“Entrei para o Chega para mudar o país. Afinal arranjei mais um problema para o país”

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Tiago Petinga/LUSA

André Ventura e Diogo Pacheco de Amorim em conferência do Chega

Três dos fundadores do partido contra a direcção actual. Outros três fundadores já deixaram o partido, devido a posturas e decisões de André Ventura.

A divisão interna no Chega tem sido visível e chegou aos seus fundadores: uns já nem são militantes do partido, outros são mas estão contra a direcção actual.

O jornal Observador lembra o ambiente dentro do grupo dos fundadores do Chega: acusações, críticas e suspeitas de traição.

Entre os 10 fundadores, apenas dois estão ainda dentro e totalmente alinhados com o rumo do partido: André Ventura e Diogo Pacheco de Amorim.

Um trio de fundadores já deixou o partido: Carlos Monteiro, Lucinda Ribeiro e Patrícia Sousa Uva. Outro trio está no partido mas não concorda com André Ventura e restantes responsáveis: Nuno Afonso, Fernanda Marques Lopes e Gerardo Pedro.

Faltam Cristina Vieira – que continua mas saiu do Movimento Mulheres do Chega (quando a postura sobre o combate à violência doméstica mudou) – e Floriano Rocha, alinhado mas distante da liderança.

Nuno Afonso, o número dois (e que também chegou a ser o número dois na hierarquia) do Chega, afastou-se claramente de Ventura: “Em qualquer organização, seja um partido político ou uma empresa, quando há demasiada mediocridade tenta-se afastar as pessoas que são boas“.

A proposta de adiar as eleições internas, apresentada por André Ventura, originou uma impugnação. Os subscritores queixaram-se de ilegalidades no processo (não se verificou se havia quórum e houve tratamentos diferentes para os conselheiros). Fernanda Marques Lopes foi uma das queixosas: “Isto é uma regressão na democracia interna do partido”.

Ninguém pode falar

O jornal acumula depois relatos sobre uma aparente ditadura interna no Chega.

A própria Fernanda Marques Lopes disse que “internamente, as pessoas que fazem algum tipo de reparo não são bem-vistas”.

Caros Monteiro, um dos fundadores que já não fazem parte do Chega, atirou: “Ai de quem abra a boca, que é imediatamente suspenso. André Ventura tem de ter tudo controlado, ai daquele que abre a boca. Ventura tem uma falta de moral tremenda”.

Outra fundadora que abandonou o partido, Lucinda Ribeiro, comentou que o funcionamento interno do Chega “não é democrático” e tudo é decidido “pela cúpula”.

“Ninguém pode dar uma opinião e é logo considerada persona non grata no partido. Qualquer opinião contrária faz com que a pessoa fique logo rotulada como inimiga”, avisa Lucinda.

Patrícia Sousa Uva, o outro elemento do trio que abandonou o Chega, considera que André Ventura “usou as pessoas” para “alavancar o partido”.

Entrei para o Chega para ajudar e mudar o país. Vim-me embora a pensar que tinha arranjado mais um problema para o país”, confessou Patrícia.

Gerardo Pedro, que continua no partido porque acredita que é possível recuperar o “espírito” do projecto inicial do Chega, acrescenta: “André Ventura manda em tudo, controla tudo. Se tivermos opiniões próprias somos olhados de lado, somos uns ratos”.

Floriado Rocha, que continua dentro do partido, diz que estas saídas e estas divergências são “normais” e resultam da “liberdade de pensamento e debate de ideias”.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

12 Comments

  1. O Chega é a fotocópia, rasca, do PCP. Na essência, são iguais. Pouco muda entre um e outro. Talvez o facto de no Chega as votações não serem de braço no ar!

  2. ” Quando há demasiada mediocridade tenta-se afastar as pessoas que são boas” parece que o grande problema é de egos demasiados inflacionados e falta de humildade. E como qualquer partido que pretenda evoluir demasiados extremismo têm de ser sanados.

  3. Este partido foi fundado por um oportunista. E, quem a ele se juntou são outros oportunistas, que quase todos já saltaram para vários partidos, da esquerda para a direita e vice versa. Acredito que uns poucos são ingénuos, e com a ânsia de arranjar um tacho, foram na onda do déspota. Mas como é possível que pessoas, já com algum traquejo, se tenha deixado influenciar por este bandido? Sou benfiquista, e este indivíduo, usou descaradamente o Benfica, para atingir o seu propósito que era tornar-se conhecido dos portugueses. E já no tempo em que ele era comentador, me enojava o seu descaramento. Mas, para mim o maior fenómeno nesta embrulhada é, como é que os que ainda estão com ele, como os que já saltaram fora, se deixaram enganar por esta espécie. Não tenho particular preferência por nenhum dos outro líderes partidários. Todos eles têm prós e contras. Mas fracamente, o que se pode vislumbrar de uma coisa destas? Eu respondo, apenas descaramento e oportunismo. Ao longo da história houve indivíduos como este que, uns foram como que cometas. Outros conseguiram chegar ao poder, e foi o que se viu, despotismo, ditaduras, miséria. Mas não se iludam, isto não tem a ver com a esquerda ou com a direita. Estes indivíduos não têm qualquer ideologia, usam as pessoas, dizendo-lhes o que elas precisam de ouvir. Atenção, são seres muito perigosos. Cabe-nos a nós defendermo-nos deles, porque eles aparecem em todos os tipos de sociedades. E, quanto mais frágil formos, mais eles são fortes. Depois não digam, que não avisei!

  4. so falam da direita para criticar ou denegrir…..todos os meios de comunicaçao dizem o mesmo…….escrevem o mesmo……ou e por medo ou inveja.

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