“Carnificina” política. Boris troca ministros de May por veteranos do Brexit

Neil Hall / EPA

O novo primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, já afastou mais de metade dos ministros de Theresa May e chamou para junto de si veteranos defensores do Brexit.

O cargo de ministra do Interior foi entregue a Priti Patel, que, em 2011, defendeu o regresso da pena de morte. Em 2017, quando tinha a pasta do Desenvolvimento Internacional, a então governante tinha sido obrigada a demitir-se depois de vir a público que se tinha reunido com elementos do executivo israelita durante umas férias no país, noticiou o Observador, citando o Guardian.

A pasta das Finanças foi entregue a Sajid Javid, um “discípulo” da antiga primeira-ministra Margaret Thatcher. Vai ocupar o lugar que até agora pertencia a Philip Hammond.

Dominic Raab, que fez manchetes ao garantir que não é feminista, será o secretário de estado dos Negócios Estrangeiros. Será o principal representante de Boris Johnson, substituindo Jeremy Hunt, o candidato derrotado a líder do Partido Conservador.

Segundo já disse Jeremy Hunt, a decisão de deixar o Governo surge depois de o novo primeiro-ministro lhe ter sugerido trocar de ministério – para o da Defesa – o que recusou. Dominic Raab já tinha sido o ministro do Brexit de Theresa May.

Jacob Rees-Mogg, presidente do Grupo de Pesquisa Europeu Pró-Brexit e um dos defensores da saída de Theresa May, é o novo líder da Câmara dos Comuns.

DFID / Flickr

Priti Patel

Boris Johnson já tinha causado algum mal-estar entre os colegas ao anunciar que Dominic Cummings, o polémico diretor da campanha para o Brexit, seria um consultor sénior na equipa de Downing Street.

O novo primeiro-ministro decidiu, porém, manter o eurocético Stephen Barclay, um dos responsáveis pelas negociações da saída do Reino Unido da União Europeia (UE). O político conservador chegou ao cargo em novembro, após as demissões de David Davis e Dominic Raab, que saíram em divergência com os planos do governo de Theresa May para o Brexit.

Há, contudo, alguns novos ministros que fizeram campanha pela permanência na UE: é o caso de Ben Wallace, nomeado para a Defesa, em substituição de Penny Mordaunt, que apoiou Jeremy Hunt.

Também que Jo Johnson, irmão do primeiro-ministro, vai desempenhar o cargo de secretário de Estado Economia, Energia e Indústria.

No processo de escolha da nova equipa, Boris Johnson cercou-se de apoiantes do Brexit, como Dominic Raab, Priti Patel, Theresa Villiers – a nova ministra do Ambiente -, e Andrea Leadsom, que será a nova ministra da Economia, Energia e Estratégia Industrial.

O ex-secretário de Defesa Gavin Williamson será ministro da Educação, apesar de ter sido demitido em maio por suspeita de divulgar segredos de segurança. Alister Jack será o ministro para a Escócia.

De acordo com a agência Lusa, de fora do Governo ficam algumas das figuras mais experientes do partido, como o anterior ministro da Economia Greg Clark. Também o antigo ministro do Comércio Liam Fox foi afastado por ter sido leal a Theresa May e apoiante de Jeremy Hunt.

Ainda assim, Boris Johnson manteve no executivo alguns conservadores pró-europeus, mas em pastas consideradas menos críticas para o processo do Brexit, como a ministra do Trabalho, Amber Rudd, e o ministro da Saúde, Matt Hancock.

Boris Johnson foi eleito o novo líder do Partido Conservador esta terça-feira. O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros foi o mais votado as eleições internas, com 92.153 votos – quase o dobro dos 46.656 votos assegurados por Jeremy Hunt.

No discurso de estreia enquanto primeiro-ministro, depois de ter sido indigitado esta quarta-feira pela rainha Isabel II, Boris Johnson disse que “sem ‘ses’ nem ‘mas'”, o Reino Unido sairá da União Europeia dentro de 99 dias.

“Faremos um novo acordo, um acordo melhor que maximizará as oportunidades do Brexit, ao mesmo tempo que nos permitirá desenvolver uma nova e empolgante parceria com a restante Europa, baseada no comércio livre e no apoio mútuo”, sublinhou.

Remodelação considerada como “carnificina”

Boris Johnson vai fazer uma declaração ao parlamento esta quinta-feira, depois da reunião que decorre esta manhã com o novo governo, resultado de uma remodelação, considerada pela imprensa como uma carnificina, informou a agência Lusa.

O Times descreveu o despedimento de 11 ministros de Theresa May como uma “tarde de carnificina” e “o mais brutal purgatório do governo na história política moderna”. Já o Daily Telegraph qualificou a remodelação governamental de “massacre político” e uma “transição de perder o fôlego”.

Por sua vez, o Daily Mail falou de um “massacre” e um “banho de sangue de Boris”, enquanto que o Daily Express afirmou que o primeiro-ministro fez uma “limpeza histórica” e iniciou uma “nova era” no Reino Unido.

(h) Jessica Taylor / EPA

“Johnson implacável vinga-se” é a manchete do Guardian, que descreveu a saída de alguns dos ministros como uma “limpeza impiedosa” dos detratores, do novo primeiro-ministro, no gabinete de Theresa May.

O Financial Times considerou que Boris Johnson “rasgou” o executivo anterior e colocou no seu lugar uma formação “hardcore” de ‘brexiteers’, o nome dado aos defensores da saída do Reino Unido da UE.

O novo primeiro-ministro rodeou-se sobretudo de eurocéticos convictos, a quem distribuiu as pastas mais importantes, dando um sinal de que a prioridade é sair UE a 31 de outubro, com ou sem acordo.

Taísa Pagno TP, ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Pois claro, já se sabe que a partir do momento em que alguém se afirma pró-Brexit nada de bom virá dos media. Elogios é só de nazi para cima. Enfim… força Boris.

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