Benfica 1-2 Porto | “Dobradinha” à moda de Mbemba

Paulo Cunha / Lusa

Neste sábado, na 80ª edição, o FC Porto, embalado pela cabeça de Chancel Mbemba, conseguiu juntar à conquista do campeonato, a Taça de Portugal, derrotou o Benfica por 2-1 e festejou a “dobradinha“, algo que não conseguia fazer desde 2011.

Em Coimbra, o “azul-e-branco” teve mais encanto na hora da despedida desta longa e atípica temporada. Sérgio Conceição – que foi expulso – juntou-se ao lote de 15 ilustres que fizeram a façanha de conquistar o troféu enquanto jogadores e treinadores e os “dragões” somaram a 17ª conquista na competição.

Na parte final, Carlos Vinícius ainda reduziu a desvantagem, mas não impediu a derrota das “águias”, que nunca tiveram classe e talento para aproveitarem o facto de o rival ter ficado reduzido a dez elementos desde os 38 minutos, quando Luis Díaz foi expulso.

O jogo explicado em números

  • Antes do arranque da final, realce para as equipas iniciais. Do lado “encarnado”, Nélson Veríssimo procedeu apenas a uma alteração relativamente ao dérbi ante o Sporting (2-1), saiu Tomás Tavares e entrou Nuno Tavares, que recuperou de lesão.
  • Do lado “azul-e-branco”, os colombianos Uribe e Luis Díaz, que abandonaram o desaire frente ao Braga lesionados, recuperaram e foram titulares. Diogo Costa continuou a defender a baliza dos campeões nacionais.
  • Entrada a todo o gás dos “dragões”. Nos instantes iniciais, Otávio deu o mote e, aos quatro minutos, Corona atirou e Vlachodimos teve de aplicar-se defendendo o tiro do mexicano. Além dos dois remates, os “dragões” contabilizam igualmente dois cantos e 72% da posse de bola. Na resposta, Chiquinho, em óptima posição, não deu a melhor sequência ao cruzamento rasteiro e atrasado de Cervi.
  • O pendor manteve-se, com o FC Porto mais pressionante e organizado a assumir as rédeas da partida, face a um Benfica que jogava na expectativa, sem capacidade para conseguir trocar quatro passes consecutivos e que tentava, sem engenho, explorar as costas da defensiva adversária. Apenas aos 21 minutos houve registo do primeiro canto das “águias”, numa altura em que os rivais da Invicta já contabilizavam cinco.
  • Sem conseguir criar grandes situações de perigo, a verdade é que os lisboetas, paulatinamente, foram conseguindo equilibrar o domínio do jogo, conseguindo dificultar a saída de bola do FC Porto. Os números, aos 35 minutos, diziam que cada conjunto tinha três remates, cinco cantos para o FC Porto e três para o Benfica, uma eficácia de passe de 75% para os comandados de Veríssimo e de 73% para a equipa de Sérgio Conceição. Na posse de bola, ligeira vantagem para as “águias” – 53% versus 47%.
  • Ao minuto 38, num lance dividido entre André Almeida e Luis Díaz, o árbitro Artur Soares Dias assinalou falta do colombiano sobre o português e expulsou o extremo – que tinha sido punido primeiro logo aos nove minutos – por acumulação de amarelos.
  • Cinco minutos volvidos, o treinador do emblema nortenho, Sérgio Conceição, por protestos, foi expulso, depois de ter já ter visto um amarelo aquando da expulsão de Luis Díaz. 
  • Os primeiros 48 minutos foram quezilentos – 18 faltas no total, sendo que 12 foram do FC Porto e seis do Benfica, e as expulsões de Luis Díaz e de Sérgio Conceição – e com uma nota artística negativa. Dentro do pouco que se jogou no mau relvado do Estádio Municipal de Coimbra, destaque para duas ocasiões gizadas pelos “azuis-e-brancos”, primeiro por intermédio de Corona e depois através de Marega. Em termos tácticos, os campeões nacionais tentavam explorar o espaço entre os médios (Weigl, Gabriel e Chiquinho) e os extremos (Cervi e Pizzi), accionando ainda os cruzamentos atrasados e as bolas entre os dois centrais adversários. Mais previsível, o Benfica pouco incomodou a baliza de Diogo Costa, à excepção de um remate sem direcção de Chiquinho, e a tentativa de condicionar o espaço entre os centrais (Pepe e Mbemba) e os médios mais recuados (Danilo e Uribe) não resultou, o mesmo em relação às diagonais de Seferovic. Ao intervalo, o elemento em destaque dentro das quatro linhas foi Corona com um GoalPoint Rating de 5.9, que realçava o remate perigoso e enquadrado do extremo logo aos quatro minutos, dois passes para finalização, dois passes progressivos certos, dois dribles concluídos em quatro tentados e 29 acções com a bola.
  • Ao intervalo, Cervi ficou nos balneários e foi substituído por Rafa. Mesmo em desvantagem numérica, foi o FC Porto quem chegou à vantagem no marcador. Num livre – um dos calcanhares de Aquiles do Benfica -, Alex Telles cruzou, Vlachodimos saiu em falso e Mbemba cabeceou de forma certeira para inaugurar o marcador logo ao segundo minuto da etapa complementar.
  • Aos 59 minutos a receita voltou a resultar a preceito… em golo: livre para o FC Porto, Corona foi certeiro no cruzamento, Mbemba foi mais veloz do que Seferovic, desmarcou-se e novamente de cabeça atirou para o fundo das redes de Vlachodimos e dilatou a vantagem. Foi o quarto golo do defesa-central congolês nesta edição da Taça de Portugal.
  • Parco em criatividade – apenas atenuada após a entrada em campo de Taarabt – e organização e assolado por “velhos fantasmas”, o Benfica nunca conseguiu assustar verdadeiramente o último reduto adversário. O primeiro remate enquadrado surgiu apenas aos 63 minutos, através de Carlos Vinícius, que tinha acabado de entrar em cena, e foi do ponta-de-lança a melhor situação de golo decorria o minuto 75 – em boa posição não conseguiu dar a melhor sequência a um cruzamento de André Almeida. 
  • A sete minutos dos 90, Diogo Leite cortou com uma mão um toque de Rafa e foi assinalada grande penalidade. Na cobrança do lance, Carlos Vinícius não tremeu e reduziu a desvantagem “encarnada” da marca dos 11 metros. Foi o 24º tento do camisola 95 na temporada e o primeiro nesta edição da prova.
  • Já em período de descontos, Jota, de primeira, atirou e a bola embateu no poste direito da baliza do FC Porto. As “águias” ficavam a centímetros do empate. Pouco depois, Pepe foi gigante e negou com um corte arriscado que a bola chegasse aos pés de Carlos Vinícius. Foi o canto do cisme das “águias”, que viram a festa ser pintada em tons “azuis-e-brancos” em Coimbra. Nos três confrontos desta temporada, a equipa de Sérgio Conceição fez o pleno -após o triunfo na primeira volta da Liga NOS por 2-0 no Estádio da Luz, levaram a melhor no Dragão por 3-2 e, na noite deste sábado, conquistaram a Taça de Portugal vencendo por 2-1. Em termos históricos: em dez finais entre os dois emblemas, registo para oito conquistas das “águias” e duas dos “dragões”.

