As cidades europeias têm cada vez mais pessoas — e isso é bom

A maior densidade populacional das cidades permite uma maior otimização dos recursos e reduzir a nossa pegada ecológica.

Em Portugal, há muita preocupação com a desertificação do interior e a concentração da população nas grandes cidades do litoral, tanto que até há receios de que o país “tombe” para o Oceano Atlântico. A tendência de urbanização é global, mas não é necessariamente má.

Entre os anos 70 e o início do século XXI, a maioria das cidades passou por um período chamado desdensificação. À medida que as sociedades se tornaram mais dependentes dos carros, as urbanizações de menor densidade nos subúrbios das cidades davam casas mais maiores a quem queria mais espaço, mas ficar na mesma perto do local de trabalho, relata a Wired.

O crescimento dos subúrbios foi a tendência dominante na maioria das cidades mundiais na segunda metade do século XX, de acordo com Chiara Cortinovis, investigadora de planeamento urbano na Universidade de Humboldt, em Berlim.

Entre 2006 e 2018, Cortinovis mapeou as tendências da densidade populacional de 331 cidades europeias e foi este o padrão que notou — 60% das cidades perderam densidade entre 2006 e 2012.

No entanto, a tendência reverteu-se parcialmente nos seis anos seguintes, com apenas um terço das cidades na amostra a continuarem o processo de desdensificação, sendo a maioria destas na Europa de leste ou na Península Ibérica.

Geralmente, na Europa ocidental, do norte e central, as baixas das cidades estão novamente a ganhar densidade populacional. Há vários fatores que explicam isto — há mais lotes vazios, as pessoas estão a partilhar mais casas e o espaço dentro das cidades está a ser mais otimizado.

À medida que acontece esta densificação populacional dentro das cidades, há mais espaço livre nos subúrbios para a agricultura ou para a criação de espaços verdes. A própria União Europeia é uma grande fã de cidades mais compactas, tendo a Comissão introduzido uma iniciativa em 2011 que exige que qualquer expansão urbana seja compensada pelo desenvolvimento de mais zonas verdes. Isto acabou por incentivar a maior otimização do espaço das cidades em vez da expansão.

Para além da proteção dos espaços verdes, o principal benefício da vida urbana é quão eficiente é. Um estudo de 2009 concluiu que cada nova-iorquino é responsável pela emissão de 7,1 toneladas de CO2 por ano, um valor bastante abaixo da média nacional nos EUA de 23,9 toneladas anuais por habitante. Dados recentes mostram tendências semelhantes em Londres e em cidades na Áustria e na Finlândia.

Estes valores fazem sentido, já que quando concentramos um grande grupo de pessoas numa área pequena, todos conseguem aceder ao comércio e serviços facilmente. A instalação de recursos como água canalizada ou saneamento é muito mais eficiente nas cidades e as populações citadinas também tendem a conduzir devido à maior oferta de transportes públicos.

Apesar disto, ainda há muito a fazer para tornarmos as cidades mais verdes, como plantar mais árvores, reduzir a circulação de carros (ou torná-los menos poluentes), apostar nas ciclovias, nos transportes públicos e nos parklets.

  ZAP //

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