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Bater aumenta risco de ansiedade e depressão nos filhos

Punir os filhos através de violência é um comportamento de risco – para o presente e para o futuro.

É a realidade em milhões de casas: quando a filha ou o filho faz algo que não agrada à mãe ou ao pai, a reacção imediata é bater.

Há uma sensação generalizada de que isso já foi mais frequente. Mas continua a acontecer.

Nuns casos é uma reacção habitual – contexto familiar, de educação – noutros casos são situações raras, que só acontecem em momentos muito específicos (e que costumam originar arrependimento imediato).

Mas também há uma sensação generalizada de que isso não resulta. Nem resulta no momento, porque cria maior raiva e o ambiente caseiro piora, nem resulta no futuro.

A violência aumenta o risco de problemas para a criança/adolescente, além de violar os direitos da criança e a lei internacional de direitos humanos.

Ao longo dos últimos 50 anos foram publicados mais de 300 estudos que demonstram associações entre a punição com violência física e diversas consequências negativas. Nenhum estudo mostrou benefícios.

Foi publicado recentemente mais um estudo sobre o assunto, desta vez na revista Science Direct.

Foi realizado pela Universidade da Flórida e que envolveu 149 crianças e adolescentes entre 11 e 14 anos, todos habitantes nos Estados Unidos da América.

Todos os participantes ficaram a jogar um jogo de consola e outro de adivinhar preços – ao mesmo tempo realizaram uma eletroencefalografia (EEG), para medir a actividade das ondas cerebrais.

Os dados dessas EEG atribuíram dois tipos de pontuações: um em relação à reacção do cérebro ao momento em que cometiam erros e outro para avaliar a reacção do cérebro ao momento em que recebiam recompensa, ou prémio.

Dois anos depois, filhos e pais preencheram um questionário para avaliar a ansiedade e a depressão e o estilo e o comportamento dos pais.

Sem surpresas, as crianças e adolescentes que foram mais vezes “alvo” de violência física ficaram mais vezes ansiosas ou em depressão. E também aumentava a probabilidade de uma maior resposta cerebral ao erro e uma resposta menor à recompensa.

O estudo demonstrou assim que os filhos submetidos a punição corporal cometem mais erros, ficam mais ansiosos e menos receptivos a receber recompensas ou outros momentos positivos. A depressão e o mau humor também são mais prováveis.

A punição corporal aumenta a sensibilidade a estímulos negativos, com impactos que duram anos.

  ZAP //

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