Cientistas desenvolvem nova técnica para combater a obesidade

MLazarevski / Flickr

-

Investigadores portugueses descobriram, numa experiência com cobaias, que a eliminação dos neurónios periféricos acelera o aumento de peso, abrindo caminho para o tratamento da obesidade.

Em 2015, uma equipa liderada por Ana Domingos, do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), descobriu que os neurónios periféricos (situados fora do cérebro), quando ativados, queimavam gordura.

Agora, segundo o estudo publicado esta segunda-feira na Nature Communications, os investigadores concluíram que essas células, quando desativadas, através de uma técnica de manipulação genética, provocam o aumento rápido de peso.

Ana Domingos explicou que os neurónios que estão fora do cérebro, no tecido nervoso, libertam uma substância que “comunica” com os adipócitos, as células do tecido adiposo responsáveis pelo armazenamento de gordura no corpo. Em resultado desse contacto, as células adiposas ficam mais pequenas e a gordura é queimada.

“Se retirarmos os neurónios, os adipócitos não têm como queimar gordura, e esta vai acumulando”, assinalou a cientista, acrescentando que, mesmo que as cobaias “façam dieta, não conseguem perder peso”. O mesmo sucede com as pessoas obesas.

A descoberta deste mecanismo biológico associado à obesidade permite partir agora para a sua utilização em sentido inverso, no combate à obesidade.

“Ficamos com uma ideia biológica de como atacar a doença farmacologicamente em humanos”, apontou Ana Domingos.

O grupo já está a trabalhar num medicamento para a obesidade que usa estes neurónios como alvo, sem atingir o cérebro, e procura investidores. Na experiência com as cobaias geneticamente modificadas, os investigadores criaram uma técnica genética que permite “matar” neurónios específicos do sistema nervoso periférico sem afetar o cérebro.

Na prática, a equipa de Ana Domingos, com o apoio do químico Gonçalo Bernardes, do Instituto de Medicina Molecular, alterou uma técnica muito utilizada em engenharia genética para eliminar células, que se baseia no uso da toxina diftérica (libertada pela bactéria que causa a difteria).

A toxina “só mata as células que contêm o seu recetor“. Os recetores são proteínas que estão nas membranas das células e permitem a interação de determinadas substâncias com os mecanismos de metabolismo celular.

Os camundongos, ao contrário dos humanos, não têm o recetor da toxina diftérica. O que os investigadores fizeram foi introduzir geneticamente “o recetor da toxina nos neurónios que inervam o tecido adiposo nos animais, tornando esses neurónios suscetíveis à ação letal da toxina”, adianta o IGC.

Mas, uma vez que a toxina poderia afetar, nestes termos, neurónios semelhantes que existem no cérebro, a equipa modificou quimicamente a toxina diftérica, aumentando o tamanho da molécula para impedir a sua entrada no cérebro. Deste modo, a toxina apenas “elimina” os neurónios que estão fora do cérebro.

ZAP // Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

Beethoven deixou a 10.ª sinfonia inacabada (e a IA vai completá-la)

Um dos maiores dilemas da história da música é a obra inacabada de Ludwig van Beethoven (1770-1827), a "10ª sinfonia", com muitos músicos a esforçar-se para finalizá-la, utilizando alguns dos fragmentos disponíveis, mas sem sucesso. Desta …

Orcas bebé têm maior probabilidade de sobreviver se viverem com a avó

Crias de orca que vivam com a avó têm uma maior probabilidade de sobreviver quando comparadas às outras orcas. A experiência destas espécimes mais velhas é essencial para o grupo. Tal como nos humanos, as avós …

A "capital mundial das pessoas feias" mora na Itália

Piobbico, na Itália, é uma cidade medieval repleta de grandes edifícios de pedra cercados por florestas exuberantes. No entanto, a cidade é conhecida pela feiura dos seus habitantes. Esta cidade, com cerca de 2.000 habitantes, alberga …

Jovem norte-americano despistou-se e caiu ao rio. Siri chamou os bombeiros

Um jovem norte-americano estava a caminho da universidade quando perdeu o controlo do carro, que derrapou sobre gelo, e foi parar ao rio Winnebago. Como não conseguiu encontrar o seu telemóvel, recorreu à Siri para …

Basta uma máscara impressa para enganar os sistemas de reconhecimento facial

Especialistas da empresa de inteligência artificial Kneron testaram sistemas em três continentes e vários falharam. O reconhecimento facial é, cada vez mais, um método de controlo e de segurança encarado como credível e, inclusivamente, usado …

Pandit olha para as vacas como família e quer produzir "leite ético" para vegans

Um agricultor nos Estados Unidos quer produzir "leite ético" para vegans, mantendo como prioridade o bem-estar e a saúde das vacas. Ultimamente, o consumo de leite tem sido posto cada vez mais em causa. Não só …

Jogadores do Arsenal doam um dia de salário para ações solidárias

Os futebolistas e a equipa técnica do Arsenal vão doar um dia de salário para ações solidárias de Natal. Os elementos técnicos também entraram na iniciativa, que prevê, ainda, a doação da receita do próximo …

Turismo, indústria e energia fazem do Norte região que mais cresceu em 2018

O Norte foi a região portuguesa que mais cresceu em 2018, com um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,9%, impulsionado pelo turismo, indústria e energia, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística …

Um milhão de assinaturas contra sátira de Natal da Porta dos Fundos

A petição online contra o filme “Especial de Natal: A Primeira Tentação de Cristo”, uma sátira da produtora brasileira Porta dos Fundos, exibido na Netflix, conta com mais de um milhão de assinaturas. Lançada na semana …

Sondagem: 81% dos brasileiros defende continuidade da operação Lava Jato

Uma sondagem aponta que 81% dos brasileiros consideram que a investigação levada a cabo pela Lava Jato, maior operação contra a corrupção no país, ainda não cumpriu o seu objetivo e que deve continuar. A sondagem, …