Bolsonaro volta a criticar os media. “Para a imprensa o vírus sou eu”

2

jeso.carneiro / Flickr

Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil

O Presidente brasileiro voltou a criticar a imprensa e, num momento de descontrolo da pandemia no país, afirmou que para os jornalistas o vírus é o próprio chefe de Estado.

“Estamos a fazer o dever de casa”, disse Jair Bolsonaro numa breve conversa com um pequeno grupo de apoiantes, esta quarta-feira, ao qual garantiu que o Brasil é “um dos países que mais vacina” no mundo, apesar de até agora apenas cerca de 3% da população, de 212 milhões de habitantes, ter sido imunizada.

“Mas para a imprensa o vírus sou eu”, disse o Presidente, em tom de queixa, num momento em que todos os especialistas em saúde afirmam que este é o pior momento da crise no Brasil, um dos três países do mundo mais afetados pela pandemia, e que registou esta quarta-feira 1840 mortes, um novo recorde diário.

Os hospitais em quase todo o país chegaram a um nível de colapso nos últimos dias, a tal ponto que alguns estados, como Santa Catarina, um dos mais prósperos do país, tiveram que transferir dezenas de pacientes para outras regiões por falta de camas nos cuidados intensivos.

Apesar do agravamento da pandemia, Bolsonaro tem criticado as medidas de isolamento social decretadas por vários governadores e prefeitos, tem questionado a eficácia do uso de máscaras para evitar a propagação do vírus e das próprias vacinas, consolidando o seu posicionamento negacionista em relação à gravidade da pandemia.

“No que depender de mim, nunca teríamos lockdown. Nunca. É uma política que não resultou em nenhum lugar do mundo. Nos Estados Unidos vários estados anunciaram que não vai acontecer mais. Mas não quero polemizar este assunto”, disse ainda o Presidente, citado pelo jornal O Globo.

Na terça-feira, avança o Correio da Manhã, o chefe de Estado decidiu fazer uma festa no Palácio da Alvorada, a sua residência oficial. O jornal adianta que se tratou de um almoço, em pleno horário de trabalho, com dezenas de aliados.

O Brasil, como muitos países do mundo, enfrenta sérios problemas de acesso às vacinas, das quais só adquiriu, até agora, a produzida pelo laboratório chinês Sinovac e a desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford.

Porém, essas vacinas chegam a conta-gotas e a aposta do Governo está na produção local dos dois antídotos que, segundo já admitiram o Instituto Butantan de São Paulo e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), associados, respetivamente, à Sinovac e à AstraZeneca, só começará de forma massiva no final deste ano.

O país sul-americano lida ainda com a nova estirpe detetada no Amazonas (P.1), que já se espalhou pelo território nacional e que, segundo o próprio Ministério da Saúde, é pelo menos “três vezes mais contagiosa” do que a original.

Segundo dados oficiais, até esta quarta-feira o Brasil acumulava 257.361 mortes e quase 10,7 milhões de infeções desde o início da pandemia, há pouco mais de um ano.

  ZAP // Lusa

2 Comments

  1. «Tu» não és o virus para a imprensa… és o virus para todo o mundo.
    E lamentavelmente não existe ainda um «antidoto» contra ti.

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE