Caixa Geral de Depósitos faz disparar o défice de 2017 para 3%

Miguel A. Lopes / Lusa

O ministro das Finanças, Mário Centeno

O défice orçamental de 2017 ficou nos 3% do Produto Interno Bruto (PIB), incluindo a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), mas teria sido de 1% sem esta operação, divulgou o INE esta segunda-feira.

De acordo com a nota divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), “em 2017 a necessidade de financiamento das Administrações Públicas atingiu 5 709,4 milhões de euros, o que correspondeu a 3,0% do PIB (2,0% em 2016)”.

“Este resultado inclui o impacto da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), no montante de 3 944 milhões de euros, que determinou um agravamento da necessidade de financiamento das AP em 2,0% do PIB2″.

Sem esta operação de recapitalização do banco público, o défice teria sido de 1%, tal como o Conselho de Finanças Públicas (CFP) e a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) tinham estimado. O Governo, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) estavam menos otimistas e previam um défice próximo de 1,1%.

Por sua vez, “o resultado provisório para a dívida bruta das Administrações Públicas revela que esta dívida terá atingido 125,7% do PIB em 2017”, lê-se ainda no comunicado do INE.

Recorde-se que a Caixa foi recapitalizada em 2017 num total de cerca de 5 mil milhões de euros, dos quais cerca de 3,9 mil milhões foram suportados pelo Estado, o que corresponde a cerca de 2,1% do PIB.

Em fevereiro, o FMI chegou a admitir que, embora a meta do défice de 1,4% do PIB no conjunto de 2017 (inscrita no OE2018) devesse ser alcançada “com margem”, caso a injeção de capital público na CGD fosse contabilizada, o défice poderia subir para 3,5%.

Aquando da operação, que ocorreu em março do ano passado, a presidente do CFP, Teodora Cardoso, admitiu que Portugal não consiga encerrar o Procedimento por Défice Excessivo (PDE), caso a injeção pública na CGD fizesse o défice superar os 3% este ano.

Sem uma decisão tomada sobre a contabilização da operação nas contas públicas, Portugal acabou por sair formalmente do PDE em junho de 2017, ao fim de oito anos, tendo passado do braço corretivo para o braço preventivo do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC).

Questionado recentemente pela Lusa sobre a possibilidade de Portugal regressar ao PDE, o vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, garantiu que isso não deve acontecer, mesmo com a recapitalização da CGD a aumentar o défice para mais de 3%.

“Tipicamente [nestes casos] não reabrimos os procedimentos de défices excessivos e este parece ser o caso de Portugal”, afirmou Dombrovskis na altura.

ZAP // Lusa

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7 COMENTÁRIOS

  1. Moral da história:
    O povo anda a ser esmifrado ha vários anos para reduzir a todo o custo a porcaria do defice,
    e agora, “graças” a uns gavardos que alem de ñ saberem gerir o banco do qual são responsaveis, vivem á grande e á burguesa com salarios e reformas milionarias, temos esta treta do défice muito acima do que deveria estar…

  2. A Caixa sempre deu lucro. Era uma fonte de receitas do Estado que muitas vezes ia lá buscar dinheiro ainda antes do tempo. Com 13 anos de “socialismo” e com o esbanjar pelo socas e sua camarilha, está tudo visto. Sim, o socas ainda há dias esteve em Coimbra a fazer propaganda aos seus gastos e com pena de lhe terem dado nas orelhas!!

    • Sim deu, dava, , mas isso era no tempo em que havia governantes competentes e honestos… Pelo que se sabe…. isso dava era no tempo da outra senhora, agora estamos na cleptocracia, upps “demokratur”….vulgarmente chamada de democracia à roubalheira…

  3. A Caixa nunca fez nada pelas empresas nacionais. Fez mais o BES. E assim é que o Ministério da Economia reconhecendo esse problema teve de fomentar sociedades de garantia mútua, fundos de inovação e o diabo a sete para poder auxiliar as PMEs. Essa competência nunca esteve na Caixa. Esta apenas serviu como forma de os políticos controlarem a economia e pôr lá uns amigos a auferir balúrdios. Acabe-se de uma vez por todas com essa coisa de seu nome Caixa.

  4. Em 2016 empurraram com a “barriga” problemas para 2017 para poder dizer que tinham reduzido o défice. Contudo, por causa disso o défice este ano é maior.
    Para não sair dos limites, em 2017 voltaram a empurrar todos os problemas que puderam com a “barriga” para este ano. Como a CGD, não podia esperar mais teve que ser.
    O certo é que os problemas vão se acumulando… e no final estamos outra vez na mesma!

  5. E de quanto teriam sido os déficits dos anos anteriores, se não tivéssemos tido que recapitalizar os bancos privados? Bancos privados, veja-se bem!
    Alguém me diz?

  6. Oh Costa, oh Costa… pára de mentir à malta, que tudo vai bem, que tudo está óptimo, que o país está uma maravilha, que é um paraíso!!! Oh Costa, o país está a cair de podre, nada funciona bem e o que funciona, mais parece um manicómio em autogestão… funciona é tudo mal…. oh Costa.!!!!! Isto faz lembrar a estória do Rei vai NU!!!!!!!!! e aplica-se que nem uma luva!!!!! Porque será que políticamente a matemática não é é uma ciência exacta?!!!!! Afinal o celebérrimo déficit tão apregoado sofreu uma inflacção de 300%!!!!!!!!

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