Bombas não são o único problema da Caxemira. Há uma crescente emergência de saúde mental

Os problemas de saúde mental na Caxemira estão a atingir níveis preocupantes. Os conflitos originários da disputa territorial deixam as pessoas traumatizadas com a morte dos seus entes queridos.

A Caxemira é uma das zona mais militarizadas do mundo inteiro devido à disputa territorial existente entre a Índia, o Paquistão e até a China. Armas e bombas não são a única coisa com que os habitantes desta região se têm de preocupar. O contexto bélico em que vivem deixa muita destas pessoas com sérias cicatrizes psicológicas.

O OZY dá a conhecer o caso de Ruqaya, de 45 anos, que vive traumatizada desde a morte do seu filho. Não seria a primeira vez que se dirigia ao cemitério local para tentar desenterrá-lo.

“Ela saiu de casa meia dúzia de vezes sem informar ninguém e duas vezes encontrámos-la no túmulo do filho, cavando-o com os próprios dedos“, disse a sua vizinha Nisar Ahmad. O filho de Ruqaya era polícia e morreu em agosto de 2018, no que se suspeita ter sido um ataque militante.

Na Caxemira, os problemas de saúde mental ainda são pouco compreendidos pela população. A família de Ruqaya sabe bem o que isso é e todos os quatro membros tomam medicação para o stress pós-traumático, mas não parecem ajudar.

Owais, um dos mais jovens da família, falhou os exames do 10.º ano e diz que é incapaz de se concentrar desde a morte do seu irmão. “Ele bateu na cabeça com uma pedra quando o corpo do seu irmão foi levado para casa para os ritos finais. Ele ficou inconsciente e teve que ser hospitalizado”, relembrou o pai, Manzoor Ahmad.

A saúde mental atingiu um estado de emergência na região. Em 2015, dados oficiais mostram que os problemas de saúde mental atingiram níveis epidémicos, com 37% dos homens e 50% das mulheres a sofrerem de depressão. Outras condições frequentes são transtorno relacionado com a ansiedade e o já referido stress pós-traumático.

A psiquiatra Yuman Kawoos explica que a maioria dos problemas de saúde mental na região derivam de assuntos relacionados com a disputa territorial. Além disso, realça que o estigma social associado a este tipo de problemas interfere severamente com o seu trabalho.

“As pessoas vêm ter comigo para tratamento quatro ou cinco anos depois”, salienta Yuman. Frequentemente, as pessoas não recorrem a psiquiatras, mas sim a curandeiros, o que apenas atrasa o tratamento real. “As pessoas recorrem a estes curandeiros por ignorância e para evitar o estigma social. Até pessoas instruídas os visitam”, acrescentou.

“Não há médicos que consigam tratar a doença de amor por um filho morto”, atirou Ruqaya.

ZAP //

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