade sobre astronomia desmorona-se. Até Einstein. Por isso é que a comunidade científica teima em não querer aceitar deixar ir as velhas ideias porque convém que o Universo não tenha certas propriedades, como por exemplo, permitir as viagens superluminais e retirar energia infinitamente do próprio espaço.

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