Matemático recebeu 600 mil euros por resolver problema com 300 anos

O matemático Andrew Wiles recebeu na semana passada o prémio Abel por ter conseguido resolver um dos problemas matemáticos mais difíceis de sempre.

Corria o ano de 1993 quando o britânico Andrew Wiles decidiu explicar as conclusões do estudo de sete anos sobre a sua obsessão com o “último teorema de Fermat” na Universidade de Cambridge.

Quando, no final da apresentação, o matemático escreveu os resultados no quadro, os cerca de 200 investigadores que se encontravam na sala mantiveram-se num silêncio ensurdecedor.

De repente, explodiram numa esmagadora salva de palmas porque o britânico tinha finalmente conseguido resolver um problema matemático com cerca de 300 anos.

Desde então, o trabalho de Wiles sofreu algumas mudanças – sobretudo depois de um erro encontrado em 1994 – mas, essencialmente, conseguiu provar uma das teorias matemáticas mais antigas do mundo.

Agora, mais de vinte anos passados desde a sua primeira apresentação, Wiles foi agraciado com o prestigioso prémio Abel, uma espécie de prémio Nobel da matemática.

Além da honra e do reconhecimento do prémio, entregue pela Academia Norueguesa de Ciências e Letras, o britânico, agora com 62 anos, recebeu ainda seis milhões de coroas norueguesas, cerca de 635 mil euros.

Comprovação

O teorema matemático em causa, que afirma que xn+yn = zn, foi proposto por Pierre de Fermat em 1637.

Esta equação não tem uma solução em números inteiros para situações em que n seja igual ou maior do que 3. Por outras palavras, n nunca pode ser superior a 2 para a equação funcionar.

Este é um problema que pode parecer bastante simples, mas a prova definitiva da teoria desafiou matemáticos ao longo dos últimos séculos.

Desde que encontrou o teorema num livro, quando tinha apenas dez anos de idade, este problema matemático ficou preso na mente de Wiles, acabando por se tornar numa paixão ao longo da vida.

“Este problema cativou-me por completo. Era o mais famoso e popular problema da matemática, embora eu não soubesse disso na altura”, contou o matemático ao jornal britânico The Guardian.

“O que me surpreendeu foi o facto de existirem alguns problemas não resolvidos que alguém com dez anos de idade podia entender e até mesmo tentar resolver. E eu tentei ao longo da minha adolescência”.

“Quando fui para a faculdade eu pensei que tinha finalmente encontrado uma prova, mas afinal estava errado”, recorda.

Além de ter sido certamente um peso que saiu da consciência de Wiles, o seu trabalho tem sido amplamente descrito como um marco no desenvolvimento da matemática.

A própria comissão norueguesa que atribui o prémio afirma que foram poucos os resultados “com uma história matemática tão rica e uma prova tão dramática como o Último Teorema de Fermat“, acrescentando que o seu trabalho abriu uma nova era de teoria dos números.

ZAP / HypeScience

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