Oito em dez: candidatos anti-Trump fora das intercalares

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Jason Szenes / EPA

Apenas dois dos dez congressistas republicanos que votaram a favor a destituição de Donald Trump vão disputar as eleições gerais de novembro.

Quatro perderam as primárias do partido face a candidatos apoiados pelo ex-presidente norte-americano.

Uma das maiores derrotas foi registada na noite de terça-feira, quando a congressista Liz Cheney, umas das adversárias mais ferozes de Trump dentro do partido, perdeu as primárias no estado de Wyoming e a possibilidade de ser reeleita nas eleições intercalares agendadas para novembro.

A congressista, filha de Dick Cheney, antigo vice-presidente de George W. Bush, perdeu no Wyoming para a candidata apoiada por Trump, Harriet Hageman, uma advogada ligada ao setor pecuário que afirmou falsamente que a eleição de 2020 foi “manipulada”, para seduzir os apoiantes do antigo mandatário.

O próprio Cheney envolveu-se na campanha da filha, com vídeos fortemente críticos de Trump.

Liz Cheney tornou-se numa forte crítica do ex-Presidente, acusando-o de ser uma ameaça à democracia, perante as alegações de fraude na vitória de Joe Biden em 2020, que foram firmemente rejeitadas por funcionários eleitorais federais e estaduais, juntamente com o próprio procurador-geral de Trump e juízes que nomeou.

Além de Cheney, a maioria dos congressistas conservadores que votaram a favor de um julgamento político a Trump por ter incitado ao ataque ao Capitólio, em 06 de janeiro de 2021, também perderam as suas primárias ou anunciaram que iam abandonar a política.

Outros três congressistas republicanos que, como Cheney, apoiaram a impugnação de Trump (Peter Meijer, Tom Rice, Jaime Herrera Beutler) perderam nas primárias para oponentes apoiados por Trump e apenas dois avançaram para as eleições gerais (Dan Newhouse e o luso-descendente David Valadao).

Outros quatro dos republicanos que votaram pelo ‘impeachment’ aposentaram-se em vez de concorrer à reeleição (Anthony Gonzalez, John Katko, Adam Kinzinger e Fred Upton).

Relatos de “ambiente tóxico” dentro do Partido Republicano foram alguns dos motivos citados por congressistas que decidiram afastar-se da política, como é o caso de Anthony Gonzalez.

Trump, cuja candidatura às eleições presidenciais de 2024 parece provável, continua a ter grande apoio entre a base do Partido Republicano, como já havia sido notado nas primárias de vários outros estados como Ohio, Pensilvânia, Arizona e Michigan.

Os resultados são ainda um poderoso lembrete da rápida mudança do Partido Republicano à direita. Um partido antes dominado por conservadores voltados para a segurança nacional e para a vertente empresarial, como o próprio Dick Cheney, agora segue Trump, animado pelo seu apelo populista e, acima de tudo, pela negação da derrota nas eleições de 2020.

A derrota de Cheney na terça-feira não passou em branco para Donald Trump, que usou a sua rede social – Truth Social – para comemorar os resultados eleitorais.

Liz Cheney deveria ter vergonha de si mesma, da maneira como agiu e das suas palavras e ações maldosas e hipócritas em relação aos outros”, escreveu Trump.

“Agora ela pode finalmente desaparecer nas profundezas do esquecimento político onde, tenho certeza, ela será muito mais feliz do que é agora. Obrigado Wyoming!”, acrescentou.

Também hoje, Sarah Palin e Kelly Tshibaka, duas candidatas republicanas apoiadas por Donald Trump, avançaram nas primárias no Alasca (EUA) e disputarão na eleição geral, respetivamente, os cargos de congressista estadual e de senadora, contra a ‘histórica’ Lisa Murkowski.

Murkowski, que está desde o final de 2002 no Senado tendo ‘herdado’ o lugar do seu pai, Frank Murkowski, também votou pela condenação de Trump no seu segundo julgamento de ‘impeachment’, em fevereiro de 2021.

Pela primeira vez nas eleições do Alasca, os quatro mais votados nas primárias, independentemente da filiação partidária, devem avançar para a eleição geral.

A passagem à eleição geral de Murkowski e Tshibaka está assegurada, mantendo-se em aberto as duas outras posições, disputadas por candidatos democratas e republicanos.

  // Lusa

1 Comment

  1. Não seria necessário, nada mais que uma prova da decadência americana. Um partido Republicano que era conservador sim, mas honradamente democrático nas suas elites, já não é conservador, nem de direita e sim de extrema-direita. Não será para amanhã, provavelmente acabará em guerra civil. E quem sabe se a “profecia” de Karl Marx não se concretiza? É que o KM defendia que a “revolução proletária” deveria começar nos USA. Francamente, não acredito nas tretas da “revolução proletária”, no “comunismo”, mas acredito que será nos USA que poderá começar o pós-capitalismo, uma nova era, o que até faria sentido, foi nos USA que o capitalismo atingiu o seu auge, é nos USA que o mesmo regime social se tornou decadente e opressivo. E por decadente e opressivo quero significar um regime onde a acumulação a poupança, mesmo a exploração, se destinavam ao desenvolvimento e criação de riqueza coletiva, se encontra em completa degenerescência e onde o objetivo parece ser o desperdício e a ostentação, um sistema que faz multimilionários de um dia para o outro e zero de produção de riqueza coletiva.

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