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Chá psicadélico da Amazónia pode estimular a formação de neurónios

Apollo / Flickr

Ayahuasca ao lume.

A ayahuasca é usada há milhares de anos em rituais de tribos da região amazónica. Um novo estudo sugere que um dos seus componentes pode ajudar na formação de neurónios.

A ayahuasca é uma mistura de substâncias psicadélicas consumida por tribos indígenas da Amazónia há séculos. Um dos seus ingredientes é a poderosa droga dimetiltriptamina (DMT). O chá é feito com duas plantas nativas da floresta: o cipó Banisteriopsis caapi (mariri ou jagube) com as folhas do arbusto Psychotria viridis (chacrona ou rainha).

Outros estudos já apontaram alguns benefícios do consumo deste chá, nomeadamente a redução do risco de suicídio de pessoas com depressão “incurável” e ajuda no combate ao alcoolismo.

Agora, de acordo um novo estudo da Universidad Complutense de Madrid, a DMT promove a neurogénese, o processo de formação de novos neurónios. Os resultados do estudo foram publicados recentemente na revista científica Translational Psychiatry.

Aliás, não só a DMT presente no chá promove a formação de novos neurónios, como também induz a formação de outras células neurais, como astrócitos e oligodendrócitos, salienta o Tech Explorist.

“Esta capacidade de modular a plasticidade cerebral sugere que ela [DMT] tem grande potencial terapêutico para uma ampla gama de distúrbios psiquiátricos e neurológicos, incluindo doenças neurodegenerativas”, esclareceu o autor do estudo, José Ángel Morales.

“O estudo relata os resultados de quatro anos de experimentação in vitro e in vivo em ratos, demonstrando que estes apresentam uma maior capacidade cognitiva quando tratados com esta substância”, disse, por sua vez, o coautor José Antonio López.

Em doenças como Alzheimer e Parkinson, é a morte de certos tipos de neurónios que causa os sintomas. Como nem sempre o cérebro humano tem a capacidade de gerar novas células neurais, “o desafio é ativar a nossa capacidade latente de formar neurónios e, assim, substituir os que morrem”, acrescentou Morales.

Segundo o investigador, este estudo mostra que a DMT é capaz de ativar células cestaminais neurais e formar novos neurónios.

A ayahuasca é usada há milhares de anos em rituais de tribos da região amazónica, e no século passado passou a ser usada por diversos grupos religiosos, como a União do Vegetal e o Santo Daime.

  ZAP //

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