/

“Capitalismo e ganância, meus amigos.” Gafe de Boris pode pôr em xeque relacionamento com a UE

22

Andrew Parsons / Nº 10 Downing Street

Boris Johnson

Num encontro com membros do partido conservador, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, explicou que o sucesso do plano de vacinação no Reino Unido se deve a dois fatores: capitalismo e ganância.

O sucesso do plano de vacinação contra a covid-19 no Reino Unido foi “por causa do capitalismo, por causa da ganância“, disse o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

As palavras foram ditas pelo governante durante um encontro com membros do partido conservador. Depois de se ter apercebido imediatamente do que disse e da polémica que poderia originar, Boris retirou “muito insistentemente” o que dissera e pediu a todos os participantes discrição e segredo.

No entanto, alguns conservadores não respeitaram o pedido e revelaram a conversa à BBC e à CNN.

De acordo com fontes que participaram nesta reunião, o líder do Executivo fez este comentário para sustentar que foi a busca do lucro que permitiu que o Reino Unido ficasse à frente na corrida da vacinação.

Os comentários foram publicados, inicialmente, no The Sun, que cita uma frase completa: “A razão de termos o sucesso com as vacinas é por causa do capitalismo, por causa da ganância, meus amigos” [The reason we have the vaccine success is because of capitalism, because of greed, my friends].

David TC Davies, político do Partido Conservador pelo País de Gales, disse à BBC que Boris “deixou absolutamente claro que o que disse era uma piada – uma referência ao filme Wall Street“.

“Percebeu que fez asneira assim que disse aquilo, quando não o queria dizer”, disse outra fonte ao canal britânico.

O timing da gafe não é o melhor. A Comissão Europeia reúne-se esta quinta-feira e prepara-se para apertar o controlo à exportação de vacinas.

Espera-se que a presidente Ursula von der Leyen tenha como alvo as empresas dentro da UE que a Comissão acredita não estarem a honrar os contratos assinados com Bruxelas quando negociou acordos de vacinas em nome dos 27.

Os planos também devem incluir novos poderes que permitem à UE reter as entregas de vacinas a países que não exportam reciprocamente para a UE.

Até ao momento, o Reino Unido já vacinou mais de 28 milhões de pessoas com a primeira dose e mais de dois milhões com as duas.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

  Liliana Malainho, ZAP //

22 Comments

  1. “ Espera-se que a presidente Ursula von der Leyen tenha como alvo as empresas dentro da UE que a Comissão acredita não estarem a honrar os contratos assinados com Bruxelas quando negociou acordos de vacinas em nome dos 27.”

    O Reino Unido assinou contractos meses antes da UE.
    O Reino Unido tem prioridade.

    • «prioridade» não é estabelecida por quem assina o quê primeiro.

      São contratos diferentes que têm com toda a certeza termos e cláusulas diferentes. Quem os assinou (livremente, diga-se) deve agora respeitar AMBOS. Ou sujeitar-se às penalidades que estejam previstas no contrato que for alvo de incumprimento.

      Resumindo: Nenhum dos contratos assume prioridade relativamente ao outro. AMBOS devem ser integralmente respeitados.

    • Gostas do conservadorismo e do capitalismo, não é? És a favor do Brexit, certo? Ora pois claro, está na cara.
      É tão ridículo ver pessoas defenderem o indefensável por mera masturbação ideológica…

  2. Não está errado. É a razão pela qual a indústria farmacêutica, e a medicina em geral, nos EUA, está tão à frente da sua congénere Europeia. Sim, estou a par dos casos nos EUA em que as pessoas não conseguem pagar medicamentos que na Europa são gratuitos. A Europa tem o melhor dos 2 mundos: 1) controlo de preços, e 2) acesso ao R&D proveniente dos EUA, sem ter o respetivo custo. Mas como se vê agora com as vacinas, é arriscado.

    • Mas a questão é que a medicina nos EUA não está nada tão à frente da Europeia. Isso é um delírio. Não sei onde foi buscar uma ideia tão fantasista e estapafúrdia. Logo, caem por terra os seus argumentos neoliberais de que a ganância é uma coisa positiva.

      Na verdade a verdadeira consequência da ganância dos laboratórios farmacêuticos, não é o avanço da investigação, mas sim a venda de ideias erradas sobre a medicina e a razão pela qual as doenças como cancro e SIDA nunca mais têm cura à vista: porque dita a ganância que é muito mais lucrativo prolongar as doenças e mantê-las crónicas indefinidamente, do que curá-las. Essa sim, a verdadeira face do que você defende.

      • Eu assento as minhas opiniões em factos, e você? Não é uma ideia fantasista e estapafúrdia, é a realidade. Que, de resto, estamos a assistir agora. A larga maioria da Europa está a ser vacinada com vacinas Americanas. Enquanto os EUA desenvolveram as 2 vacinas mais eficazes do mundo, a Europa mal desenvolveu uma. 23% da população dos EUA está completamente vacinada, contra 6% na Europa. E a diferença vai aumentar porque os EUA estão a vacinar diariamente a mais do dobro da velocidade na Europa. Se a Europa só dependesse de vacinas próprias, neste momento nem 1% da população Europeia estaria vacinada.

