Chave para o desenvolvimento do cérebro é um mistério. Mas está prestes a ser desvendado

Os cientistas estão a começar a compreender o funcionamento de um tipo de gene que, ao contrário de outros, não codifica as proteínas — os blocos de construção da vida.

Um novo estudo mostra o mecanismo através do qual os genes codificadores de um subconjunto de RNA longo não codificante (lncRNA) interagem com genes vizinhos para regular o desenvolvimento e função das células nervosas essenciais.

Os resultados da investigação realizada pela Universidade de Bath foram publicados a 16 de junho na PLoS Genetics.

As estimativas mostram que existem entre 18.000 a 60.000 genes lncRNA no genoma humano, em comparação com 20.000 genes codificadores de proteínas.

Apesar da sua prevalência nos genes que codificam o lncRNA no genoma, estes segmentos de ADN foram outrora eliminados como lixo, precisamente porque a informação neles contida não resulta na produção de uma proteína.

Contudo, é agora claro que alguns lncRNAs são tudo menos lixo, e podem vir a desempenhar um papel fundamental no restabelecimento da função física em pessoas que sofreram graves danos nervosos, segundo noticia a Phys Org.

Embora a função da maioria dos genes do lncRNA permaneça um mistério, um subconjunto está contido no cérebro, juntamente com genes vizinhos que codificam as proteínas envolvidas no controlo da expressão genética.

Por outras palavras, os genes para estes lncRNAs e os seus vizinhos codificadores de proteínas funcionam como um par. Juntos, regulam o desenvolvimento e função das células nervosas essenciais, particularmente no cérebro, durante o desenvolvimento embrionário e no início da vida.

O novo estudo descreve a via regulamentar envolvida no controlo dos níveis de um destes pares de genes. A sua localização e a quantidade no genoma precisam de ser cuidadosamente coordenadas, assim como o momento da sua atividade.

“Definimos previamente uma das funções mais importantes do lncRNA no cérebro e o nosso novo estudo identifica uma importante via de sinalização que atua para coordenar a expressão deste lncRNA e do gene codificador de proteínas chave com o qual é emparelhado”, explica Keith Vance, do Departamento de Biologia & Bioquímica em Bath e autor principal do estudo.

“Esta nova investigação permite-nos compreender melhor a biologia básica das células nervosas e a forma como são produzidas. A medicina regenerativa é o jogo final e com mais investigação esperamos desenvolver uma compreensão mais profunda de como os genes do lncRNA atuam no cérebro”, acrescenta.

“Este conhecimento pode ser importante para os cientistas que procuram formas de substituir os neurónios defeituosos e restaurar a função nervosa — por exemplo, em pessoas que sofreram AVC”, conclui Vance.

  ZAP //

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