Burocracia atrasa notificação de doentes. Médicos passam “mais de metade do tempo” ao computador

Alejandro Garcia / EPA

Durante o processo de identificação e tratamento de um doente com covid-19, há quase uma dezena de programas informáticos que podem ser usados pelos médicos.

Médicos denunciam um excesso de burocracia que atrasa a notificação de doentes de covid-19. Em alguns hospitais, há quase uma dezena de programas informáticos que são necessários para fazer o registo clínico de um doente. Nuno Tavares, médico do Hospital de São João, defende que se passa “demasiado” tempo neste processo meramente burocrático.

“Estamos a falar de uma carga horária diária que é extremamente dissipativa. Provavelmente, mais de metade do tempo que passamos é seguramente ao computador a inserir esse mesmo registo”, explica o médico.

Os programas informáticos utilizados são quase tantos como os passos dados no processo, avança a Rádio Renascença. Registo clínico na urgência, resultados de testes, outros exames, registo de internamento, prescrições de medicamentos, monitorização depois da alta, prescrições de medicamentos em ambulatório, registo epidemiológico e óbito têm todos uma plataforma diferente que deve ser usada no tratamento do doente.

“A existência de demasiados sistemas informáticos concomitantes parece ser um problema transversal”, admite Miguel Abreu, infecciologista no Hospital de Santo António. “No Santo António temos vários programas em simultâneo, feitos por empresas diferentes, para a mesma coisa. Este é um problema pré-covid“.

A notificação dos casos é feita no SINAVE (Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica), mas também na Trace-COVID. Apesar desta última plataforma ter as suas vantagens, Nuno Tavares argumenta que “é mais uma plataforma extra a somar à complexidade do sistema”.

Miguel Abreu acusa também a DGS de não dar ouvidos a quem está no terreno. “Ora, se nós já estamos um bocadinho atrapalhados com o volume de doentes que temos, [com este processo] gastamos ainda mais tempo, que normalmente já é pouco“, diz o infecciologista, em declarações à Renascença.

Fernando Maltez, diretor do serviço de doenças infecciosas do hospital Curry Cabral conta que, como o seu, há outros hospitais que só notificam os casos positivos. “O risco de subnotificação existe em Portugal, como em qualquer outra parte do mundo e tem a ver com os recursos humanos disponíveis”, explica.

ZAP ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Sempre á procura de desculpas, e de baralhar.
    Agora com a chegada dos Médicos e Enfermeiros alemães, espero que os nossos Senhores Doutores e Enfermeiros, especialmente os seus Representantes, Ordens e Sindicatos, aproveitem para aprender alguma coisa, a serem mais humanos, a mais trabalho e menos conversa, a Humanismo, á União de esforços sem regatear ou comentar, obstruir com quem está á frente do Leme a pilotar contra uma pandemia inimiga que ninguém conhece

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