Cemitério em Roma enterrou fetos com os nomes das mulheres que abortaram

Um grupo de mais de cem italianas pediu à justiça que investigue quem está por trás do enterro de fetos em túmulos marcados com os nomes das suas mães.

De acordo com o jornal The Guardian, o caso veio à tona, na semana passada, depois de uma das mulheres, cuja curiosidade foi aguçada depois de ler sobre os chamados “campos dos anjos” em jornais locais, ter descoberto um terreno com uma cruz de madeira com o seu nome e a data em que o seu feto foi enterrado no cemitério Prima Porta, em Roma.

Differenza Donna, o grupo de ativistas que apresentou a queixa aos promotores da capital italiana, considera que os direitos humanos e a privacidade destas mulheres foram gravemente violados.

“Encontrámos cruzes que datam de 2012 até 2020, mas há mulheres que dão referências que remontam a 2005”, declara Elisa Ercoli, presidente da associação, acrescentando que estão a receber dezenas de chamadas provenientes de todo o país.

Um destes casos é o de Francesca, 36 anos, que decidiu interromper a gravidez, em setembro de 2019, seis meses depois de ter sido informada que havia uma malformação no feto e que este provavelmente não iria sobreviver. A italiana teve de esperar 10 dias até que um hospital concordasse em fazer-lhe um aborto.

Tal como todas as outras mulheres envolvidas, Francesca não deu autorização para que o feto fosse enterrado. A data inscrita no túmulo com o seu nome é dezembro de 2019, três meses depois do aborto.

“Depois da imensa dor de perder a minha filha, descobrir este ato brutal foi horrível. Perguntei repetidamente ao hospital o que tinha acontecido com o feto e fizeram-me acreditar que tinha sido deitado fora. Então, onde é que ficou durante estes três meses? Ser enterrado com o símbolo de uma cruz, à qual não sou devota, e com o meu nome, parece um castigo“, afirmou a italiana ao jornal britânico.

Livia Turco, ministra da Saúde entre 2006 e 2008, acredita que grupos anti-aborto estão por trás desta prática de expor os nomes das mães nos túmulos.

Os enterros são permitidos por causa de uma lei que foi atualizada, em 1990, a partir de uma outra criada durante o regime fascista de Benito Mussolini. Grupos anti-aborto, católicos e de extrema-direita há vários anos que fazem pressão para a criação dos chamados “campos dos anjos”, muitas vezes encontrando apoio entre os políticos locais ou aqueles que trabalham em instituições públicas.

“A questão da privacidade é séria e precisamos de descobrir quem é o responsável por isto. Mas é óbvio que esta iniciativa é fruto de uma mobilização promovida por grupos católicos que talvez tenhamos subestimado – não apenas em Roma, mas em todo o país. Eles provavelmente construíram relações de confiança dentro das instituições e encontraram, assim, cumplicidade”, afirma a ex-governante.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Estou equivocado…….”túmulos marcados com os nomes das suas mães”.É o que esta redigido no inicio do texto. Penso que seria mais correcto ter-se escrito “com os nomes das suas progenitoras”, sendo que o titulo de mãe é para quem cuida dos filhos(as), declaro isto sem nenhuma animosidade e sem julgar ninguém, relativamente a quem optou por uma IVG .

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