20 anos depois, o campeão improvável é um dos aflitos (com muitos “anticorpos” pelo meio)

Vitor Oliveira / Wikimedia

Estádio do Bessa, sede do Boavista F.C.

O Boavista conquistou o seu único título de campeão da I Liga portuguesa de futebol há 20 anos. Duas décadas depois, os tempos são bem diferentes e os axadrezados lutam para fugir à despromoção.

O Boavista ainda não tem a permanência no principal escalão do futebol português garantida, lutando por esse objectivo a par de Farense, Rio Ave e Portimonense.

Mas os axadrezados só dependem de si mesmos e da vitória sobre o Gil Vicente, na última jornada do campeonato, basta para se manterem na I Liga. Em caso de empate, precisam que o Farense e o Rio Ave não ganhem.

Um dado que contrasta com o sucesso de há 20 anos. Foi precisamente a 18 de Maio de 2001 que o Boavista derrotou o já despromovido Desportivo das Aves por 3-0, no Bessa, sagrando-se campeão nacional com um auto-golo de José Soares e tentos dos brasileiros Elpídio Silva e Whelliton.

Depois de cinco Taças de Portugal e três Supertaças, o Boavista conseguiu erguer o maior troféu do futebol nacional em 117 anos de história, com 23 vitórias, oito empates e três derrotas, uma das quais nas Antas, à 34.ª e última ronda, já com a festa consumada.

O Boavistão de Jaime Pacheco

Esse ‘Boavistão’ de Jaime Pacheco proporcionou meses de grande frustração nas hostes dos três clubes mais titulados do futebol português, que fixaram um recorde conjunto de 26 desaires, suplantando o então recorde vigente de 20 na longínqua época de 1949/1950.

O Boavista contabilizou 77 pontos, um a mais do que o FC Porto, segundo classificado que se ressentiu da venda do brasileiro Mário Jardel – ‘artilheiro’ da I Liga de 1996 a 2000, e, depois, em 2001/2002 – aos turcos do Galatasaray.

Quebrado um ‘jejum’ de 18 anos, o Sporting partia como principal favorito ao título e viu João Vieira Pinto mudar-se da Luz para Alvalade, mas nunca alcançou o topo, falhou o ‘bicampeonato’, que persegue desde 1953/1954, e terminou em terceiro lugar, com 62 pontos.

Já o Benfica selou a sua pior época de sempre, ficando em sexto, com 54 pontos, atrás de Sporting de Braga (quarto, com 57) e União de Leiria (quinto, com 56), ficando ausente das provas europeias pela primeira vez desde 1959/1960.

A equipa de Jaime Pacheco teve um arranque irregular e, apesar de ter derrotado as ‘águias’ (1-0), era sétima à sexta jornada, na qual o Sporting de Braga, líder desde a terceira, foi superado pelo FC Porto, que, à 12.ª, já tinha mais oito pontos face ao rival citadino.

Os “Panteras” tinham então figuras como os defesas Rui Óscar, Litos, Pedro Emanuel, Petit, Rui Bento, Erwin Sánchez, Martelinho, Duda, Whelliton e Silva, além do guarda-redes Ricardo.

O Boavista serviu-se da defesa menos batida face às cinco principais Ligas europeias (22 golos sofridos) e das bolas paradas de Erwin Sánchez (10 tentos e 10 assistências).

Valeram ainda os golos do ‘pistoleiro’ Silva que, com 11, ficou atrás do portista Pena que, com 22, foi o artilheiro desse campeonato.

As ‘panteras’ seriam vice-campeãs na época seguinte, atrás do Sporting, repetindo 1998/1999 e 1975/12976, e somariam a terceira presença na Liga dos Campeões em 2002/2003, numa época em que atingiram as meias-finais da Taça UEFA que veio a ser ganha pelo FC Porto.

Título trouxe muitos “anticorpos”

Na presidência desde 1997, em substituição do seu pai, Valentim, João Loureiro foi o timoneiro desse título de campeão e o ex-líder axadrezado acredita que o triunfo trouxe  “uma série de anticorpos” que jogaram contra o Boavista.

“Algumas coisas que se passaram comigo, com o Jaime Pacheco, com o Boavista, e com outras pessoas que foram protagonistas desse grande momento tiveram muito a ver com um pouco da maneira de ser dos portugueses, feita de alguma inveja e má vontade“, constata João Loureiro em declarações à Lusa.

“Na altura, julguei que fosse uma pedrada no charco, no sentido de dizer que isto não era só para três e há mais que podem ser campeões”, mas “a verdade é que houve uma série de coisas que se passaram a seguir muito feias”, destaca.

“Mais vale ser rei por um dia do que servo para toda a vida e eu não nasci para servo“, acrescenta João Loureiro, notando que o seu Boavista também “não era servo de ninguém”.

“Talvez essa independência tenha levado a alguns amargos que tivemos por algumas forças que se moveram contra nós. Em nada me arrependo, mas nem duvido: tudo o que aconteceu nos anos seguintes foi uma forma de nos fragilizar, porque tinham medo de que tivéssemos a mesma audácia”, sublinha.

João Loureiro lamenta ainda que o Boavista foi o “único clube” a erguer um Estádio para o Euro 2004 “sem praticamente qualquer apoio”.

“Isso fragilizou-nos no plano desportivo”, considera o ex-presidente axadrezado, salientando que a equipa deixou de poder “continuar a sonhar pelos lugares cimeiros, numa luta” em que eram os que tinham “menos condições económicas”.

“No ano em que fomos campeões, o nosso orçamento era seis ou sete vezes inferior ao dos grandes”, constata ainda João Loureiro.

A era dourada do Boavista seria abalada pelo processo Apito Dourado que levou ao afastamento de João Loureiro de 2007 a 2013, além de ter ditado a descida da equipa à II Liga em 2008. Essa descida foi revertida seis anos depois.

Mas, ao longo de cinco épocas (de 2009 a 2014, o Boavista viu-se obrigado a uma travessia pelas divisões não profissionais. Agora, arrisca cair novamente para a II Liga – já não por decisões judiciais, mas por incompetência desportiva.

ZAP // Lusa

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