/

Cesarianas aumentam. Nos privados, apenas um em cada seis partos é normal

1

A taxa de cesarianas nos hospitais privados continua a corresponder a mais do dobro da dos hospitais públicos e voltou a aumentar em 2018.

Portugal continua a ocupar uma má posição no ranking da União Europeia. Segundo Diogo Ayres de Campos, secretário-geral da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia, nos países escandinavos, a taxa de partos por cesariana ronda os 16%, enquanto que a taxa portuguesa continua acima dos 30% (onde se incluem os partos efetuados no privado).

De acordo com o Público, a taxa portuguesa de 33% de cesarianas deve-se, em grande parte, ao elevado número de partos cirúrgicos nos hospitais privados, nos quais a taxa de cesarianas corresponde a mais do dobro da registada nos hospitais públicos. Dois terços dos partos nos privados foram feitos por cesariana, enquanto nos hospitais públicos esta taxa tem oscilado entre os 27% e os 28%.

Entre 1999 e 2018, o número de partos nos privados “mais que duplicou”. Miguel Oliveira da Silva, ex-presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, considera “inquietante” o “silêncio quase absoluto sobre o que se passa no setor privado”. O mesmo responsável acrescenta que “há interesses financeiros e má informação das grávidas sobre os riscos das cesarianas a pedido”.

Por sua vez, Diogo Ayres de Campos explica que o risco de infeção aumenta “cinco vezes” nos partos por cesariana e que o risco hemorrágico (da mulher) “aumenta cerca de duas vezes”. Para a saúde dos recém-nascidos há também maiores perigos: “os bebés que nascem de cesariana têm riscos acrescidos de ter asa (mais 20%), diabetes, obesidade”.

Miguel Oliveira da Silva explica os elevados números de cesarianas pela “pressa em fazer o parto por medo” de complicações. Luís Graça, vice-presidente da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia, disse ao diário que alguns privados “fazem partos abaixo das 30 semanas, mas depois transferem para os públicos quando o plafond dos seguros se esgotam ao fim de três dias”.

O responsável lamenta que a norma instituída pela antiga ministra da Saúde Ana Jorge, de impedir que os privados façam partos abaixo das 32 semanas, não esteja a ser cumprida.

  ZAP //

1 Comment

  1. Interesses económicos motivam as más práticas médicas… E é muito pior do que podem imaginar.
    Não me calo nem me farto de dizer isto, só lhes interessa €€€€€€€ e não a saúde das pessoas. Que nojo…

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.