        Falando agora de medicamentos em geral. Nos anos 80, 30% de todos os novos medicamentos a nível mundial foram desenvolvidos nos EUA. Nos anos 90, 42%. Nos anos 2001-2010, 57%. Não ficaria admirado se nos anos 2011-2020, ultrapassasse os 60%. Vamos falar de farmacêuticas Europeias. A Roche (Suiça) faz o seu R&D nos EUA. O mesmo se passa com a Sanofi (Francesa). Vamos falar de inovação médica. Os EUA investem mais em R&D que toda a Europa junta. Têm praticamente o mesmo número de Prémios Nobel da Medicina que toda a Europa junta (103 vs 106), com uma população muito menor. Não é incomum ouvir falar de medicamentos e tratamentos que só existem nos EUA.

        A verdade, infelizmente, é esta: se a Europa não tivesse acesso ao que vem dos EUA na área médica e farmacêutica, estaria décadas atrasada.

        • Só faltou deixar cair o microfone. O capitalismo é o pior sistema, à frente de todos os outros. Não fosse a ‘ganância’ nem estávamos aqui a teclar, e muito provavelmente nem vivos. É caricata a hipocrisia dos ‘anti-capitalistas’ que usufruem de todos os privilégios e benefícios enquanto se queixam. Pura ignorância e hipocrisia. Boris só disse a verdade. Mas hoje em dia a verdade não é politicamente correta. O único erro dele foi pedir desculpa.

          • Ainda não percebeste que o problema não é o capitalismo, mas sim o capitalismo selvagem/desregulado?! Ou capitalismo de Estado – como faz a China?
            Já reparaste que os países mais desenvolvidos são que tem melhor regulação (Noruega, etc)?
            Se a Noruega deixasse tudo ao critério dos “mercados”, não estava à frente dos EUA em todos os indicadores de desenvolvimento humano!

  3. Entretanto, o senhor Boris Johnson lá vai levando a água ao moinho e ninguém por cá já fala mais da desgraça que por lá adivinhavam com a chegada do brexit!

    • Eu acho que você devia mesmo ir para os EUA e pagar seguros de saúde a preço de ouro para ter acesso mesmo assim limitado À medicina. Depois aparecem-lhe as contas da seguradora e quase nada estava afinal coberto. ISto claro, se você tiver dinheiro para ter seguro, senão morre à porta do Hospital.

      Estou certo de que o Quim nunca usou o nosso SNS. Estou certo de que você vai sempre ao privado para apoiar essa nobre actividade de fazer fortuna à custa da doença alheia.

      Pessoas que falam assim deviam ser proibidas de viver num país com Estado Social. Dizer mal das [email protected] e depois tirar partido delas, é do mais rasteiro que pode haver.

      • Você não sabe do que fala. Vivo nos EUA, tenho seguro de saúde parcialmente pago pela empresa (como de resto, a maioria da população empregada). Já usei serviços médicos nos EUA, incluindo pequenas cirurgias. Em comparação, lamento, o SNS é terceiro-mundo. Tenho muita pena ter que o admitir, porque Portugal é o meu país, mas é a verdade. Não há comparação. Conheço quem esteja reformado em Portugal (depois de cá trabalhar a vida toda) que tenha cá vindo especificamente para tratamentos médicos e operações. Sim, é caro, mas é o que é. Também se ganha muito mais, mas é para juntar, não é só para comprar SUVs.

        • O Miguel Queiroz deve ter acreditado na propaganda comunista do Michael Moore. Só tretas. O SNS é muito lindo em conceito, mas na prática… o Miguel ainda não precisou esperar anos com dores crónicas à espera de uma operação simples. Nesse dia iria aos privados, se não andasse a distribuir a sua riqueza como certamente faz enquanto tal arauto da virtude.

          • Nota-se que conheces muito bem os EUA… pelo menos a parte da propaganda!…
            Esse malandro do M. Moore, andou a mostrar ao mundo a realidade dos serviços de saúde americanos, só pode ser comunista!
            O SNS na prática é o que se viu ainda agora na pandemia… tal como os se viu o que aconteceu nos EUA, com o numero de mortos, com doentes Covid a receber faturas de milhões, etc, etc…
            .
            Alguém dizer que o SNS é de 3º mundo, quando fica sistematicamente à frente do “sistema americano” em todos os rankings, é obra…
            Já para não falar que os EUA gastam 17% do PIB com saúde (isto além dos seguros que a maioria paga!!), quando Portugal gasta apenas 9% – só por aí já se vê a eficiência do sistema.
            Muiiiiito mais caro para ter, no geral, piores resultado do que o SNS.
            Até a esperança média de vida em Portugal é superior à dos EUA.
            Já para não falar dos milhões de americanos que mal tem acesso a cuidados de saúde básicos…
            .
            Que bom serviço:
            EUA: “O sistema de saúde é atroz neste país”, diz luso-americana
            “O sistema de saúde é atroz neste país”, afirmou Nunes, que tem uma empresa agrícola com o marido. “Não devia ser assim. Trumpcare é como era o Obamacare e não presta“, considerou.
            A minha família paga 2.600 dólares [cerca de 2.200 euros] por mês pelo seguro privado, o que é escandaloso”, afirmou. “Pagamos tantos impostos. Toda a gente deve poder escolher, este não é um país comunista”, afirmou.
            “até junho perto de oito milhões de pessoas tinham perdido acesso a cuidados de saúde quando ficaram desempregadas, o que cancelou também os seguros de cerca de 7 milhões de dependentes.”
            Observador, 25 out 2020

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.