“Capitalismo e ganância, meus amigos.” Gafe de Boris pode pôr em xeque relacionamento com a UE

Andrew Parsons / Nº 10 Downing Street

Boris Johnson

Num encontro com membros do partido conservador, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, explicou que o sucesso do plano de vacinação no Reino Unido se deve a dois fatores: capitalismo e ganância.

O sucesso do plano de vacinação contra a covid-19 no Reino Unido foi “por causa do capitalismo, por causa da ganância“, disse o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

As palavras foram ditas pelo governante durante um encontro com membros do partido conservador. Depois de se ter apercebido imediatamente do que disse e da polémica que poderia originar, Boris retirou “muito insistentemente” o que dissera e pediu a todos os participantes discrição e segredo.

No entanto, alguns conservadores não respeitaram o pedido e revelaram a conversa à BBC e à CNN.

De acordo com fontes que participaram nesta reunião, o líder do Executivo fez este comentário para sustentar que foi a busca do lucro que permitiu que o Reino Unido ficasse à frente na corrida da vacinação.

Os comentários foram publicados, inicialmente, no The Sun, que cita uma frase completa: “A razão de termos o sucesso com as vacinas é por causa do capitalismo, por causa da ganância, meus amigos” [The reason we have the vaccine success is because of capitalism, because of greed, my friends].

David TC Davies, político do Partido Conservador pelo País de Gales, disse à BBC que Boris “deixou absolutamente claro que o que disse era uma piada – uma referência ao filme Wall Street“.

“Percebeu que fez asneira assim que disse aquilo, quando não o queria dizer”, disse outra fonte ao canal britânico.

O timing da gafe não é o melhor. A Comissão Europeia reúne-se esta quinta-feira e prepara-se para apertar o controlo à exportação de vacinas.

Espera-se que a presidente Ursula von der Leyen tenha como alvo as empresas dentro da UE que a Comissão acredita não estarem a honrar os contratos assinados com Bruxelas quando negociou acordos de vacinas em nome dos 27.

Os planos também devem incluir novos poderes que permitem à UE reter as entregas de vacinas a países que não exportam reciprocamente para a UE.

Até ao momento, o Reino Unido já vacinou mais de 28 milhões de pessoas com a primeira dose e mais de dois milhões com as duas.

Liliana Malainho Liliana Malainho, ZAP //

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18 COMENTÁRIOS

  1. “ Espera-se que a presidente Ursula von der Leyen tenha como alvo as empresas dentro da UE que a Comissão acredita não estarem a honrar os contratos assinados com Bruxelas quando negociou acordos de vacinas em nome dos 27.”

    O Reino Unido assinou contractos meses antes da UE.
    O Reino Unido tem prioridade.

    • «prioridade» não é estabelecida por quem assina o quê primeiro.

      São contratos diferentes que têm com toda a certeza termos e cláusulas diferentes. Quem os assinou (livremente, diga-se) deve agora respeitar AMBOS. Ou sujeitar-se às penalidades que estejam previstas no contrato que for alvo de incumprimento.

      Resumindo: Nenhum dos contratos assume prioridade relativamente ao outro. AMBOS devem ser integralmente respeitados.

    • Gostas do conservadorismo e do capitalismo, não é? És a favor do Brexit, certo? Ora pois claro, está na cara.
      É tão ridículo ver pessoas defenderem o indefensável por mera masturbação ideológica…

  2. Não está errado. É a razão pela qual a indústria farmacêutica, e a medicina em geral, nos EUA, está tão à frente da sua congénere Europeia. Sim, estou a par dos casos nos EUA em que as pessoas não conseguem pagar medicamentos que na Europa são gratuitos. A Europa tem o melhor dos 2 mundos: 1) controlo de preços, e 2) acesso ao R&D proveniente dos EUA, sem ter o respetivo custo. Mas como se vê agora com as vacinas, é arriscado.

    • Mas a questão é que a medicina nos EUA não está nada tão à frente da Europeia. Isso é um delírio. Não sei onde foi buscar uma ideia tão fantasista e estapafúrdia. Logo, caem por terra os seus argumentos neoliberais de que a ganância é uma coisa positiva.

      Na verdade a verdadeira consequência da ganância dos laboratórios farmacêuticos, não é o avanço da investigação, mas sim a venda de ideias erradas sobre a medicina e a razão pela qual as doenças como cancro e SIDA nunca mais têm cura à vista: porque dita a ganância que é muito mais lucrativo prolongar as doenças e mantê-las crónicas indefinidamente, do que curá-las. Essa sim, a verdadeira face do que você defende.

      • Eu assento as minhas opiniões em factos, e você? Não é uma ideia fantasista e estapafúrdia, é a realidade. Que, de resto, estamos a assistir agora. A larga maioria da Europa está a ser vacinada com vacinas Americanas. Enquanto os EUA desenvolveram as 2 vacinas mais eficazes do mundo, a Europa mal desenvolveu uma. 23% da população dos EUA está completamente vacinada, contra 6% na Europa. E a diferença vai aumentar porque os EUA estão a vacinar diariamente a mais do dobro da velocidade na Europa. Se a Europa só dependesse de vacinas próprias, neste momento nem 1% da população Europeia estaria vacinada.

        Falando agora de medicamentos em geral. Nos anos 80, 30% de todos os novos medicamentos a nível mundial foram desenvolvidos nos EUA. Nos anos 90, 42%. Nos anos 2001-2010, 57%. Não ficaria admirado se nos anos 2011-2020, ultrapassasse os 60%. Vamos falar de farmacêuticas Europeias. A Roche (Suiça) faz o seu R&D nos EUA. O mesmo se passa com a Sanofi (Francesa). Vamos falar de inovação médica. Os EUA investem mais em R&D que toda a Europa junta. Têm praticamente o mesmo número de Prémios Nobel da Medicina que toda a Europa junta (103 vs 106), com uma população muito menor. Não é incomum ouvir falar de medicamentos e tratamentos que só existem nos EUA.

        A verdade, infelizmente, é esta: se a Europa não tivesse acesso ao que vem dos EUA na área médica e farmacêutica, estaria décadas atrasada.

  3. Entretanto, o senhor Boris Johnson lá vai levando a água ao moinho e ninguém por cá já fala mais da desgraça que por lá adivinhavam com a chegada do brexit!

    • Eu acho que você devia mesmo ir para os EUA e pagar seguros de saúde a preço de ouro para ter acesso mesmo assim limitado À medicina. Depois aparecem-lhe as contas da seguradora e quase nada estava afinal coberto. ISto claro, se você tiver dinheiro para ter seguro, senão morre à porta do Hospital.

      Estou certo de que o Quim nunca usou o nosso SNS. Estou certo de que você vai sempre ao privado para apoiar essa nobre actividade de fazer fortuna à custa da doença alheia.

      Pessoas que falam assim deviam ser proibidas de viver num país com Estado Social. Dizer mal das merd@s e depois tirar partido delas, é do mais rasteiro que pode haver.

      • Você não sabe do que fala. Vivo nos EUA, tenho seguro de saúde parcialmente pago pela empresa (como de resto, a maioria da população empregada). Já usei serviços médicos nos EUA, incluindo pequenas cirurgias. Em comparação, lamento, o SNS é terceiro-mundo. Tenho muita pena ter que o admitir, porque Portugal é o meu país, mas é a verdade. Não há comparação. Conheço quem esteja reformado em Portugal (depois de cá trabalhar a vida toda) que tenha cá vindo especificamente para tratamentos médicos e operações. Sim, é caro, mas é o que é. Também se ganha muito mais, mas é para juntar, não é só para comprar SUVs.

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