Caso de ébola detetado em cidade com mais de dois milhões de habitantes

Hamid Abdulsalam / UNAMID Photo / Flickr

As autoridades de saúde detetaram o primeiro caso de ébola na cidade de Goma, na República Democrática do Congo, onde vivem mais de dois milhões de pessoas, confirmou no domingo o ministro da Saúde congolês.

De acordo com a agência Associated Press, o primeiro caso confirmado em Goma, que faz fronteira com o Ruanda, é um pastor que esteve na cidade de Butembo, avançou o Sapo 24, que cita a agência Lusa.

Esta confirmação marca uma escalada no surto de ébola na República Democrática do Congo, que começou em agosto de 2018 e é já o segundo mais mortífero da história. Mais de 1.600 pessoas morreram na zona leste do país quando o vírus se espalhou em zonas demasiado perigosas para o acesso das equipas de saúde.

Esta semana, o ministério da Saúde congolês anunciou que não vai autorizar a realização de novos tratamentos experimentais para combate ao ébola, para evitar “confusão” entre a população. O departamento governamental explicou que tem doses suficientes da vacina rVSV-ZEBOV, também ela um tratamento experimental da farmacêutica alemã Merck.

A rVSV-ZEBOV tem sido utilizada quase desde o início do surto e tem apresentado bons resultados, tendo sido já administrada a 158.830 pessoas, segundo o mais recente boletim do Ministério da Saúde. Em junho, a farmacêutica anunciou que iria utilizar as suas instalações norte-americanas para produzir mais unidades da vacina.

O combate à epidemia de ébola na República Democrática do Congo tem sido dificultado pela presença de um conflito armado nas principais áreas afetadas, assim como por uma desconfiança da população na intervenção médica.

USAID_IMAGES / Flickr

Estas condicionantes levaram o Ministério da Saúde a rejeitar a introdução de novos tratamentos que poderiam surgir e que envolveriam a realização de novos testes com componentes sem uma eficácia provada cientificamente.

A posição do Governo surgiu depois de a agência Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos (EUA), ter anunciado a descoberta, em testes laboratoriais, de dois tratamentos eficazes no combate à estirpe do vírus presentes no país da África Central.

A investigação realizada pelos cientistas da CDC, cujos resultados foram divulgados na Lancet Infections Diseases, mostra que os tratamentos experimentais com base de ‘Remdesivir’ (antiviral) e ‘ZMapp’ (anticorpos) “bloquearam o crescimento de microrganismos do vírus que causa o ébola nas células humanas em laboratório”.

A doença, que pode atingir uma taxa de mortalidade de 90% caso não seja tratada com brevidade, provocou 1.647 mortos, 1.553 dos quais confirmados em laboratório, em menos de um ano, tornando-se na segunda epidemia mais mortífera da história, apenas atrás daquela que atingiu a África Ocidental em 2014.

O vírus do ébola transmite-se através do contacto direto com sangue ou fluídos corporais contaminados e provoca uma febre hemorrágica.

  TP, ZAP //

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