Ciência está perto da “cura” para o amor

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O amor paira no ar neste sábado, Dia dos Namorados, mas a data só agravará o estado dos que têm o coração destroçado. Estes podem, contudo, ter esperança porque a cura para o amor está mais perto do que nunca.

A ideia de se poder curar um mal de amor soará estranha a muitos, mas, efectivamente, o conceito tem merecido a atenção de alguns cientistas – a tal ponto que já se fala de uma biotecnologia “anti-amor”, considerando-se que os sentimentos amorosos podem ser limitados com o uso de determinados medicamentos.

“Recentes estudos ao cérebro mostram grandes paralelismos entre os efeitos de certas drogas aditivas e experiências de estar apaixonado”, lembra o “neuro-eticista” Brian D. Earp, em declarações à revista New Scientist, frisando que “ambos activam o sistema cerebral da recompensa” e que, assim, “podem dominar-nos para que esqueçamos outras coisas e podem inspirar abstinência quando já não estão disponíveis”.

“Parece que não é apenas um cliché que o amor é como uma droga: em termos de efeitos no cérebro, podem ser neuro-quimicamente equivalentes”, considera o mesmo especialista.

Há ainda estudos que ligam os sentimentos amorosos obsessivos a desordens como a obsessão compulsiva, constatando-se que apresentam o mesmo tipo de reacções cerebrais. Estes distúrbios psicológicos são usualmente tratados com medicamentos à base de serotonina, uma hormona que é responsável pela regulação do humor.

Os anti-depressivos também são usados neste domínio dos distúrbios comportamentais psicológicos, possuindo componentes químicos inibidores que normalmente impedem emoções fortes e complicam o estabelecimento de laços românticos.

Assim, depreende-se que este tipo de medicação poderia também ajudar a combater um coração partido ou a inibir indivíduos de incorrerem em relações amorosas obsessivas.

“Pode-se imaginar uma situação em que a experiência de amor de uma pessoa seja tão profundamente nociva, mas contudo tão irresistível, que mina a sua capacidade de pensar racionalmente por si própria”, atesta Brian D. Earp na New Scientist.

“Algumas pessoas em relações perigosas sabem que precisam de sair, e até o querem, mas são incapazes de quebrar a sua ligação emocional. Se, por exemplo, uma mulher numa relação abusiva pudesse aceder a medicação que a ajudasse a quebrar laços com o seu abusador, então, assumindo que seria seguro e efectivo, penso que se justificaria que ela a tomasse”, acrescenta Brian D. Earp, defendendo, contudo, que as “intervenções não-bioquímicas devem ser tentadas primeiro”.

E se a ideia de uma cura para o amor poderá, mesmo assim, soar estranha, é seguro que haveria por aí um mercado recheado de consumidores dispostos a adquirirem medicamentos para travarem os males do coração. Mas pensemos na poesia, nos grandes romances da Literatura, em algumas das músicas mais conhecidas e apreciadas mundialmente… Que mundo teríamos sem corações partidos?

SV, ZAP

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