DRIFT
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Produzir hidrogénio em alto mar: uma ideia bizarra que se pode revelar bastante útil. O objetivo é aproveitar o vento que vai da terra para o mar.
A energia eólica já representa 8% da produção mundial, e tem vindo a aumentar nos últimos anos. De acordo com a Agência Internacional da Energia, será a maior fonte de energia renovável a seguir à energia solar até ao final da década.
Agora, a empresa inglesa Drift, está a tentar extrair ainda mais energia do vento offshore, que sopra da terra para o mar.
“Produzimos energia renovável no oceano utilizando veleiros e entregamos essa energia em portos de todo o mundo”, explica à CNN o fundador e diretor executivo da startup, Ben Medland.
Os catamarãs estão equipados com hidrofólios que os elevam da água, bem como com uma turbina subaquática, semelhante a uma hélice, mas que funciona de forma oposta, captando energia à medida que a embarcação navega na água.
“Esta é a primeira classe de energia renovável móvel”, diz Medland. “Não precisa de infra-estruturas de rede. Não precisa de cabos debaixo do oceano. Não precisa de fundações, âncoras ou algo do género. Estas são, se quisermos, turbinas eólicas de ‘livre alcance'”.
Um dos principais componentes da é um algoritmo que procura as “condições Goldilock” — vento suficientemente forte para gerar energia, mas que não seja perigoso: “O algoritmo Goldilocks navega 6 milhões de milhas virtuais em 0,02 segundos para escolher a próxima milha de rota otimizada — este tipo de dados não estava disponível há apenas 10, 15 anos”.
Mas há obstáculos, como o custo de produção, que têm de ser ultrapassados. O navio, cujo protótipo já foi apresentado, é ainda muito caro: custa aproximadamente 23 milhões de euros.
Cada navio terá seis tripulantes e é necessário descarregar o hidrogénio num porto, em média, uma vez por semana (ou apenas de 10 em 10 dias, se o tempo for ideal).
Alasdair McDonald, professor de engenharia, explica a ideia: “As velocidades do vento aumentam à medida que nos afastamos da costa, mas as profundidades da água tornam-se mais difíceis para os modelos de turbinas eólicas existentes e a distância dos cabos implica custos e perdas. Assim, as embarcações autónomas de recolha de energia tornam-se o caminho para aceder a esta fonte de energia.”