A chuva pode mesmo mover montanhas, revela novo estudo

mariusz kluzniak / Flickr

Cordilheira dos Himalaias

A capacidade do clima influenciar as placas tectónicas tem sido um tema que tem suscitado grande interesse nos especialistas ao longo dos anos. Neste sentido, também o efeito das chuvas na evolução das regiões montanhosas tem sido objeto de análise. Um novo estudo vem agora divulgar o impacto da chuva nestes locais.

Num novo estudo, realizado por cientistas da Universidade de Bristol e publicado na Science Advances no mês de outubro, foi calculado o impacto das chuvas em regiões montanhosas, tendo como ponto de partida a análise de picos e vales que se foram alterando ao longo de milhões de anos.

O estudo centrou-se na análise da grande cordilheira dos Himalaias que se situa entre o Butão e o Nepal, sendo que desta forma os cientistas conseguiram perceber como é que as mudanças climáticas podem ter influência nas paisagens e, consequentemente, na vida humana. A equipa concluiu que a chuva pode realmente mover montanhas.

Byron Adams, autor principal do estudo, explica que “pode parecer intuitivo que mais chuva possa moldar montanhas ao fazer com que os rios desgastem as rochas mais rapidamente”. Contudo, os cientistas também acreditam que a chuva pode erodir uma paisagem com rapidez suficiente para “sugar” as rochas para fora do solo”.

De acordo com o Tech Explorist, em resposta à questão: “Nesta relação ganha o desgaste das rochas ou o desgaste do solo pela erosão?”, o investigador do Instituto Cabot para o Ambiente da Universidade de Bristol, sublinha que “ambas as hipóteses são debatidas há décadas, porque as medições para as provar são extremamente complicadas”.

Através da compilação de dados de mais de 140 bacias hidrográficas dos dois países, com uma variedade de valores de declive e taxas de pluviosidade, e da medição de taxas de erosão a partir de “relógios cósmicos”, os especialistas foram capazes de avaliar a velocidade a que os rios provocam a erosão das rochas.

Adams esclarece que “quando uma partícula cósmica chega à Terra, é provável que atinja grãos de areia e, quando isto acontece, alguns átomos dentro de cada grão de areia podem transformar-se num elemento raro [berílio-10]”.

O autor do estudo sublinha que “ao contarmos os átomos deste elemento presentes num saco de areia, podemos calcular há quanto tempo a areia está lá e, por conseguinte, quão rapidamente a paisagem tem vindo a sofrer erosão”.

As taxas de erosão estão ligadas à precipitação por uma relação linear, o que significa que uma duplicação da taxa de precipitação levará a uma duplicação da taxa de erosão. “Esta relação sugere então que é possível que o clima influencie a tectónica na Terra”, refere o cientista.

Em relação a riscos de desabamentos de terra ou cheias, Byron Adams garante que os dados dos estudo “fornecem uma ferramenta eficaz para estimar padrões de erosão em paisagens montanhosas como os Himalaias e, assim, podem fornecer uma visão inestimável sobre os perigos que influenciam os milhões de pessoas que vivem nestas montanhas arredores”.

Afinal, não é o amor que move montanhas, são mesmo as chuvas.

ZAP //

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