Bancos portugueses dificultam ou encerram contas de russos e bielorrussos

Cidadãos de Rússia e Bielorrússia, que vivem em Portugal, estão a ter dificuldades para abrir contas em alguns bancos.

Pessoas russas e bielorrussas que moram em Portugal têm tido dificuldade em abrir contas em bancos portugueses.

A indicação foi reforçada nesta sexta-feira pelo jornal Expresso, que relata queixas entregues ao Banco de Portugal sobre procedimentos realizados na Caixa Geral de Depósitos, no Banco Comercial Português e no Novo Banco.

Há uma ideia geral de cidadãos de Rússia e Bielorrússia estão a “pagar” consequências da guerra na Ucrânia, mesmo vivendo em Portugal.

O Banco de Portugal não divulga as denúncias mas surgem relatos que os bancos lusos estão, por exemplo, a colocar entraves por causa do alfabeto cirílico russo – algo que nunca acontecia antes da guerra.

As sanções económicas originaram um controlo mais apertado da relação comercial entre bancos e cidadãos russos e bielorrussos: qualquer novo cliente estará a ser analisado, para os bancos verem se a pessoa em causa é alvo de sanção.

Os bancos rejeitam a possibilidade de estarem a discriminar pessoas por causa do país de origem.

No entanto, há testemunhos do inverso. A russa Evgenia Khilkova contou à RTP: “Disseram-nos verbalmente que eu não podia abrir uma conta bancária por ser russa. Sentimos que é uma discriminação”.

E os problemas não se ficam pelos bancos: “Nem podemos ter um seguro de saúde. Pedem-nos uma conta bancária em Portugal… Andamos em círculos”.

Margarita Yudina, também russa, tinha conta bancária em Portugal antes do início da guerra. Mas poucos dias depois do início do conflito na Ucrânia começou, a sua conta foi encerrada: “Primeiro bloquearam e disseram-me que foi por causa das sanções contra a Rússia e tinha de começar a mostrar documentos. Depois encerraram e explicaram que não tinham interesse comercial em manter os serviços comigo”.

A conta de Margarita foi reaberta depois da reportagem da RTP.

O Banco de Portugal assegurou ao Expresso que “não há proibição generalizada do estabelecimento de relações de negócio ou da realização de operações em que intervenham pessoas com nacionalidade ou residência russa”.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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