O melhor em campo GoalPoint

O herói improvável e o primeiro defesa-central a marcar dois golos numa final da Taça de Portugal. Mbemba teve uma noite de sonho em Coimbra, vestiu a capa de herói, foi letal no ataque, assinou um bis, determinante na defesa – cortes decisivos aos 54 minutos e nos minutos finais – e foi o MVP desta final da Taça de Portugal com um GoalPoint Rating de 8.3.

Furtivo, o congolês não facilitou e marcou nas duas ocasiões que dispôs, além disso – que não foi pouco -, alcançou quatro recuperações de posse, duas intercepções e três alívios.

Jogadores em foco

  • Jardel 7.1 – Boa exibição do defesa-central brasileiro que, aos 34 anos, foi o melhor do Benfica. Sem culpas nos dois golos sofridos, não perdeu nenhum dos cinco duelos aéreos defensivos em que interveio, conseguiu sete recuperações e outras tantas perdas do esférico, juntando ainda 11 intercepções e sete alívios.
  • Pepe 6.9 – Não perdeu nenhum lance com Seferovic e só teve mais problemas com a entrada em campo de Carlos Vinícius. Conseguiu um remate enquadrado, três passes progressivos certos, apenas perdeu um duelo aéreos defensivo em cinco, dois desarmes, duas intercepções, oito alívios e sofreu cinco faltas.
  • Corona 6.3 – Mais uma exibição do mexicano que parece que não sabe jogar mal. Sempre ligado à corrente, foi uma constante dor de cabeça para Nuno Tavares e um dos principais agitadores da frente de ataque do FC Porto.
  • Alex Telles 6.3 – Gizou uma ocasião flagrante de golo, conseguiu três recuperações de bola, esteve ligado ao lance que redundou no golo inaugural e ainda sofreu três faltas.
  • Franco Cervi 5.8 – Estava a fazer uma exibição positiva, aliás foi o melhor jogador do Benfica na primeira parte (5.8) e, por isso, foi de estranhar o facto de ter sido substituído ao intervalo.
  • Vlachodimos 4.2 – Conseguiu fazer duas defesas, a primeira das quais de grande nível, impedindo o golo a Corona, mas “borrou” a pintura com uma saída em falso que ofereceu o 0-1 a Mbemba.

Resumo

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