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Quem quer ser milionário? A maioria das pessoas não – e a filha de Musk pode ser uma delas

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A maioria das pessoas não quer ser milionária. Essa é a descoberta de um novo estudo que desafia a crença há muito difundida sobre os desejos ilimitados da natureza humana, cenário que, afinal, só se aplica a uma minoria.

O estudo, publicado recentemente na Nature Sustainability e que contou com a participação de 8000 pessoas, de 33 países, mostrou que 86% acredita poder alcançar a vida ideal com 10 milhões de dólares (cerca de 9,5 milhões de euros) ou menos. Em alguns países, bastava 1 milhão de dólares ao longo de toda a vida.

Esta análise, divulgada num artigo da Cosmos, concluiu que “a visão da maior parte das pessoas não se reflete, necessariamente, em políticas para acumular quantidades excessivas de riqueza”, explicou Renata Bongiorno, coautora e psicóloga social da Universidade de Exeter e da Universidade de Bath Spa, ambas no Reino Unido.

Durante a pesquisa, a equipa pediu aos participantes para imaginarem como seria a sua vida ideal e o valor que necessitavam para a atingir. Numa lotaria hipotética, podiam escolher um prémio entre 10 mil, 100 mil, 1 milhão, 10 milhões, 100 milhões, mil milhões, 10 mil milhões ou 100 mil milhões de dólares.

De acordo com os investigadores, as pessoas que aspiram acumular uma maior quantidade de bens, escolheram o prémio máximo. Esses indivíduos, contudo, estavam sempre em minoria em todos os países englobados no estudo.

Tratavam-se, maioritariamente, de pessoas mais jovens, residentes em cidades que valorizam mais o sucesso, o poder e a independência, e em países com maior aceitação de desigualdades.

Apesar de o resultado relacionar uma maior ambição a uma população mais jovem, nem todos desejam acumular – ou herdar – a fortuna (e o apelido) dos pais. Pode ser o caso da filha transgénero do empresário Elon Musk, considerado o homem mais rico do mundo – com um património líquido de mais de 200 mil milhões de dólares.

Tendo em consideração as conclusões acima apresentadas, a fortuna de Musk permitiria que 200 mil pessoas atingissem o seu projeto de vida ideal. No entanto – e contrariando a tendência encontrada no estudo -, a filha, além de querer passar a utilizar oficialmente um nome feminino, quer deixar cair o apelido paterno.

“Já não vivo nem desejo estar relacionada com o meu pai biológico de forma alguma”, escreveu a jovem no pedido formal, apresentado em abril, em Los Angeles, no dia seguinte a completar 18 anos. Além de não se identificar com o género masculino, quer mudar o nome de Xavier Alexander Musk para Vivian Jenna Wilson.

Embora não sejam conhecidas as razões para esta decisão, a agência Reuters lembrou que, em maio, um mês após a filha ter submetido o pedido para a mudança de nome e de género, Musk declarou apoio ao Partido Republicano, que defende leis para limitar os direitos das pessoas transgénero.

Em 2020, o magnata comentou o uso de pronomes por pessoas trans de acordo com o género com que se identificam. “Apoio em absoluto os trans, mas todos estes pronomes são um pesadelo estético”, escreveu no Twitter.

Nascida em 2004, a jovem é filha do primeiro casamento de Musk com a autora de livros Justine Wilson e tem um irmão gémeo, Griffin Musk. O ex-casal também teve os trigémeos Damian, Kai e Saxon, em 2006. Um sexto filho de ambos morreu ainda recém-nascido, em 2002.

Em 2015, Musk tirou os cinco filhos de uma prestigiada escola para crianças sobredotadas e criou a Ad Astra – que significa “Para as Estrelas”, em latim – um centro privado de ensino localizado numa mansão no sul da Califórnia.

Atualmente, o bilionário está numa relação com cantora Grimes, com a qual tem dois filhos: X Æ A-Xii e Exa Dark Sideræl.

“Constatar que a vida ideal da maioria das pessoas é na realidade bastante moderada pode tornar mais fácil para os indivíduos se comportarem de forma mais alinhada com o que os torna genuinamente felizes”, disse Paul Bain, coautor do estudo e investigador de Psicologia da Universidade de Bath, no Reino Unido.

  Taísa Pagno , ZAP //

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