Cavaco acusa Governo de Costa de continuar a alimentar “monstro” da despesa pública

Homem de Gouveia / Lusa

Aníbal Cavaco Silva

Cavaco Silva volta a criticar o Governo de Costa, desta vez por criar “impostos adicionais” sobre “tudo o que mexe” para alimentar “o monstro” da despesa pública.

O ex-primeiro-ministro e antigo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva fez duras críticas à política económica do Governo PS por criar “impostos adicionais” sobre “tudo o que mexe” para alimentar “o monstro” da despesa pública, no podcast Défice de Atenção, de estudantes do Católica Lisbon Economics Club, divulgado esta sexta-feira.

“O Governo português atual rege-se pelos princípios da ilusão fiscal e da dispersão. Nesse sentido, criou uma multiplicidade de impostos adicionais, derramas, taxas que não são taxas tudo de modo a que os cidadãos não se apercebam que estão a ser tributados e assim obter receitas para financiar o ‘monstro’”, afirmou.

“Como se costuma dizer, o governo tributa ‘tudo o que mexe’”, ironizou o antigo primeiro-ministro.

Cavaco alertou ainda que “Portugal corre o risco de continuar a ser ultrapassado em nível de desenvolvimento pelos países de Leste Europeu” e ser “a lanterna vermelha” da zona euro por não fazer reformas para estimular a competitividade e produtividade das empresas.

Vinte e um anos depois de ter usado pela primeira vez a imagem num artigo publicado no DN, em 2000, quando o Governo era também do PS, com António Guterres, Cavaco retoma “o monstro”, agora aplicado ao executivo socialista de António Costa, que também critica por falhar “e continua a falhar pela ausência de reformas” para o “aumento da produtividade e da competitividade externa das empresas”.

Para o antigo Presidente da República, Costa “criou uma multiplicidade de impostos adicionais, derramas, taxas que não são taxas, tudo de modo a que os cidadãos não se apercebam que estão a ser tributados e assim obter receitas para financiar o ‘monstro’”.

Fazendo a história de como foi possível atrair a fábrica da AutoEuropa para Portugal, quando era chefe do Governo, Cavaco Silva argumentou que foi por o país ter conquistado “a confiança dos mercados e dos investidores” com as reformas que fez nas décadas de 1980/1990.

O que, afirmou, não está a acontecer agora com os socialistas e António Costa que não está a projetar uma imagem positiva aos investidores estrangeiros.

O sistema fiscal, disse, “não é transparente, não é competitivo e não é estável”, está “sujeito a variações arbitrárias por parte dos decisores políticos”, a justiça “é pouco eficaz e impera a incerteza jurídica”, a “burocracia é desesperante e desencoraja os investidores”.

“O governo da geringonça, ou melhor, os governos da geringonça, têm projetado a imagem de que o poder político interfere na vida das empresas e têm projetado a imagem de que Portugal, o governo português, é hostil em relação às grandes empresas”, afirmou ainda.

Em termos mais políticos, o antigo líder do PSD voltou a defender uma reforma nas leis eleitorais, com um sistema misto, e que permita uma maioria parlamentar com cerca de 43% dos votos.

E retomou a tese, de outro artigo de jornal, intitulado “Os políticos e a Lei de Gresham”, segundo a qual “a má moeda expulsa a boa moeda” aplicada à vida partidária, “com o seguinte enunciado: ‘os políticos incompetentes afastam os competentes’”.

Sem identificar se se refere a alguém em especial, Cavaco concluiu que, então como hoje, continua a achar “a má moeda continua a expulsar a boa moeda”.

// Lusa

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5 COMENTÁRIOS

  1. HA, HA, HA!!! O Cavaco? A acusar outros de tributar “tudo o que mexe”? Agora sim já ouvi tudo… Ou será que não? Tenho de esperar pela próxima bacorada do velho caquético e o ex pior Presidente da república Portuguesa de sempre!

    • Quando o sábio aponta a Lua, o tolo olha para o dedo.
      Não digo que o Cavaco seja sábio. Mas ele está a apontar para a Lua.
      E não digo que você seja tolo. Mas você está a olhar para o dedo…
      A mensagem é: O Governo cobra demasiados impostos. Comentar a mensagem é interessante. Dar tiros no mensageiro é, no mínimo, fútil.

      • Mensageiro? Olhar para o dedo? Esse “senhor” pôs-nos na mer…. Critica os outros quando ele fez bem pior! E depois sou eu que estou a olhar para o dedo. Aquilo que posso dizer sobre esse “Cavaco” é que olhe ao espelho antes de acusar os outros de seja o que fôr.

      • É… Tem razão. Com tudo aquilo que este “senhor” fez ao país, devia estar é a chorar…

        PS: Ainda não uso prótese, mas, em compensação, uso o meu cérebro!

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