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Choques elétricos no pescoço podem combater a fadiga

Desde café a rotinas de sono complexas: os seres humanos desenvolveram várias estratégias para evitar o cansaço. Agora, cientistas acreditam ter descoberto uma nova técnica de combate à fadiga através de estimulação elétrica cerebral não invasiva.

O nervo vago é um longo nervo que se estende desde o cérebro até ao abdómen. Nos últimos anos, os investigadores têm estado interessados na estimulação elétrica deste nervo, explorando possíveis formas de influenciar o apetite e até sensações de dor.

O gammaCore foi aprovado há alguns anos, nos Estados Unidos, para tratar cefaleias e enxaquecas. O pequeno dispositivo foi desenhado para ser colocado no pescoço e fornecer uma leve estimulação elétrica no nervo vago.

De acordo com o New Atlas, a nova investigação analisou a possibilidade de se usar este tipo de dispositivo de estimulação para melhorar o estado de alerta. O objetivo seria modular a atividade numa região do cérebro chamada locus coeruleus, que desempenha um papel fundamental na regulação da atenção e da vigília.

Como o nervo vago tem conexões significativas com o locus coeruleus, os cientistas estavam confiantes de que o pequeno dispositivo poderia mesmo ser capaz de melhorar o desempenho cognitivo em indivíduos privados de sono.

Para comprovar a teoria, 40 militares da Força Aérea dos Estados Unidos foram recrutados para este estudo, sendo que metade recebeu estimulação simulada e a outra metade uma intervenção ativa.

Os militares tiveram de se manter acordados durante 34 horas. Na marca das 12 horas, os participantes de intervenção ativa receberam uma curta explosão de corrente elétrica de seis minutos no pescoço graças ao dispositivo gammaCore, enquanto o grupo de controlo recebeu uma intervenção simulada.

Os resultados revelaram que os indivíduos que receberam estimulação real relataram menos fadiga e tiveram um melhor desempenho nos testes de foco e multitarefas.

Apesar de os resultados serem convincentes, os cientistas defendem que é necessária mais investigação antes de este tipo de intervenção poder ser implantado em ambientes do mundo real.

É necessário entender exatamente como “dosear” a estimulação elétrica antes de se poder pensar em substituir o café por um pouco de estimulação do nervo vago.

  Liliana Malainho, ZAP //

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