Quem brinca com o fogo morrerá pelo fogo, avisa a China

Ritchie B. Tongo / EPA

O porta-voz do Gabinete de Assuntos de Hong Kong e Macau avisou: “nunca subestimem a forte determinação e o imenso poder do governo central”.

A China apelidou esta terça-feira de “criminosos e radicais” os responsáveis pela violência dos protestos em Hong Kong, advertiu-os de que “serão punidos” e avisou que ninguém deve subestimar “o imenso poder do governo central”.

“Nunca subestimem a forte determinação e o imenso poder do governo central” e “não confundam contenção com fraqueza”, disse o porta-voz do Gabinete de Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado chinês, Yang Guang, numa conferência de imprensa, um dia após uma greve geral e manifestações marcadas por mais confrontos com a polícia na antiga colónia britânica.

“Deve ficar muito claro para o pequeno grupo de criminosos violentos e sem escrúpulos e às forças repugnantes por detrás deles: aqueles que brincam com fogo morrerão pelo fogo”, disse Yang.

No final, eles serão punidos, é uma questão de tempo” e “terão de enfrentar a Justiça”, acrescentou, ao mesmo tempo que reiterou o apoio de Pequim à chefe do governo de Hong Kong e à polícia, sublinhando que têm capacidade para reprimir os atos criminosos e violentos e para restaurar a ordem pública”.

Na semana passada, o exército chinês divulgou um vídeo no qual os seus soldados simulavam operações antimotim. Questionado pelos jornalistas, o porta-voz do Gabinete de Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado chinês nunca admitiu uma eventual intervenção militar no território, que regressou à China em 1997.

O alto responsável adiantou que desde o início dos protestos ficaram feridas 900 pessoas, 130 das quais são polícias, e que os quase dois meses de contestação “têm tido um grande impacto na prosperidade” de Hong Kong, dando como exemplo os protestos de segunda-feira que obrigaram ao cancelamento de 250 voos e bloquearam durante cinco horas a circulação no metro.

O impacto negativo na economia de Hong Kong já é visível nas estatísticas dos primeiros seis meses, tanto na ocupação de hotéis, como ao nível do investimento. Uma “desordem” cuja responsabilidade Yang atribuiu também às forças anti-China que estão, sustentou, a “tentar escalar as tensões sociais” e a “provocar os elementos radicais contra a polícia”. E explicou: “É tempo de as pessoas de Hong Kong se erguerem e protegerem o seu território”, de se “acabar com a violência e restaurar a ordem”.

O responsável fez ainda questão de repetir as palavras proferidas na segunda-feira pela chefe do governo da região administrativa especial chinesa, Carrie Lam, que afirmou que os protestos estão a colocar a cidade “à beira de uma situação muito perigosa”.

Hong Kong vive há quase dois meses um clima de contestação social desencadeado pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e denunciam agora aquilo que os manifestantes afirmam ser uma “erosão das liberdades” na antiga colónia britânica.

A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio “um país, dois sistemas”, precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

ZAP // Lusa

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6 COMENTÁRIOS

    • pois pois o discurso habitual,será que em Hong kong usam coletes amarelos?você sabe lá o que é uma ditadura e a repressão e se sabe certamente não era comunista mas sim fascista já que fala português…idiota
      !!

    • a única ditadura que você deve conhecer é a fascista e a sua repressão,certamente fala de comunismo de boca cheia de outra coisa qualquer…idiota !

      • Ele não falou em comunismo, falou em “ditadura comunista”, porque a China é uma ditadura capitalista de partido único – chamado Partido Comunista, mas que pouco ou nada tem a ver com comunismo!…

  1. Você para além de ignorante é certamente cego com o seu fanatismo pois desconhece que fascismo seja ele de direita ou esquerda será sempre fascismo e quanto a repressão só o Estaline terá mais mortes há sua conta que o próprio Hitler, depois temos os seus seguidores todos bons alunos como todos sabemos.

  2. Os manifestantes parecem proceder como se Hong-Kong não faça parte da China. Mas faz, é tão somente uma região com um estatuto especial. Estatuto esse que tem o seu termo em 2047.
    Com tanto desejo de autonomia – provavelmente queriam era a independência – não estarão a fabricar lenha para se queimar? Não estarão a criar condições que sirvam de pretexto para a China antecipar aquela data?

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